Gama e Brasiliense são os únicos times do DF entre os 128 do Brasileirão. Fotos: Bárbara Cabral e Ed Alves
Representantes do Distrito Federal entre os 128 times das quatro divisões do Campeonato Brasileiro, Brasiliense e Gama, ambos da Série D, cumpriram juntos, pela primeira vez, um dos pré-requisitos do manual de uma gestão transparente de times de futebol. Ambos cumpriram a lei e publicaram em seus respectivos sites o balanço financeiro do exercício 2020. Há um ano, levantamento do blog mostrou que apenas duas das 12 equipes da elite do Candangão tinham tornado o demonstrativo contábil de 2019 dentro do prazo. Outros fizeram depois e a maioria ignora a regra do jogo. Inclusive equipes que renovaram contratos para receber patrocínio estatal, por exemplo, do Banco de Brasília (BRB).
A divulgação dos resultados é uma determinação do artigo 46-A da Lei Pelé: “As ligas desportivas, as entidades de administração de desporto e as de prática desportiva envolvidas em qualquer competição de atletas profissionais, independentemente da forma jurídica adotada, ficam obrigadas a: elaborar suas demonstrações financeiras, separadamente por atividade econômica, de modo distinto das atividades recreativas e sociais, nos termos da lei e de acordo com os padrões e critérios estabelecidos pelo Conselho Federal de Contabilidade, e, após terem sido submetidas a auditoria independente, providenciar sua publicação, até o último dia útil do mês de abril do ano subsequente, por período não inferior a 3 (três) meses, em sítio eletrônico próprio e da respectiva entidade de administração ou liga desportiva”.
Especialista em direito desportivo, o advogado Maurício Corrêa da Veiga alerta: “A Lei Pelé determina que todos os clubes, sem distinção em razão de sua constituição (associações, empresas limitadas, sociedades anônimas e outras), devem publicar sua demonstração financeira em seus sítios eletrônicos até o último dia de abril do ano subsequente ao exercício. A não observância desta obrigação poderá acarretar na inelegibilidade do presidente do clube durante cinco anos para cargos em entidades desportivas. A publicação do balanço financeiro também é determinada pelo Profut, programa de refinanciamento de dívidas que a maioria dos clubes aderiu”, interpreta o sócio do Corrêa da Veiga Advogados.
Os dados informados por Brasiliense e Gama comprovam o abismo financeiro entre os dois principais times da capital. Atual campeão da Copa Verde e classificado para a terceira fase da Copa do Brasil, o clube de Taguatinga aponta superavit de R$ 1.632.888, praticamente o quadruplo do lucro registrado no resultado de 2019, que foi de R$ 406.104.
Em 2015, o clube aderiu ao Programa de Modernização da Gestão e da Responsabilidade Fiscal do Futebol Brasileiro (Profut), atualizou o valor dos débitos e diz que recolhia os tributos e contribuições, porém, foi excluído do programa em 2020 e discute o motivo judicialmente.
Brasiliense registrou superavit de R$ 1,6 milhão no exercício de 2020, três vezes mais do que o deficit apontado pelo arquirrival Gama no mesmo período. Alviverde fechou no vermelho em R$ 586 mil
O Brasiliense informou que o balanço foi auditado pela AFG (Auditores, Consultores e Contadores). A empresa emite o seguinte parecer: “Em nossas opinião, as demonstrações contábeis apresentam adequadamente, em todos os aspectos relevantes, a posição patrimonial e financeira do Brasiliense Futebol Clube (“Entidade”) em 31 de dezembro de 2020, o desempenho de suas operações e os seus fluxos de caixa para o exercício”.
Na contramão do Brasiliense, o Gama enfrenta a maior crise financeira em 45 anos de história. O atual bicampeão do Distrito Federal fechou o exercício de 2020 no vermelho. Segundo o balanço financeiro, o prejuízo é de R$ 586.804,30. Curiosamente, deficit é menor do que o apontado no demonstrativo de 2019. À época, o rombo era de R$ 980.609,71.
Hoje, a principal receita do Gama vem da participação na Timemania. A loteria da Caixa repassou ao clube R$ 656.931 no exercício de 2020. O relatório aponta, ainda, que o clube recebeu muitos patrocínios pontuais. A Belmont Sports, do casal de empresários e políticos da cidade Paula e Luis Felipe Belmont, aplicou R$ 100 mil no Gama no auge do caos financeiro do time na Série D do Brasileirão. O deputado distrital Eduardo Pedrosa também injetou R$ 15 mil no caixa do clube. Patrocínios de camisa como os da EMS (R$ 285 mil), Union Life (R$ 200 mil) e Goalmanage (R$ 75 mil), também constam no documento.
Uma contribuição de R$ 16.625,36 de uma “vaquinha” feita pela torcida mais popular e apaixonada da cidade para ajudar o clube também consta no balanço, assim como a prestação de contas de viagens ao exterior (China e Espanha) para tentativas de parcerias internacionais. O clube ainda recebe via mecanismo de solidariedade pelas transferências do volante Sandro, ex-Internacional, Tottenham e medalhista de prata nos Jogos de Londres-2012. No ano passado, o jogador rendeu ao clube R$ 18.767,56.
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