Dos maus ao bom exemplo das torcidas em três episódios do futebol brasileiro

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Em dois dias, o futebol deu dois maus exemplos e um bom no que diz respeito ao engajamento da torcida em três episódios diferentes. Na noite de domingo, uma facção das organizadas do Corinthians foi até o aeroporto agredir os jogadores do Corinthians. Em nome da Lei do Mandante, clubes lembraram-se que torcida existe tentaram usar o povão para aumentar a pressão pelo apoio à polêmica Medida Provisória 984 em um tuitaço nesta segunda-feira. O protesto bem-vindo partiu da massa do Galo, que mostrou força ao vetar a contratação do meia Thiago Neves pelo Atlético-MG.

Vamos por partes…

Agredir jogador no centro de treinamento, gramado, vestiário aeroporto ou em qualquer lugar é crime. Atitude totalmente reprovável. Mas não duvido de nada no futebol. Os tais “torcedores” fora até o aeroporto de livre e espontânea vontade ou motivados por alguém, talvez, da própria diretoria? Em alguns clubes, a relação entre chefes de torcida e a cúpula dos times é mais próxima do que imaginamos. Acredite: há, sim, quem creia na truculência, na violência da torcida, como instrumento de intimidação para enquadrar elenco e forçá-lo a dar resposta em campo. Para esse tipo de gente, “torcedor” serve para isso. Se o Corinthians vencer o Bahia nesta quarta-feira, na Neo Química Arena, o mentor da ideia dirá que o chega pra lá nos torcedores funcionou.

Do mau exemplo do Corinthians ao argumento traiçoeiro dos clubes interessados no trâmite da Lei do Mandante. Os articuladores do tuitaço pediram apoio de suas torcidas em nome da democratização da transmissão das partidas. Há sempre ingênuos de plantão prontos para embarcar no movimento e, algumas vezes, serem enganados. O mau exemplo neste caso, além dos cartolas oportunistas, vem de torcedores que caem na armadilha da manipulação por interesses mais benéficos ao clube do que a ele.

Uma lembrança a quem tem memória curta: em um primeiro momento, a veiculação das partidas do Flamengo na TV FLA na reta final do Carioca deste ano pareceu uma grande sacada em benefício dos rubro-negros até a punhalada pelas costas no episódio da desastrosa comercialização da semifinal da Taça Rio contra o Volta Redonda via streaming, obrigando o torcedor a pagar para ver o clube do coração em campo. Mas o discurso não era de democratização? A torcida é consultada na definição do preço dos ingressos? Ela é atendida quando protesta contra alguns preços abusivos, elitistas e na maioria das vezes antipopulares?

Dos maus exemplos ao bom. Muito interessante o movimento da torcida do Atlético-MG contra a contratação do meia Thiago Neves a pedido de Jorge Sampaoli. O jogador colhe o que plantou. No ano passado, ele usou uma das maiores tragédias na história do país para fazer piadinha não somente para atingir o Galo, mas contra as famílias que sofreram perdas em Brumadinho.

Irresponsável, Thiago Neves brincou com isso nas redes sociais. Escreveu à época: “Barragem que já caiu uma vez assusta moradores de Vespasiano e região”, escreveu o jogador, em referência ao rebaixamento do Atlético em 2005 e ao centro de treinamento do Galo, localizado em Vespasiano. O Galo respondeu: “Aqui não brincamos com tragédias”. Pressionado, o jogador deletou a publicação postada no Stories, mas era tarde demais.

Neste caso, a massa atleticana tem suas razões para cobrar da diretoria e de Thiago Neves o mínimo de respeito. Não é possível que somente o presidente Sette Câmara, o diretor Alexandre Mattos e o técnico Jorge Sampaoli imaginavam que a repercussão da contratação seria positiva.

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Marcos Paulo Lima

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