Inglaterra festeja o título inédito da Eurocopa dentro de Wembley. Foto: Franck Fife/AFP
Alguma coisa acontece na Football Association (FA). Só não vê quem não quer, não admite ou insiste em fazer piadinhas. O título inédito da Inglaterra na Eurocopa feminina neste domingo na vitória por 2 x 1 contra a Alemanha, em Wembley, é a apoteose da revolução acelerada nos últimos cinco anos iniciada na base pelos súditos do esporte bretão na terra da rainha.
Em 2017, a seleção inglesa masculina arrematou o título de dois torneios da Fifa. Conquistou o Mundial Sub-20 contra a surpreendente Venezuela. No mesmo ano, ergueu o troféu do Mundial Sub-17 com uma imponente goleada por 5 x 2 contra a Espanha.
No ano seguinte, os marmanjos da Inglaterra brilharam na Copa do Mundo da Rússia. O país não chegava às semifinais desde a edição de 1990, na Itália. O time de Gareth Southgate só não disputou o título contra a França porque caiu diante da Croácia, a maior sensação do último torneio. Desmobilizada, perdeu o terceiro lugar para a Bélgica.
Nesta temporada, a Inglaterra ganhou a Euro Sub-19 ao superar Israel por 3 x 1. Dois anos antes, amargou o vice na Euro Sub-17 contra a Espanha. Houve empate por 2 x 2 no tempo normal e triunfo da seleção ibérica nas cobranças de pênalti por 4 x 1.
O futebol feminino da Inglaterra também dava sinais de transformação. A seleção ficou em terceiro lugar no Mundial Sub-20 de 2018. Disputou a decisão da Champions League feminina representada pelo Chelsea na temporada de 2020/2021.
A maior prova de força foi dada neste domingo. Um ano depois de os homens da Inglaterra amargarem o vice na Eurocopa na decisão por pênaltis contra a Itália, as mulheres brindaram o país com o fim do jejum de 56 anos sem conquistas em competições adultas de ponta. A última havia sido justamente em Wembley, na Copa do Mundo de 1966.
O triunfo por 2 x 1 na prorrogação é a prova definitiva de que nada está acontecendo por acaso na FA. Há um projeto em curso potencializando todas as seleções do país — da base ao profissional. Não há freio nos investimentos. Aprende-se com as derrotas. Há três anos, a Inglaterra alcançou as semifinais da Copa do Mundo Feminina. Vendeu caro a eliminação diante dos Estados Unidos. Fortalecida pela chegada da excelente técnica holandesa Sarina Wiegman, as inglesas ostentam o que os homens não têm: o título da Eurocopa.
O título inédito da Inglaterra tem um significado ainda maior. Há 101 anos, a FA — CBF deles — proibiu a prática do futebol feminino. A edição de 2005 da Euro foi um reflexo da resistência. Aquela edição disputada na Inglaterra teve como maior público 29.092 pagantes. A final, sem as anfitriãs, recebeu 21.105 torcedores.
A média em jogos sem as donas da casa em campo foi de 2.528. Dezessete anos depois, a Euro Feminina deu provas de popularidade. Uma delas, a comercialização de todos os bilhetes para a finalíssima. Wembley recebeu 87.192 torcedores no jogo do título.
Assim como no futebol masculino, haverá um tira-teima entre as campeãs da Eurocopa e da Copa América. Vem aí um duelo bacana entre Inglaterra, de Sarina Wiegman, bicampeã continental com Holanda e Inglaterra; e o Brasil, de Pia Sundhage. A sueca acaba de se tornar a primeira mulher a conquistar o título sul-americano. Ótimo teste para os dois lados.
E não se engane. A Inglaterra será forte na Copa do Mundo masculina, em novembro, no Catar, e na feminina, daqui a um ano, na Austrália e na Nova Zelândia.
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