Saiba por que o caminho do Flamengo até a final do Mundial de Clubes é mais difícil que a do Real Madrid

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Definido na manhã desta sexta-feira em sorteio realizado na Academia de Futebol Mohamed VI, o caminho do Flamengo até a sonhada final do Mundial de Clubes da Fifa é mais difícil do que o do Real Madrid. Atual campeão da Libertadores, o time rubro-negro terá pela frente Wydad Casablanca ou Al-Hilal nas semifinais, em 7 de fevereiro. Vamos aos motivos da minha avaliação (respeito a sua, combinado?).

O Wydad Casablanca é o atual campeão da Champions League Africana. Conquistou o título ao derrotar o Al-Ahly do Egito por 2 x 0, em Casablanca, em maio do ano passado. Se o clube local avançar, o Flamengo terá de lidar com a pressão da fanática torcida anfritriã. Quem esteve na Copa do Mundo do Qatar-2022 sabe como Croácia, Bélgica, Espanha, Portugal e França sofreram nas fases de grupos e de mata-mata. Experiência própria: fiz uma matéria em que medi os decibéis dos fanáticos contra a Espanha nas oitavas de final, no Estádio da Educação. Cobri três jogos de Marrocos.

Em 2013, o Atlético-MG sentiu o peso da torcida local nas semifinais. O Galo duelou com outra referência do Marrocos, o Raja Casablanca. Perdeu por 3 x 1, em Marrakesh, e deu adeus ao sonho de enfrentar o Bayern de Munique na finalíssima da primeira edição disputada no país africano. A partida foi disputada à época diante de 37.774 pagantes no Stade de Marrakesh. ‘

É inegável a empolgação depois do quarto lugar de Marrocos na Copa do Mundo. Campeão continental em 1992, 2017 e 2022, o time é comandado pelo técnico tunisiano Mehdi Nafti, de 44 anos. O ex-volante passou por clubes como Toulouse, Birmingham e Valladolid. O clube tinha dois jogadores entre os 26 convocados para a Copa: o goleiro reserva Ahmed Reda Tagnaouti e o lateral-esquerdo suplente Yahia Attiyat Allah. Ele era o estepe do badalado Noussair Mazraoui.

Mehdi Nafti assumiu o Wydad Casablanca no início deste ano e vem tateando o elenco para definir o melhor sistema de jogo. Adotou o 4-3-3 na derrota para o Mohammedia e depois configurou a equipe no 4-1-4-1 na vitória diante do Moghreb Tetouan.  O elenco tem apenas quatro estrangeiros: o argelino Benayada, o senegalês Sambou, líbio Ellafi e o congolês Zola. Em 2017, o clube terminou o Mundial em sexto lugar. Perdeu para o Pachuca na primeira fase e depois foi superado pelo Urawa Red Diamonds na decisão do quinto lugar.

O outro possível adversário do Flamengo nas semifinais é o Al-Hilal. Como a Ásia ainda não conhece o campeão de 2022, o clube da Arábia Saudita representará o continente como vencedor de 2021. Chama atenção o poder aquisitivo do time de Riade. Os proprietários preparam oferta para levar Lionel Messi para rivalizar com Cristiano Ronaldo, do Al-Nassr.

A equipe comandada pelo técnico argentino Ramón Diaz emprega o volante mineiro Matheus Pereira e o atacante Michael, ex-Flamengo. Há outro conhecido da torcida rubro-negra: o volante Cuéllar. O elenco tem ainda Moussa Marega (Mali), ex-Porto, e o peruano André Carrillo.

Ramón Díaz conhece bem o futebol sul-americano. Levou o River Plate aos títulos da Libertadores em 1996 e da extinta Supercopa em 1997. Comandou a seleção do Paraguai e teve contratação conturbada pelo Botafogo. Ele nem estreou pelo Botafogo, em 2020, e foi demitido. O treinador acaba de levar o Al-Hilal ao título nacional e tem três planos de jogo bem definidos. Escala o time no 4-3-3, 4-4-2 ou no 4-1-4-1. A referência do ataque é o nigeriano Odion Ighalo.

Do outro lado da chave, o Real Madrid tem três possibilidades de adversário. Um deles é o estreante Seattle Sounders. O campeão da Concachampions é o primeiro representante dos Estados Unidos na história da competição. Há possibilidade de enfrentar o atual vice-campeão africano Al Ahly. O time egípcio perdeu a final continental para o Wydad Casablanca, mas é lembrado por ter sido carrasco do Palmeiras na decisão do terceiro lugar do Mundial em 2020. A terceira possibilidade é praticamente descartada. O Auckland City é mero participante.

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Marcos Paulo Lima

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