O tamanho do Mané Garrincha é um dos argumentos para a ausência na Copa América. Foto: Gilvan de Souza
Por telefone, converso com um influente dirigente sobre a ausência de Brasília, ou seja, do caríssimo Estádio Mané Garrincha, na lista das cidades-sede da Copa América. Rio (Maracanã), São Paulo (Morumbi e Allianz Parque), Belo Horizonte (Mineirão), Salvador (Arena Fonte Nova) e Porto Alegre (Arena do Grêmio) receberão a competição continental, de 14 de junho a 7 de julho de 2019.
Questiono por que o Mané Garrincha, estádio mais caro da Copa de 2014, com a segunda maior capacidade de público do país e nome certo até abril do ano passado, foi preterido pelo Comitê Organizador Local, pela CBF e, principalmente, pela Conmebol.
A resposta é curta e grossa: “Fazer o quê aí (em Brasília) depois dos jogos?”.
Segundo a fonte, as faltas de mar, de vida boêmia e o tamanho do estádio jogaram contra no momento de separar o “joio do trigo”, ou seja, na redução de sete para cinco cidades-sede. Originalmente, as indicadas eram: Rio, Belo Horizonte, São Paulo, Salvador, Brasília e Porto Alegre. Fortaleza e Recife disputavam a última vaga. No fim das contas, Brasília (Mané Garrincha), Fortaleza (Arena Castelão) e Recife (Arena Pernambuco) foram barrados no baile.
Segundo o dirigente, Brasília perdeu para a capital baiana: “Salvador tem praia e os argentinos amam Salvador. Pensaram em público, renda, distâncias curtas e atrações turísticas”.
O comportamento da torcida brasiliense nas partidas da Seleção nos Jogos Olímpicos do Rio-2016 também jogou contra a cidade. Cartolas da CBF ficaram magoados com as vaias e os gritos de “Marta” nos protestos contra o mau futebol de Neymar nas exibições contra o Iraque e a África do Sul, há dois anos, na fase de grupos. Curiosamente, a vaga para as quartas de final foi obtida com o apoio da torcida baiana, na Fonte Nova, na goleada por 4 x 0 sobre a Dinamarca. A arrancada para o ouro começou em Salvador. Como a ideia é fazer o time de Tite passar por todas as cidades, a “exigente” Brasília saiu do roteiro da Copa América.
A CBF e o Comitê Organizador teriam tentado usar a maior quantidade possível de cidades e estádios para justificar o investimento nas arenas construídas para o Mundial e movimentá-las. “Mas a Conmebol deixou bem claro que não poderia bancar (os custos) e que precisavam fazer uma Copa América enxuta. Na escolha das sedes, uniram o útil ao agradável. A arena de Brasília é muito grande (capacidade de público). Lotaria nos jogos do Brasil, claro, mas daria prejuízo nas outras partidas. Nessas condições de economia, levaram para Salvador em vez de Brasília. Até então, o Rio era a única sede com praia. Lá (em Salvador) tem futebol, praia, vida boêmia, uma cidade que pulsa e atrai turistas”, compara o dirigente.
Preterida mais uma vez, Brasília é a única das 10 capitais sul-americanas que jamais recebeu um jogo da Copa América. Na edição de 1989, o Mané Garrincha também ficou fora da competição. A CBF e a Conmebol escolheram o Serra Dourada, na vizinha Goiânia.
Dessa vez, argumentos não faltaram. Estádio de R$ 1,6 bilhão. Arena da Copa das Confederações, da Copa e dos Jogos do Rio-2016. Cidade central, a menos de duas horas de voo de quatro das cinco cidades-sede. Segundo aeroporto mais movimentado do Brasil. Setor hoteleiro vizinho do Mané Garrincha, sem necessidade de transporte. Nada disso convenceu a Conmebol. Ao que tudo indica, faltou praia, vida boêmia. O argumento mais forte é que ergueram um Elefante Branco grande demais para o tamanho da Copa América.
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