Fiéis a América-MG e Chape, Lisca e Louzer rejeitaram o Cruzeiro para alçar times à Série A

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Rogério Ceni largou a campanha estável no Fortaleza para trabalhar no Flamengo e balança no clube carioca. Marcelo Chamusca trocou a posição confortável no G-4 da Série B pelo Fortaleza e já foi até demitido. Em uma temporada marcada por técnicos que largaram projetos em andamento por ambições pessoais em clubes maiores, Lisca e Umberto Louzer escolheram permanecer onde estão e concluíram o serviço com louvor nesta terça-feira. América-MG e Chapecoense carimbaram acesso à primeira divisão do Campeonato Brasileiro.

Há mais em comum entre os dois técnicos do que a promoção à elite. Ambos foram tentados durante a temporada a deixar seus times e assumir o Cruzeiro. Lisca e Umberto Louzer responderam não ao clube centenário e mantiveram-se fiéis, respectivamente, a América-MG e Chapecoense. Luiz Felipe Scolari topou assumir o calvário celeste na segunda divisão.

Lisca é um dos melhores técnicos brasileiros na temporada. Assumiu o América-MG em janeiro e foi muito além da meta de levar o clube de volta à Série A. Chegou às semifinais da Copa do Brasil. Desbancou Corinthians, Internacional, e só foi parado pelo Palmeiras. Lisca teria deixado de viver essa experiência se tivesse aceitado o convite de um Cruzeiro em reconstrução.

“Caso ele (Luiz Felipe Scolari) não assumisse, o Cruzeiro consultou minha pessoa, tive conversa com o presidente Sérgio (Rodrigues). A gente abriu uma amizade legal, não era o momento certo. O Cruzeiro estava numa situação difícil, tinha 1% de acesso. O presidente Sérgio me falou, ‘é um trabalho de dois anos, mas se não tiver acesso, fica difícil’. Aí entendi o recado, que era necessário o acesso para sequência de trabalho”, explicou Lisca, na última segunda-feira, em entrevista à rádio 98 FM de Belo Horizonte.

“Queria muito fazer um trabalho a médio, longo prazo. A ideia do Cruzeiro era um trabalho de urgência. Coloquei ao presidente Sérgio que, com um trabalho de início, meio e fim, seria uma honra, mas optei pelo América”, acrescentou Lisca. O empate sem gols com o Náutico bastou para ele cumprir a missão de devolver o clube mineiro à primeira divisão.

Acerto de Umberto Louzer com o Cruzeiro até vazou, mas ele ficou. Foto: Márcio Cunha/Chapecoense

Umberto Louzer também foi convidado pelo Cruzeiro. À época, liderava a Série B e chegou a ser anunciado como novo técnico celeste. O técnico disse não em nota oficial divulgada pelo clube catarinense. “Agradeço o contato do Cruzeiro, mas optei por permanecer na Chapecoense. De fato, houve interesse para que pudesse assumir a equipe, mas acredito muito no projeto que aqui está sendo desenvolvido. Pesou nesta decisão minha vontade de permanecer e concluir o que começamos. Além disso, prezo por cumprir meu contrato por onde passo e aqui não será diferente”, argumentou o profissional.

Depois de rejeitarem o Cruzeiro e catapultarem América-MG e Chapecoense à Série A 2021, Lisca e Umberto Louzer concorrem ponto a ponto por troféu inédito. Eles não ostentam título nacional no currículo. O time mineiro lidera com 67 pontos e o catarinense tem 66. “Fico muito feliz pelo convite que tive de vir para cá. Quando cheguei, o objetivo era evitar o rebaixamento no Estadual e a garantir a permanência na Série B, e eu falei que eu queria algo mais. Fico feliz pelo crescimento e pelo trabalho desde o início. É uma satisfação ver que o dever foi cumprido. Teve um momento que fui procurado por um clube, por estar fazendo um bom trabalho aqui, e a decisão de ficar foi um divisor de águas para mim e para os atletas”, disse Louzer.

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Marcos Paulo Lima

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