Papo com Endrick: “Ir para a Copa do Mundo depende de mim, não do Lyon”

Compartilhe
O brasiliense de 19 anos pode estrear neste fim de semana pelo Lyon. Fotos: Divulgação/Lyon

O fim de semana pode ser especial na curta carreira de Endrick Felipe Moreira de Sousa. Aos 19 anos, o atacante brasiliense revelado pelo Palmeiras, emprestado pelo Real Madrid ao Lyon, pode estrear com a camisa do tradicional clube hepta do Campeonato Francês (2002, 2003, 2004, 2005, 2006, 2007 e 2008), penta da Copa da França (1964, 1967, 1973, 2008 e 2012) e semifinalista da Champions League em 2010 e em 2020.

O Lyon visitará o Lille neste fim de semana pela fase de 16 avos da Copa da França. Endrick está disponível ao técnico português Paulo Fonseca desde a virada do ano, quando a janela de inverno do mercado europeu foi oficialmente aberta. No sábado passado (3/1), ele viu a vitória do novo time por 3 x 1 contra o Monaco pela Ligue 1.

Em entrevista ao blog, Endrick fala sobre as influências de Xabi Alonso e de Carlo Ancelotti pela escolha de trocar o Real Madrid pelo Lyon por seis meses. Mais do que jogar e acumular minutos em campo com a camisa 9 do time francês, ele tenta a última cartada para disputar a Copa do Mundo pela primeira vez a partir de 11 de junho. Ele responde que a lesão no clube merengue diminuiu chances no Real e o afastou das convocações da Seleção.

A missão possível de ir à Copa do Mundo ganhou até hit no Lyon. A canção Endrick is back | Olympique lyonnais, disponível no Apple Music, no Spotify e no YouTube, fala sobre os desafios do craque no Lyon para seduzir Carlo Ancelotti a levá-lo ao torneio na América do Norte no meio deste ano. A letra foca na chegada dele ao Real Madrid, da esperança de um futuro brilhante reconhecendo o talento do jogador e adaptada ao momento dele no empréstimo ao time francês (assista ao clipe no fim da entrevista).

Atento à história dos centroavantes brasileiros no Lyon, Endrick fala sobre três referências: Fred, Élber e Sonny Anderson. Na opinião dele, o estilo de jogo é mais parecido com o dos dois últimos. Fred é o modelo a ser seguido devido à trajetória relâmpago: há 20 anos, ele disputava a primeira temporada no Lyon e foi levado por Parreira para a Copa de 2006.

Endrick fala que o Lyon é o segundo passo de muito na Europa para o sucesso, diz que a adaptação ao Real Madrid foi o primeiro degrau, e afirma que a vaga na Copa do Mundo não depende do Real Madrid ou do Lyon, mas exclusivamente dele. Apaixonado por videogame, ele conta que ainda não deu tempo de manipular o time de Paulo Fonseca no joystick, mas espera brincar em breve e escolhe o jogador preferido: “Vai ter que ser eu, “num é”!?

O jovem Fred jogava no Lyon em 2006 quando foi convocado pelo técnico Carlos Alberto Parreira para a Copa do Mundo de 2006. Fez até gol contra a Austrália na segunda partida. Até que ponto ele é uma inspiração para você? Espera repetir a história dele e ser chamado pelo Carlo Ancelotti para a Copa de 2026?

Muitos brasileiros foram ídolos aqui. De todas as posições. Falei com Bruno (Guimarães) e (Lucas) Paquetá antes de vir (para o Lyon). Vou trabalhar para fazer sucesso também.

O Lyon tem tradição de mandar jogadores para a Copa do Mundo: Cris, Edmílson, Juninho Pernambucano… Você pensou nisso ao escolher o clube?

Pensei na adaptação e no sucesso dos brasileiros aqui. Ir para a Copa do Mundo depende de mim, não do clube.

Endrick recebeu a camisa 9 do Lyon, heptacampeão do Campeonato Francês

Há uma relação história do Lyon com centroavantes brasileiros. Antes de você, passaram por aí Sonny Anderson, Élber e Fred, todos com passagem pela Seleção. Você nasceu em 2000. Tem referências de algum deles? Com qual se identifica?

O Fred eu vi jogando muitas vezes no final da carreira, quando eu já jogava na base do Palmeiras, e também muita coisa dos títulos dele no Fluminense. “Matador”.  Mas já li e vi muita coisa sobre o Élber e o Sonny no Lyon. Eles já tinham um estilo diferente, que tem mais a ver comigo, de arrancada também, com mais movimentação.

Os conselhos dele (Carlo) Ancelotti) e do Xabi (Alonso) foram muito importantes, e por isso busquei o empréstimo

Você vai jogar com o Abner Vinícius, um dos jogadores convocados pela Seleção neste ciclo. Até que ponto ele pode ajudá-lo na adaptação ao Campeonato Francês?

Ele já me ajudou desde o primeiro dia com tudo, do clube, da cidade, do campeonato. É muito bom tê-lo aqui.

Assim como você, o Neymar trocou LaLiga pela Ligue 1. A passagem dele pelo PSG tem lições sobre o jogo de contato, muita força física do Campeonato Francês?

