A escalaçãao de Reece James foi decisiva para a vitória do Chelsea. Foto: Buda Mendes/Getty Images via AFP)
A Copa do Mundo de Clubes da Fifa deixa o sarrafo elevado para as 48 seleções em 2026. A primeira edição do novo torneio precisa ser estudada com lente de aumento, principalmente, pelo treinadores do Brasil, Argentina, Uruguai, França, Inglaterra, Espanha, Alemanha e Itália. Enfim, os favoritos de sempre daqui a um ano, no Canadá, nos Estados Unidos e no México, com final marcada novamente para o MetLife Stadium. Para mim, os técnicos dos times deram uma aula de reviravoltas táticas, técnicas e de plano de jogo para lidar com o maior desafio: o verão norte-americano, com jogos sob sol escaldante. Filipe Luís ajudou o campeão Chelsea, de Enzo Maresca, a despertar entender o torneio e fazer 3 x 0 no ex-favorito PSG no primeiro tempo. É proibido piscar. Maresca vacilou com Filipe e foi engolido. Luis Enrique dormiu no ponto e Maresca o deixou sem argumentos em 43 minutos.
Nas quartas de final, o Real Madrid iniciou o duelo com o Borussia Dortmund ligado nos 220v. A ideia era resolver a partida o mais rapidamente possível. Conseguiu, administrou a vantagem até o limite e quase sofreu o empate no último lance porque Xabi Alonso é um excelente técnico, mas Niko Kovac também. Pensou rápido e esteve próximo de forçar a prorrogação.
Nas semifinais, o Paris Saint-Germain fez o Real Madrid provar do próprio veneno ao abrir 3 x 0 na etapa inicial de maneira impiedosa. Xabi Alonso ficou nas cordas e seguiu para o intervalo com a sensação de nocaute. O PSG encantava o planeta depois de desbaratar os exércitos da Inter de Milão na decisão da Champions League, o Inter Miami na fase de grupos da Copa de Clubes, o Bayern de Munique nas quartas e o Real Madrid nas semifinais.
Do outro lado na final, um técnico marcado pelo derrota de virada para o Flamengo de Filipe Luis na segunda rodada da fase de grupos. Foi para o descanso vencendo o time rubro-negro por 1 x 0 e voltou para sair derrotado por 3 x 1. O treinador rubro-negro fez o mais difícil: mudou a rotação da partida no segundo tempo, justamente quando o ritmo das partidas diminuía absurdamente. Pegou o adversário no contrapé.
Aquele jogo despertou Enzo Maresca para a realidade. Desafiou o italiano a pensar jogo a jogo. Dali em diante, houve imposição do início ao fim contra o Benfica nas oitavas, principalmente na prorrogação. O modelo se repetiu diante do Palmeiras nas quartas, e o Fluminense nas semifinais. Era preciso tomar conta do jogo desde o começo e sustentá-lo com inteligência.
Justamente a inteligência da vitória por 3 x 0 deste domingo na final da Copa do Mundo de Clubes da Fifa. Enzo Maresca surpreendeu Luis Enrique na escalação ao colocar o capitão Reece James alinhado como volante ao lado de Moisés Caicedo. Consequentemente, abriu mão de um ponta. Nkunku foi para o banco. Assim será a Copa no ano que vem: um desafio à perspicácia, aos mínimos detalhes sobre o adversário. É como aquela brincadeira: “piscou, dançou”.
Configurado no 3-2-5, o Chelsea fez saída de bola a três com Cucurella, Coldwill e Chalobah. a famosa saída lavolpiana. Contava com James e Caicedo à frente e o alargamento das pontas com o lateral Gusto no corredor direito, auxiliado por Palmeer e pelo veloz driblador Pedro Neto na esquerda. Enzo Fernández era o mais recuado com a finalidade de acioná-los.
As ações ofensivas convergiam para o meio, onde o Chelsea descobriu o mapa da mina. Havia um buraco na frente dos zagueiros Marquinhos e Beraldo. Por ali, Palmer se infiltrou e finalizou duas vezes do mesmo jeito para abir 2 x 0. Depois, assumiu o papel de garçom na finalização do centroavante brasileiro João Pedro. Luis Enrique piscou, dançou. O favorito havia tomado um nó difícil de desafazer. O futebol, hoje, é de quem gasta tempo em busca de soluções rápidas.
Maresca respondeu a uma pergunta minha dizendo que havia estudado muito o Campeonato Brasileira para entender Flamengo, Palmeiras e Fluminense. Brincou até ter virado especialista em Série A. Imagina quantas vez não deve ter visto, revisto e visto de novo o PSG até achar a solução. Certo estava Reece James, a surpresa do dia: “Já fomos favoritos várias vezes e perdemos”. O PSG era favorito e o Chelsea deixou o planeta do jeito que o cosmonauta russo Yuri Gagarin viu na primeira excursão á lua: Blue. Azul. Da cor do Chelsea, o primeiro campeão da Copa de Clubes.
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