Henrique Dourado e Guerrero: eles podem jogar juntos? Foto: Gilvan de Souza/Flamengo
A suspensão de Paolo Guerrero por seis meses obrigou o Flamengo a encontrar soluções, a se reinventar. O fim do castigo do centroavante peruano nesta quinta-feira desafia a comissão técnica — leia-se o interino Mauricio Barbieri — a tomar decisões firmes, sem medo de cara feia, bico, mimimi, piti ou ataque de estrelismo, se quiser recolocar o peruano no time.
Lucas Paquetá começou a ganhar espaço no time justamente numa suspensão de Guerrero. O camisa 9 havia recebido o terceiro cartão amarelo na semifinal da Copa do Brasil contra o Botafogo e ficou fora do primeiro confronto da decisão do torneio. Falso 9, Paquetá cumpriu a missão e fez o gol rubro-negro no empate por 1 x 1 com o Cruzeiro, no Maracanã.
O prata da casa também foi fundamental na campanha que levou o time ao vice na Copa Sul-Americana. Versátil, fez parte da reinvenção do time — sem Guerrero — sob a batuta de Reinaldo Rueda. Enquanto os medalhões negavam fogo, Paquetá e Felipe Vizeu desabrochavam. Sem Guerrero, o menino do Ninho foi decisivo nos dois duelos das semifinais contra o Junior Barranquilla. A ponto de ser vendido para a Udinese, da Itália.
Sem Guerrero, Felipe Vizeu virou solução financeira. É passado, mas aproveitou a chance e reforçou o caixa de quem o revelou. Sem Guerrero, Paquetá cresceu, encontrou espaço, arrumou o time taticamente atuando em várias posições. Com o retorno de Guerrero, é impensável sacá-lo do time para favorecer o camisa 9.
Vinicius Junior também ganhou espaço com a suspensão de Guerrero e, principalmente, com a venda de Everton para o São Paulo. A titularidade aumentou a responsabilidade, a obrigação de justificar o investimento feito nele pelo Real Madrid. Sacar o menino do time por um cantinho para Guerrero pode ser solução ou um problemão. Ele aceitará deixar de ser um dos 11 para voltar ao papel de 12° jogador a essa altura da temporada?
Não será fácil também convencer Henrique Dourado, artilheiro do Flamengo no ano com oito gols e jogos oficiais e um em amistoso, a assumir, de uma hora para outra, o papel de estepe do Guerrero. Dourado é limitado, mas foi contratado para fazer gols — e tem feito. E diga-se de passagem, não apenas em cobranças de pênaltis. Apesar de algumas finalizações bizarras e dificuldade no papel de pivô, tem sido muito oportunista.
Diego é figura intocável. Éverton Ribeiro e Vinicius Junior, nem tanto. Talvez, a reinserção de Guerrero no time titular passe pela saída de um deles e a transformação tática da equipe do 4-1-4-1 para o 4-4-2, com Cuéllar, Paquetá, Diego e Éverton Ribeiro (Vinicius Junior) no meio de campo; e Guerrero e Dourado na frente.
Campo das possibilidades: Flamengo ao estilo Juventus, vice da Champions 2016/2017
Ou, quem sabe, em um 4-2-3-1 como o daquela Juventus vice da Champions League na temporada passada. Lembram? Massimiliamo Allegri arrumou lugar para dois bons centroavantes no time, mas exigiu sacrifício de um deles. Mandzukic passou a compor a linha de três meias ao lado de Dybala e de Daniel Alves. Higuaín era a referência na área. Em tese, Guerrero poderia fazer a função de Mandzukic e jogar fora da área, deixando Dourado na frente.
Atuar ao lado de outro centroavante não seria novidade na carreira de Guerrero. O Peru jogou durante um bom tempo com dois centroavantes: Guerrero e Pizarro. Ambos também formaram dupla de ataque no Bayern de Munique, da Alemanha, em 19 de março de 2006, na 26ª rodada do Campeonato Alemão. O time bávaro goleou o Schalke 04 por 3 x 0 na Bundesliga.
No momento em que o Flamengo mais precisava de Guerrero, ou seja, na reta final do Brasileirão e na decisão da Sul-Americana, o peruano obrigou o time a se reinventar às pressas. No momento em que, em tese, o time menos precisa do gringo e parece estar entrado nos trilhos, será obrigado a arrumar lugar na janelinha para um badalado passageiro com o bonde andando. Pelo menos até que ele embarque para a Copa da Rússia.
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