Eu já tive que suportar um jogo mais duro no Brasil. Por ser muito jovem, muitos adversários tentavam me intimidar sendo mais “duro” comigo. Aqui (na França), é todo jogo contra qualquer um. Dá para notar assistindo aos jogos. Mas não é um campeonato de força só. Tem muita qualidade. É só olhar para a seleção da França (campeã da Copa em 2018 e vice em 2022). Muita força, e muito mais qualidade. É tudo.

Fred eu vi jogando… ‘Matador’. Mas o Élber e o Sonny tinham um estilo que tem mais a ver comigo, de arrancada e movimentação

Você jogou videogame alguma vez controlando o Lyon? Como foi? Quem era o seu jogador predileto?

Não tem sobrado muito tempo para jogar, mas logo vou jogar bastante com os colegas. O preferido vai ter que ser eu, “num é”!?

A França tem um significado especial para você: a conquista do Torneio de Montaigu em 2022 contra a Argentina. O que mudou daquele Endrick para o Endrick que desembarca no Lyon festejado por Karim Benzema?

Sim! Meu primeiro título com a camisa do Brasil. Vai ser para sempre o primeiro. Naquela época, a gente estava saindo da pandemia, voltando a viajar. Deu para ver o que o Brasil representa para o resto do mundo. Agora, o que era sonho, passou a ser responsabilidade.

Dá para montar três, quatro ataques para a Copa. Mas a gente só tem uma Seleção

Até que ponto a sugestão do Carlo Ancelotti para você jogar, ter mais minutos, pesou na decisão de aceitar o empréstimo ao Lyon? É a cartada final do menino de Brasília por uma vaga entre os 26 escolhidos pelo técnico italiano?

Os conselhos dele e do Xabi (Alonso) foram muito importantes, e por isso busquei o empréstimo e pedi a liberação do Real (Madrid). Para minha sequência na Europa, é importante, e o segundo passo de muitos. O primeiro foi me adaptar no Real.

A assinatura do contrato com o time francês: seis meses de empréstimo.

Depois de brilhar com o técnico Abel Ferreira no Palmeiras você vai trabalhar com outro treinador lusitano no Lyon, o Paulo Fonseca. Conversou com ele antes do acerto? O que sabe sobre o novo treinador?

Sim. Falei com Paulo e a comissão técnica. Os portugueses são muito exigentes e detalhistas. Eles estudam muito. Tudo dos jogadores. Do time deles e do adversário. Não param de trabalhar. Isso ajuda muito a gente a chegar aos jogos sabendo o que fazer sempre.

Os (técnicos) portugueses são muito exigentes e detalhistas… Isso ajuda muito a gente a chegar aos jogos sabendo o que fazer

Você tem três gols importantes com a camisa da Seleção. Um contra a Inglaterra, outro diante da Espanha e um com o México. Por que esses gols não o ajudaram a se firmar como titular e dono da camisa 9? Por que você merece ir à Copa de 2026? Quem considera os principais concorrentes?

A Seleção Brasileira é a maior do mundo. No ataque então, são sempre muitos jogadores para poucas vagas. A minha leão me deixou meses sem jogar. Sei que preciso voltar a ter sequência para ser convocado outra vez e vou trabalhar para isso. Todos que foram convocados por (Carlo) Ancelotti mostraram que têm nível para a Seleção, e por isso foram chamados. Dá para montar três, quatro ataques para a Copa. Mas a gente só tem uma Seleção.

X: @marcospaulolima

Instagram: @marcospaulolima.jor

Marcos Paulo Lima

Publicado por
Marcos Paulo Lima
Tags: Copa do Mundo 2026 Endrick Entrevista Lyon mercado da bola Real Madrid Seleção Brasileira

Posts recentes

  • Esporte

O impacto de Arrascaeta no Flamengo e nos mercados de Cruzeiro e Palmeiras

O sucesso do Flamengo em 2025 tem nome e sobrenome: Giorgian De Arrascaeta. O uruguaio…

17 horas atrás
  • Esporte

Com Gerson no Cruzeiro, Flamengo vê maior diáspora dos ídolos de 2019

O iminente anúncio oficial da contratação do meia Gerson pelo Cruzeiro faz com que o…

1 dia atrás
  • Esporte

Brasil tem rodízio de protagonistas na Europa a 155 dias da estreia na Copa

O Brasil vê um rodízio de protagonistas a 155 dias da estreia na Copa do…

2 dias atrás
  • Esporte

Igor Thiago vira o maior artilheiro brasileiro em uma edição do Inglês

Autor de dois gols nesta quarta-feira na vitória do Brentford por 3 x 0 contra…

2 dias atrás
  • Esporte

Julio Casares e a era dos impeachments nos times do futebol brasileiro

A jovem democracia brasileira ensina o futebol a punir gestões irresponsáveis. O São Paulo Futebol…

3 dias atrás
  • Esporte

Flamengo: cadê o camisa 9 formado na base? O vício de comprar pronto

  Craque o Flamengo faz em casa, mas ultimamente não consegue formar, potencializar — e…

4 dias atrás