Blog Drible de Corpo

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Marcos Paulo Lima

Análises, opinião e lembranças do arco-da-velha sobre o futebol. 5.117 publicações

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Gre-Nal 453: de onde menos se espera, nada sai nem na Copa do Brasil

Primeiro jogo das quartas de final foi o reflexo do que se vê no Brasileirão: os piores ataques da Série A não balançam a rede sequer em uma partida de mata-mata nacional

Cena de karatê-kid dentro de casa nas quartas de final da Copa do Brasil

“De onde menos se espera, daí é que não sai nada”. A frase atribuída ao jornalista, escritor e humorista brasileiro Aparício Torelly, o Barão de Itararé, resume o empate por 0 x 0 entre Grêmio e Internacional na noite dessa quinta-feira no Estádio Beira-Rio, em Porto Alegre, no primeiro duelo das quartas de final da Copa do Brasil. O Gre-Nal 453 retratou a vida como ela é de dois clubes presos a um passado do qual não conseguem se libertar.

Antes do jogo, o encontro entre os diretores Abel Braga, Luiz Felipe Scolari e Muricy Ramalho matava colorados e tricolores de saudade. Abelão levou o Internacional ao primeiro título na Libertadores há 20 anos e ao inédito Mundial na mesma temporada. Felipão brindou o Grêmio com o bicampeonato continental em 1996. Faz 30 anos. Muricy deixou duas taças de Estadual no Beira-Rio nas edições de 2003 e de 2005. Ele é muito querido por lá.

O Rio Grande do Sul não ganha o Campeonato Brasileiro desde 1996, quando o Grêmio superou a Portuguesa no tempo em que havia final. O futebol gaúcho não vence a Copa do Brasil há quase uma década. O Grêmio de Renato derrotou o Cruzeiro na decisão de 2016.

A julgar pelo que os dois times apresentaram no Beira-Rio, as escritas serão atualizadas. Nem os torcedores mais otimistas esperavam espetáculo de duas equipes atraídas pela zona do rebaixamento na Série A. O Grêmio é 15º. O Internacional é o primeiro fora do Z4.

Outro indicador terrível antes do clássico era o número de gols marcados no Brasileirão. Grêmio e Internacional balançaram a rede 24 vezes cada um. São os piores ataques ao lado do Vasco e da Chapecoense. Quem pagou ingresso na expectativa de ver pelo menos um gol deveria ter direito a reembolso do ingresso. O nível da partida foi muito baixo e pode ser traduzido em números: 43 faltas. Quatro cartões amarelos.

O lance mais falado do clássico não é uma bola na trave, uma defesa milagrosa de Matheus Cunha ou de Weverton e muito menos um pênalti duvidoso. A polêmica diz respeito a um possível erro de arbitragem. O Internacional considera que o centroavante Carlos Vinícius deveria ter sido expulso no fim do primeiro tempo. Ele já tinha cartão amarelo. O árbitro catarinense Ramon Abatti Abel interpretou que não — e o manteve dentro das quatro linhas.

Quando uma expulsão é o tema da “flauta” em Porto Alegre depois de um Gre-Nal, algo precisa ser feito para que o menino futebol respire no jogo da volta na próxima quinta, na Arena do Grêmio. A perspectiva é a pior possível. Com a crueldade de uma possível decisão por pênaltis para apontar o adversário de Atlético ou Cruzeiro. Pior do que está não fica.

Quartas de final

Jogos de ida

Cruzeiro 1 x 1 Atlético

Internacional 0 x 0 Grêmio

Palmeiras 3 x 0 Santos

Vasco 1 x 0 Vitória