Infidelidade às prioridades pode custar caro ao Corinthians no Brasileirão

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Corinthians escalou reservas no confronto direto com o Goiás e sofreu pra empatar. Foto: Rodrigo Coca/Ag Corinthians

Considero Vanderlei Luxemburgo um dos melhores técnicos da história do país. Os feitos dele de 1989 no Bragantino, passando por Palmeiras e Corinthians nos anos 1990, até os títulos por Cruzeiro e Santos no início da era dos pontos corridos, em 2003 e em 2004, respectivamente são dignos de aplausos. As incoerências nesta terceira passagem pelo Corinthians são inaceitáveis.

O professor iniciou o trabalho apontando o Campeonato Brasileiro como possibilidade. Brigou pouco pela permanência na Libertadores. Menos ainda quando o Corinthians amargou o rebaixamento para a Sul-Americana. Deu milhas aos garotos em partidas consideradas menos importantes e foi levando a Fiel na base da conversa. Parte da torcida fechou com ele.

As competições foram avançando e Luxemburgo começou a se perder. A hierarquização das prioridades desmoronou. A Sul-Americana passou a ser prioridade. A corrida para se afastar da zona do rebaixamento, não. Prova disso é a escalação para o empate por 1 x 1 com o Goiás na noite deste sábado, na Neo Química Arena, em São Paulo.  O volante Maycon salvou um ponto depois de Guilherme abrir o placar para os visitantes, em Itaquera.

O Corinthians é imagem e semelhança do técnico. Indeciso para estabelecer prioridades. Antes de assumir o Corinthians, Luxemburgo filiou-se a um partido, foi pré-candidato a senador por Tocantins e administrava a TV Jovem, afiliada da Record no Tocantins.

Quando Luxemburgo era considerado praticamente carta fora do baralho no mercado, eis que ser técnico do Corinthians passou a ser prioridade e aí está ele estabelecendo as preferências do time paulista na temporada. A opção pelo time reserva em um confronto direto com o Goiás foi arriscada. O time havia perdido para o adversário na Serrinha, em Goiânia. Voltou a perder pontos para o adversário ao suar bicas para evitar a derrota dentro de casa.

Na base do desespero, Luxemburgo teve de colocar em campo titulares como Renato Augusto, Matías Rojas, Bruno Méndez, Gustavo Mosquito e Maycon, autor do gol do empate de um time que não sabe exatamente o que deseja. Enfrentou o Goiás priorizando o duelo de volta com o Estudiantes, na Argentina, pelas quartas de final. O desprezado título inédito virou prioridade.

A vantagem de 1 x 0 é boa, mas em caso de eliminação, o Corinthians retornará da Argentina com a responsabilidade imensa de reagir na Série A em uma sequência insana de partidas contra Palmeiras, Fortaleza, Botafogo, São Paulo, Flamengo e Fluminense.

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Marcos Paulo Lima

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