Do Bezerrão ao Mané Garrincha: os quatro gols da carreira do aposentado Fred no Distrito Federal

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Se chorou ou se sorriu, o importante é que emoções Fred Chaves Guedes viveu em dois gramados do Distrito Federal. Aos 38 anos, o centroavante se despediu do futebol na noite deste sábado na vitória por 2 x 1 contra o Ceará, no Maracanã. Faltou um gol para os 200 com camisa tricolor, mas o centroavante deixou lembranças nos estádios Bezerrão e no novo Mané Garrincha. Das 417 bolas na rede na carreira, quatro foram na capital do país.

Em 2003, Fred disputava a Série B do Campeonato Brasileiro quando fez o primeiro gol em solo candango. Vestia a camisa do América-MG antes da transferência para o Cruzeiro. Era 26 de julho, uma tarde de sábado. Anderson Barbosa garantiu o empate, no Bezerrão.

Onze anos depois, Fred viria ao novo Mané Garrincha com a camisa da Seleção Brasileira para a terceira rodada da fase de grupos da Copa do Mundo. Pressionado por não ter marcado contra a Croácia e o México, desencantou na goleada por 4 x 1 contra Camarões no segundo dos dois dele em mundiais. O outro havia sido contra a Austrália, em 2006, na edição disputada na Alemanha.

Fred voltou a balançar a rede em Brasília duas vezes. Três meses depois da Copa de 2014, abriu o placar para o tricolor carioca contra o Bahia, mas o adversário estragou o dia do artilheiro e empatou a partida. Um ano depois, Fred não conseguiu deter o Galo doido de Levir Culpi. O Atletico-MG impôs 4 x 1 no Fluminense, no Mané Garrincha, pelo Brasileirão de 2015. O camisa 9 marcou o gol de honra do time carioca na arena candanga.

“A gente valoriza muito as vitórias, o sucesso, os gols, títulos. Mas, no Fluminense, o que mais me marcou foram os momentos em que eles me ajudaram, quando eu queria desistir. Nos momentos de medo, de fraqueza. Quero agradecer do fundo do meu coração a todos os tricolores. Vou me aposentar com essa camisa, mas ela estará sempre tatuada no meu peito”, discursou Fred depois da última exibição como jogador profissional.

Depois de se esforçar para agir com a razão, Fred cedeu a emoção. “Prometi que não iria chorar, porque já chorei demais no último sábado (vitória contra o Corinthians com gol do ídolo). Tenho que conseguir expressar um pouco da gratidão que eu tenho pelo que esse clube fez por mim, que essa torcida fez por mim. Tenho certeza de que é o clube mais humano que eu já conheci em toda a minha vida”, derreteu-se o astro.

Em vez dos títulos e dos gols, Fred destacou seu maior legado depois da belíssima festa no Maracanã. “O que é mais bacana é quando saio na rua. Gente de 8 a 80 anos. Eu vejo crianças, pais, idosos com carinho louco por mim. Não esperava isso tudo, de verdade. Acho que não sou merecedor disso tudo, porque se a gente for analisar o que eles fizeram por mim é impagável, é uma dívida eterna. Brincam que o Fred é eterno, mas a minha dívida com eles é eterna. Só quero agradecer a todo mundo que trabalhou comigo, funcionários, jogadores, técnicos, aos adversários, os clubes”, despediu-se Don Fredón.

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Marcos Paulo Lima

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