Eliminado da Libertadores na fase preliminar, o Grêmio disputará Sul-Americana. Foto: Liamara Polli/AFP
A frase é velha, foi dita por Renato Gaúcho antes da final da Libertadores de 2008: “Deixa o Fluminense vencer a Libertadores que, depois, vamos brincar no Brasileiro”. Perdeu o título para a LDU e terminou a Série A em 14º lugar. Treze anos depois, o técnico do Grêmio segue com uma inexplicável preguiça de brigar pelo título que o tricolor gaúcho não conquista desde 1996 e ele, Portaluppi, não ostenta no currículo. Sim, foi vice em 2013, mas com 11 pontos atrás do campeão Cruzeiro.
O Independiente del Valle faz excelente trabalho. É o emergente time equatoriano é o mais promissor da América do Sul. Foi vice-campeão continental sob a batuta do uruguaio Pablo Repetto em 2016, ganhou a Copa Sul-Americana às ordens do espanhol Miguel Ángel Ramírez, elimina o Grêmio guiado pelo português Renato Paiva, mas se mantém fiel ao projeto. Mais do que isso: atinge metas. Participará da fase de grupos contra Palmeiras, Defensa y Justicia e Universitario. A superioridade do Del Valle sobre o Grêmio nas duas partidas é indiscutível.
O fato é que Renato Gaúcho poderia ter evitado a Pré-Libertadores se não optasse por passear no Brasileirão. Ao terminar em sexto lugar na última Série A em benefício da disputa de copas, o treinador aumentou o peso da mochila nas costas do elenco pela conquista da Copa do Brasil contra o Palmeiras para entrar direto na fase de grupos da Libertadores. Perdeu o título do segundo torneio mais relevante do país, sabia que teria o Del Valle pela frente e se deu mal.
Por sinal, Renato Gaúcho amarga a terceira eliminação contra técnicos portugueses. Caiu nas semifinais da Libertadores de 2019 contra o Flamengo, de Jorge Jesus; foi vice da Copa do Brasil diante do Palmeiras, de Abel Ferreira; e tomba na Pré-Libertadores no duelo com o Independiente del Valle, de Renato Paiva.
As campanhas do Grêmio na mais vitoriosa era Renato Gaúcho no clube comprovam a falta de comprometimento do eterno candidato ao título com a competição. Para favorecer Libertadores e Copa do Brasil, escolheu escalar times alternativos, de transição ou até mesmo reservas. A melhor colocação na Série A desde 2016, quando voltou ao Grêmio, foi o quarto lugar em 2017, 2018 e 2019. Era garantia de acesso direto à Libertadores. Agora, a casa caiu.
O indiscutível técnico mais estável do país, no cargo desde 18 de setembro de 2016, passa a ser questionado depois da eliminação precoce da Libertadores. Nesta passagem, levou o time aos títulos da Copa do Brasil (2016), Libertadores (2017), Recopa Sul-Americana (2018), Gaúcho (2018, 2019 e 2020) e Recopa Gaúcha (2019). Se não permanecer no cargo, o maior pecado do treinador terá sido não levar a sério o Brasileirão quando tinha time para disputá-lo e até mesmo conquistá-lo. Desdenhá-lo, jamais.
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