Falso 9 de Dorival, Lázaro entrega aos 20 anos a versatilidade que o Flamengo e a Europa exigem

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A escalação de Gabriel Barbosa e Pedro juntos em jogos de alto nível tem seu preço. Falta um terceiro centroavante no banco de reservas. Um camisa 9 matador como os dois titulares. Rodrigo Muniz foi essa opção, por exemplo, na gestão de Rogério Ceni. Decidiu alguns jogos, bateu asas e voou rumo ao Fulham. Na ausência de um jogador com essa característica para o time considerado reserva, Dorival Júnior aposta em Lázaro na função.

Ouso profetizar que ele deixará o Flamengo rapidamente. Não, Lázaro não é uma promessa badalada como Lucas Paquetá, Vinicius Junior ou Reinier, mas tem a maleabilidade que interessa ao mercado europeu para lapidá-lo e transformá-lo em algo a mais do que é. Aos 20 anos, a cria do Ninho do Urubu tem maturidade para assumir diferentes funções. Ele não se limita ao papel de meia-atacante ou ponta-esquerda. Topou ser ala-esquerdo no sistema com três zagueiros de Paulo Sousa, alternativa para a ausência de Arrascaeta na passagem do português pelo cargo e falso nove neste início do trabalho de Dorival Júnior.

O técnico do Flamengo surpreendeu ao escalá-lo assim na goleada contra o Atlético-GO no sábado passado, por 4 x 1. Repetiu hoje no triunfo por 2 x 0 contra o São Paulo, no Morumbi. Triunfo, sim, pois os torcedores rubro-negros sabem como é difícil derrotar o tricolor lá dentro. Daí a festa em campo e nas arquibancadas quando soou o apito final.

Inquieto, Dorival Júnior aplica no Flamengo o que tentou ao assumir o Ceará. Um dos experimentos dele foi posicionar o meia Vina no papel de falso nove O antecessor Tiago Nunes também havia posicionado o jogador nesse papel ao lado de Lima e Mendoza. Assim, bateu o Independiente por 2 x 0, na Argentina, na fase de grupos da Sul-Americana.

Improviso é bom quando dá certo. Lázaro funcionou contra Atlético-GO e São Paulo. O gol dele no início da partida foi com requinte de falso nove com requinte de autêntico matador. Deu tranquilidade ao time para cumprir o plano de Dorival Júnior, suportar a pressão compreensível do bom time de Rogério Ceni e ampliar o placar para 2 x 0 com Gabigol.

Um dia desses, em 2019, Lázaro entrava em campo no Bezerrão, lá no Gama, para virar a final do Mundial Sub-17 contra o México. O Brasil perdia por 1 x 0, fez 2 x 1 e ganhou o tetra no Distrito Federal. Lázaro não é brilhante, mas aprendeu a acumular milhas independentemente do piloto do boeing rubro-negro.. Evoluiu com o comandante Paulo Sousa, cresceu com Dorival Júnior e, em breve, vai arrumar as malas com destino à Europa. Ele é um jogador voluntarioso, aberto a possibilidades como virar um falso 9, balançar a rede e abrir o caminho para a vitória contra o São Paulo.

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Marcos Paulo Lima

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