Oitavo título em três temporadas: uma dinastia rubro-negra. Foto: Ed Alves/CB/D.A Press
A Páscoa foi na semana passada, mas a ceia foi servida com uma semana de atraso em um saboroso banquete na hora do almoço neste domingo, no Mané Garrincha. Atuais campeões do Brasileirão e da Copa do Brasil, respectivamente, Flamengo e Palmeiras fizeram valer a expectativa pela Supercopa do Brasil e protagonizaram um senhor jogo em Brasília, a capital de um país tão carente de partida de alto nível, com direito a virada rubro-negra no tempo normal (2 x 2) e na decisão por pênaltis (6 x 5).
O Flamengo não é somente bicampeão da Supercopa do Brasil. Vale lembrar: no ano passado, havia derrotado o Athletico-PR, por 3 x 0, no mesmo Mané Garrincha. O clube carioca consolida uma dinastia impressionante. São oito títulos em três temporadas! Dois na Supercopa, dois no Brasileirão, dois no Carioca, um na Libertadores e um na Recopa Sul-Americana. Uma perfumaria de títulos para quem, até pouco tempo, era gozado pelos rivais devido ao mantra do cheirinho. O atual Flamengo tem aroma de campeão. Vice, o Palmeiras vendeu caríssimo a derrota em um duelo de altíssimo nível. O time paulista deixou o título escapar nos pênaltis em um duelo à parte fantástico entre os goleiros Weverton e Diego Alves, decisivos na marca da cal.
A partida deste domingo não escancara diferença entre os dois clubes mais poderosos do país. Longe disso. Mesmo com menos tempo de trabalho na temporada, o Palmeiras encurralou o Flamengo em alguns momentos da partida. Explorou a fragilidade da defesa rubro-negra, principalmente no setor ocupado pelo lateral-direito Isla e o zagueiro improvisado de zagueiro Willian Arão. Os problemas na retaguarda eram compensados pela movimentação do meio de campo e do ataque de altíssima qualidade a serviço do técnico Rogério Ceni.
Inquieto, o português Abel Ferreira perdeu a razão. Foi expulso, subiu em direção à tribuna de imprensa dizendo “vocês têm o melhor árbitro” para membros da delegação rubro-negra posicionados no setor, e deu um show à parte socando as mesas. Nos pênaltis, uma confusão na entrada dos vestiários se entendeu à tribuna de imprensa. Alviverdes e rubro-negros tiveram de ser separados para evitar uma briga generalizada.
A trupe de Abel Ferreira abriu o placar no primeiro minuto de jogo com um golaço de Raphael Veiga ao melhor estilo Edmundo ou Bergkamp, como queira. O “drible da vaca” de costas em cima do volante improvisado de zagueiro, Willian Arão, foi desmoralizante. No entanto, Gabi, como deseja ser chamado o maior artilheiro rubro-negro no século (74 gols), e Arrascaeta comandaram a reação. O gol do uruguaio deixou Weverton paralisado devido a qualidade na finalização. Na etapa final, Raphael Veiga, de pênalti, igualou o placar para o Palmeiras. Abel Ferreira encurralou o adversário na defesa e depois, como esperado, recuou.
Da polêmica do fair play no clássico entre São Paulo e Corinthians ao título da Supercopa do Brasil: autor da cobrança do título, o zagueiro Rodrigo Caio selou definitivamente a paz com Rogério Ceni com o título no Mané Garrincha no jogo de altíssimo nível entre Flamengo e Palmeiras
Foram quatro gols no tempo normal, mas poderiam ter sido muito mais. A exibição de Weverton foi digna de merecer a camisa 1 da Seleção. Hoje, Alisson (Liverpool) e Ederson (Manchester City), o menos vazado da Premier League, seriam reservas da muralha alviverde. Para azar do herói do ouro olímpico do Brasil nos pênaltis dos Jogos do Rio-2016, do outro lado estava o genial Diego Alves. Se havia alguma crítica à renovação do contrato dele, caiu por terra. O cara simplesmente virou uma decisão de Supercopa do Brasil nos pênaltis.
Em um domingo para guardar na memória, pelo menos a rubro-negra, o Flamengo e Rogério Ceni exorcizaram fantasmas. Ainda sob a batuta de Jorge Jesus, o clube carioca havia perdido a decisão da Taça Rio para o Fluminense. Com Rogério Ceni, caiu nos pênaltis diante do Racing, nas oitavas de final. Por sinal, o ex-goleiro também esquentou o pé. Havia sido despachado da Copa do Brasil pelo São Paulo, nos pênaltis, quando ainda comandava o Fortaleza.
O desfecho da Supercopa do Brasil é um indicativo de que o Flamengo pode alcançar, em 2021, a marca de 10 títulos em três temporadas. Tem tudo, por exemplo, para conquistar o Carioca. No entanto, o Palmeiras mostrou que não será tão fácil assim nas competições nacionais, como a Copa do Brasil e o Brasileirão, e na Libertadores. Goste você ou não do estilo de jogo alviverde, Abel Ferreira poderia, sim, ter vencido a decisão. Questão de detalhes.
Detalhes que devem ser consertados para a decisão da Recopa Sul-Americana, quarta-feira, novamente no Mané Garrincha, contra o Defensa y Justicia. O atual campeão da Libertadores tem vantagem de 2 x 1 contra o detentor da Sul-Americana. O choro pode durar o domingo, mas a alegria está muito bem encaminhada para o título inédito no meio da semana.
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