Flamengo: goleada contra o Sampaio não esconde o latifúndio defensivo

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O risco de o Flamengo disputar o Quadrangular do Rebaixamento no Campeonato Carioca acabou em pizza – sabor portuguesa. A vitória da Lusa contra o Nova Iguaçu nesse sábado ajudou o atual bicampeão estadual a terminar em quarto lugar na classificação do Grupo B e se classificar para enfrentar o Botafogo nas quartas de final.

O Flamengo fez a parte dele. Goleou o lanterna Sampaio Corrêa por 7 x 1 em um jogo marcado pelas imagens fortes da convulsão do jogador Alexandre no início do primeiro tempo. Ele foi levado às pressas pela ambulância do gramado ao Hospital Quinta D’Or, em São Cristóvão, Zona Norte do Rio de Janeiro, a cinco minutos do Maracanã.

O elenco principal salvou o Flamengo do vexame encaminhado pelo time sub-20. Dos sete pontos na primeira fase, seis foram conquistados pelo time de Filipe Luís e apenas um pelos garotos da base no empate por 1 x 1 na estreia justamente contra a Portuguesa.

Chamo atenção para dois detalhes na goleada do Flamengo. O primeiro diz respeito ao ataque. Homens de referência de Filipe Luís, o centroavante Pedro e o falso nove Bruno Henrique balançaram a rede duas vezes cada diante do frágil adversário, mas ficaram devendo contra Vasco, Fluminense, São Paulo, Corinthians e Internacional.

A engrenagem para a chegada da bola até Pedro e Bruno Henrique não está funcionando em jogos de alto nível, ou seja, diante de marcações mais fortes, defesas ajustadas e jogadores de um nível muito superior aos do modesto Sampaio Corrêa. O técnico rubro-negro precisa trabalhar variações na construção dos lances rapidamente.

Uma outra constatação serve de alerta. O Flamengo sofreu oito gols em seis jogos sob o comando de Filipe Luís. Foi vazado em todas as partidas exceto na vitória por 1 x 0 contra o Vasco na primeira exibição do time principal em 2026. A defesa está desprotegida.

O Flamengo tem levado gols parecidos. Ao posicionar quase todos os jogadores no campo do adversário, oferece um espaço imenso para a transição dos adversários. O Corinthians explorou essa falha no gol de Yuri Alberto na Supercopa Rei. O contra-ataque letal do Internacional puxado em velocidade por Carbonero e concluído por Rafael Borré também foi assim.  Cada gol sofrido parece cópia do outro. Cadê a compactação?

Faltam pernas. Consequentemente, o Flamengo não tem atuado com linhas justas. Oferece um latifúndio aos adversários nos contra-ataques e tem sofrido muito com isso. Filipe Luís precisa interpretar esse início atípico de temporada. O momento pode estar pedindo mais cuidado defensivo do que ousadia ofensiva. Como diria Tite, “equilíbrio”.

O Flamengo tem elenco para variar o sistema de jogo e atuar no 3-5-2, por exemplo, como faz a Internazionale na Itália. Outra opção seria renunciar temporariamente aos pontas e reforçar o meio de campo no formato 4-4-2. Em vez de extremos, um segundo atacante fazendo companhia ao Pedro, o único centroavante raiz do elenco. Não implica dizer que o time de 2025 acabou. Não! Trata-se de sensibilidade tática, entendimento e adaptação ao que o momento está demandando da equipe rubro-negra.

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Marcos Paulo Lima

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