Em tempo de Carnaval, o falso 9 parece fora de moda nas comissões de frente do futebol brasileiro

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Em outros carnavais, o falso 9 era uma inovação nas comissões de frente das principais agremiações do futebol brasileiro. Deixou de ser uma obsessão. Os desfiles da temporada de 2016 começaram com os principais clubes do país apostando em um personagem da velha-guarda: o centroavante de ofício. O verdadeiro 9 do Flamengo é Paolo Guerrero. O matador do Fluminense é Fred. Alan Kardec assumiu a missão de ser o novo goleador do São Paulo, mas vê o também centroavante argentino Calleri, que tem contrato por seis meses, roubar a cena. Ricardo Oliveira é intocável no comando do ataque do Santos. Riascos desandou a balançar a rede com a camisa do Vasco. O Atlético-MG vê times do exterior de olho grande em Lucas Pratto, mas tenta segurar o argentino como pode. No Palmeiras, o time do técnico Marcelo Oliveira orbita em torno de Lucas Barrios.

Quem não tem um camisa 9 à moda antiga corre atrás no mercado ou parte para o improviso temporário. O Corinthians perdeu Vágner Love, mas prepara André para assumir o papel de finalizador. Ah, e o Luciano volta já. Enquanto isso, Tite improvisa o falso 9 Danilo como pivô. Não chega a ser novidade. Danilo já atuou assim. Carente de um centroavante desde a saída de Loco Abreu, o Botafogo sonha com Rafael Moura, o He-Man. O Grêmio tem Luan, Everton e Bobô, mas deu um chapeú no Internacional e contratou o brasiliense Henrique, destaque do Coritiba no Brasileirão passado. Nenhum deles chega a ser um Barcos. O Inter sonhou com Leandro Damião e com Henrique e ficou sem ninguém. Vitinho e Eduardo Sasha se revezam no setor.

Centroavante dos bons — aquele gol perdido com a camisa do Flamengo no clássico contra o Vasco não resume a carreira dele —, Deivid é um dos poucos técnicos que parece insistir na escalação de um falso 9. Mais por necessidade do que convicção. Neste início de temporada, o ataque já teve Alisson, Willian, Douglas Coutinho e Rafael Silva na comissão de frente.

A opção dos clubes brasileiros pelo verdadeiro 9 tem muito a ver com o time da moda. O Barcelona de Pep Guardiola tinha Lionel Messi como falso 9. A moda se alastrou pelo mundo da bola. O Barcelona de Luis Enrique é diferente. O ataque contra com três matadores, mas um deles, o uruguaio Luis Suárez, é um centroavante. No Real Madrid, Zinedine Zidane não abre mão de Benzema. Ibrahimovic é intocável no Paris Saint-Germain de Laurent Blanc. Na Itália, o argentino Higuaín faz um gol atrás do outro como autêntico 9 do Napoli. Até mesmo Pep Guardiola tem um centroavante intocável em seu sistema tático: Lewandowski.

Eu poderia citar ainda o sucesso de Vardy, artilheiro do Leicester; de Aubameyang, homem-gol do Borussia Dortmund; ou de Jonas, artilheiro do Benfica na temporada, mas acho que nós podemos parar por aqui. O falso 9 pode até dar mais mobilidade a um time, mas os treinadores brasileiros parecem ter descoberto que não é todo mundo que tem um Lionel Messi ou um Cristiano Ronaldo capaz de ser improvisado sem nenhum problema como centroavante. O Flamengo, por exemplo, entendeu que Kayke é incapaz de ser esse cara. Quando não tiver Guerrero vai ser difícil. Tite também sabe que Danilo não vai dar conta da função o ano inteiro, mas vai ter André e Luciano. Cruzeiro, Grêmio, Botafogo e Inter se viram como podem sem um 9, mas estão no mercado.

Na época do falso 9, cada técnico olhava para o elenco à caça de um Lionel Messi. Com o autêntico 9 na moda, procura-se um Luis Suárez. O tempo passa, o tempo voa, e a comissão de frente do Barcelona continua ditando  moda dos desfiles…

Marcos Paulo Lima

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Marcos Paulo Lima

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