Feijó (E) derrubou Ednaldo, articulou gabinete com Lira e ganhou apoio de Ednaldo. Foto: Thais Magalhães/CBF
A sede da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) fica na Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio, porém o desfecho da crise na entidade passa cada vez mais pela capital do país. Depois de ser levada ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) e ao Supremo Tribunal Federal (STF), a guerra política desembarcou no gabinete do presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL).
O parlamentar recebeu nessa quinta-feira antagonistas no próprio gabinete na tentativa de usar a habilidade política para pacificar os ânimos e articular um plano. No balanço de quem lá esteve, o encontro colocou mais lenha na fogueira de vaidades.
Conterrâneo e fortíssimo aliado de Lira, o ex-vice-presidente da Confederação Brasileira de Futebol, Gustavo Feijó — um dos articuladores da destituição de Ednaldo Rodrigues da CBF —, esteve no encontro reservado entre desafetos com o próprio Ednaldo Rodrigues. O presidente da Federação Paulista de Futebol, Reinaldo Carneiro Bastos, também participou.
Como esperado, o encontro tinha tudo para dar errado. Surpreendido, Bastos viu Ednaldo e Feijó passarem de adversários políticos a aliados, com possibilidade de inversão de papéis. Quem acompanhou indica o recuo de Ednaldo ao papel de vice para Feijó encabeçar chapa quando o interventor da CBF, José Perdiz de Jesus, convocar eleição.
Aliado de Ednaldo, Bastos não curtiu a virada de casaca e deve partir para uma candidatura própria sustentada pela maior federação do país, por quatro clubes da Série A (Corinthians, Palmeiras, Red Bull Bragantino e São Paulo) e seis da B (Botafogo-SP, Guarani, Ituano, Mirassol, Novorizontino, Santos e Ponte Preta). No colégio eleitoral da CBF, as federações tem peso 3, os clubes da elite, 2, e os da segunda, 1. Logo, Bastos largaria com 18 dos 141 votos possíveis.
A inscrição de uma chapa não é tão fácil. O candidato necessita do apoio de 8 federações, ou seja, 24 votos, e de cinco clubes. Consequentemente, será quase impossível não recorrer às alianças. Hoje, a CBF disponibiliza oito cargos de vice, o equivalente à chancela de oito federações. Nesse sentido, a batalha por cabos eleitorais é ferrenha nos bastidores. Bastos e Ednaldo não desfrutariam de tanta simpatia. Hoje, dependeriam de articulações.
Dois personagens costuram apoios e são peças-chave no processo. Ex-vice de Desenvolvimento e Projetos da CBF no início da gestão de Ednaldo, o advogado Flávio Zveiter tem trânsito livre nos dois lados da moeda. Tem aproximação com Bastos e Feijó. Isso não se pode dizer da relação estremecida com Ednaldo. Com 18 associados, a Liga do Futebol Brasileiro (LiBra) é simpática a Zveiter porque ele foi um dos fundadores dela. Trocou a Codajas Sports Kapital pela CBF.
O nome dele, no entanto, sofre resistência por se tratar de um “outsider”. O jurista jamais comandou uma federação e incomoda quem incorpora o velho discurso do ex-presidente Marco Polo Del Nero de que a CBF é uma família. Portanto, o poder deve seguir nas mãos dos homens vinculados a federações. Alguns personagens trabalham para cortar o plano de Zveiter pela raiz.
Paralelamente, o Partido Social Democrático (PSD) aguarda o posicionamento do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, sobre a Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF). A ação assinada pelo advogado Thiago Fernandes Boverio questiona a decisão do Tribunal de Justiça do Estado do Rio (TJRJ) de tirar Ednaldo Rodrigues da CBF. O plano elaborado pelo senador Otto Alencar tenta devolver o conterrâneo baiano Ednaldo ao poder. Protelado até mesmo por questionamentos do próprio Gustavo Feijó, o documento está sob análise de Mendonça desde o último dia 19. A expectativa é pelo posicionamento dele no decorrer desta sexta-feira.
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