Hélio dos Anjos comandou o Gama na Série A do Brasileirão de 2002. Foto: Jorge Luiz/Paysandu
Manhã de domingo, 2 de fevereiro. Em vez de tomar um café com tapioca no Mercado Ver-o-Peso ou dar uma caminhada pela orla da Baía do Guajará, em Belém, o técnico do Paysandu, Hélio dos Anjos, acessou o canal do Brasiliense no YouTube e deu uma espiadinha na transmissão ao vivo no empate do atual vice-campeão do DF com o Taguatinga pela segunda rodada do Candangão. Auxiliares, entre eles o filho de Hélio, Guilherme dos Anjos, e analistas de desempenho do tradicional clube paraense coletaram o último dos quatro vídeos sobre o adversário desta quinta-feira, às 19h15, no Estádio Serra do Lago, em Luziânia, pela Copa do Brasil. “Hoje está muito fácil ver tudo. Tenho imagens dos últimos quatro jogos do Brasiliense, dois amistosos e dois jogos no campeonato local”, conta o ex-treinador do Gama na Série A do Brasileirão 2002 em entrevista exclusiva ao blog.
Antes da conversa, Hélio dos Anjos havia acabado de se reunir com a comissão técnica na concentração, em Brasília, para finalizar o trabalho de edição que será exibido ao jogadores do Paysandu na preleção do duelo desta quinta-feira. Detalhista, foi sincero ao dizer o que espera do confronto válido pela primeira fase. “Nós temos dois resultados (vitória e empate) e o Brasiliense, um (vitória). Mas isso não quer dizer nada. Espero um jogo muito, muito difícil. Vai ser complicado”, projeta, preocupado com a qualidade individual do elenco do Brasiliense. Os atacantes Zé Love e Neto Baiano, por exemplo, preocupam muito o treinador do Papão da Curuzu.
A outra dor de cabeça é o técnico do Brasiliense. “Meu amigo Mauro Fernandes é muito atencioso com o adversário. Tivemos muitos duelos em Goiás e no Nordeste”, lembra.
Além dos vídeos, Hélio dos Anjos mostrará aos jogadores fotos do posicionamento tático do Brasiliense. “Captamos as imagens. Temos um profissional só para isso. Ele prepara tudo, me passa, editamos e apresentamos. Trabalhamos em cima de dois amistosos do Brasiliense, um contra o Vila Nova e outro com o Goianésia. Assistimos pela internet aos jogos contra Sobradinho e Taguatinga. A agente divide em tópicos e mostra vídeos, fotos e trabalha muito a parte emocional. O Brasiliense é um adversário de respeito, com jogadores rodados. Camisa não ganha jogo”, pondera.
O Paysandu tem traumas. Em 2020, quer deixar de ser o time do “quase”. No ano passado, ficou a poucos minutos de subir para a Série B. Foi prejudicado pela arbitragem contra o Náutico no mata-mata. Perdeu a decisão da Copa Verde em casa, no Mangueirão, para o Cuiabá. Estava com as mãos na taça quando sofreu gol de empate nos acréscimos. A final avançou aos pênaltis e o time deixou a conquista escapar.
“Captamos as imagens. Temos um profissional só para isso. Ele prepara tudo, me passa, editamos e apresentamos. Trabalhamos em cima de dois amistosos do Brasiliense, um contra o Vila Nova e outro com o Goianésia. Assistimos pela internet aos jogos contra Sobradinho e Taguatinga. A agente divide em tópicos e mostra vídeos, fotos e trabalha muito a parte emocional. O Brasiliense é um adversário de respeito, com jogadores rodados. Camisa não ganha jogo”
“Nós conseguimos manter a base de 2019, mas estamos no início de um trabalho. É o quarto jogo da temporada. Nós planejamos nesta semana diminuir o ritmo do trabalho. Temos dois jogos decisivos, esses contra o Brasiliense e o clássico de domingo (contra o Remo). Mas nós vamos chegar fortes nas duas partidas”, promete.
Na tarde de quarta-feira, Hélio dos Anjos mandou membros da comissão técnica do Paysandu a Luziânia para avaliar o gramado do estádio Serra do Lago. “O meu estafe foi até lá. As informações que eu tenho são boas. Conheço bem lá. Enfrentei o Luziânia na Copa do Brasil de 2013 e passamos sufoco. Empate por 0 x 0. Decidimos a classificação nos pênaltis (3 x 2) no jogo de volta, no Castelão. Vamos às 10h30 para Luziânia e ficaremos em um hotel de Luziânia a hora da partida”.
“Uma pena que daquela época (no Gama, em 2002) até agora o futebol daqui não tenha progredido. Exceto o Gama, o povo da cidade não tem identidade com os clubes, não tem renda. A dificuldade aqui é muito grande. Aparecem investidores, mas não há marcas. Para você ter uma ideia, o Paysandu teve 40 mil torcedores em três jogos no ano. Isso ajuda o clube, por exemplo, a vender camisa”
Treinadores costumam evitar elogios individuais. Hélio dos Anjos quebra o protocolo e cita o nome do trunfo dele contra o Brasiliense. “Nicolas tem tido um comportamento muito bom depois que o troquei de posição por merecimento. Ele é comprometido com a parte tática, forte fisicamente, tem sido homogêneo desde o ano passado. A gente deve até perdê-lo ao longo da temporada”. O atacante gaúcho de 31 anos revelado pelo Juventude passou pelo futebol austríaco e jogou no Gama, arquirrival do Brasiliense.
Hélio dos Anjos tem uma curta história no futebol candango. Assumiu o Gama na Série A do Campeonato Brasileiro de 2002 e deixou o cargo durante a competição para assumir coincidentemente o Paysandu. “Estava preocupado com os acontecimentos dentro do clube. Estava muito desorganizado. Aquelas coisas me indignaram. A estrutura do clube era muito difícil. Eu esperava que fosse melhorar. Uma pena. A comunidade adota o clube. O Gama é o time mais popular do DF, tem torcida, identidade com o clube. Mas deixei grandes amigos lá, como o Edvan Aires (supervisor à época). Na época, Giba herdou a prancheta de um elenco rachado após a saída de Hélio dos Anjos. Jogadores como o xerife Gerson e o atacante Anderson eram desafetos do treinador.
“Eu havia deixado a seleção da Arábia Saudita, vivia grande fase, e fui sondado pelo Brasiliense (em 2008) na volta ao Brasil. Mas, na época, acabei acertando com o Goiás”
De volta ao Distrito Federal, o ex-goleiro reserva do Flamengo nos anos 1980 lamenta a má fase dos clubes da capital. A última participação de um time da cidade na elite do Brasileirão faz 15 anos. A capital não disputa sequer a Série C desde 2013. “Uma pena que daquela época até agora o futebol daqui não tenha progredido. Exceto o Gama, o povo da cidade não tem identidade com os clubes, não tem renda. A dificuldade aqui é muito grande. Aparecem investidores, mas não há marcas. Para você ter uma ideia, o Paysandu teve 40 mil torcedores em três jogos no ano. Isso ajuda o clube, por exemplo, a vender camisa”, compara.
Hélio dos Anjos conta que esteve próximo de voltar ao futebol candango em 2008. “Eu havia deixado a seleção da Arábia Saudita, vivia grande fase, e fui sondado pelo Brasiliense na volta ao Brasil. Mas, na época, acabei acertando com o Goiás”.
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