FBL-WC-2026-MATCH104-ESP-ARG-FINAL-TROPHY Rodri autentica o segundo título da Espanha na Copa do Mundo: 2010 e 2026. Foto: Franck Fife/AFP Rodri autentica o segundo título da Espanha na Copa do Mundo: 2010 e 2026. Foto: Franck Fife/AFP

“Defesas ganham Copas”: Espanha prova a tese de Carlo Ancelotti

Publicado em Esporte

Nova Jersey — Antes do início do Mundial, o técnico Carlo Ancelotti afirmou: “Defesas ganham Copas”. Era um indicativo de que o Brasil apostaria em uma retaguarda sólida na tentativa de ganhar o hexa na base da retranca. A Seleção deixou o torneio nas oitavas de final com quatro gols sofridos. Dois contra a Noruega na derrota por 2 x 1 na qual o time verde-amarelo teve 34% de posse da bola. Parte da tese do italiano está comprovada pela Espanha.

 

La Roja conquista a Copa do Mundo pela segunda vez em 16 anos ao derrotar a Argentina por 1 x 0, gols de Ferran Torres aos 106 minutos da prorrogação no MetLife Stadium, estabelecendo recorde. É a primeira vez que uma seleção ergue o caneco tendo sofrido apenas um gol durante toda a campanha.

 

Ao contrário do Brasil — e da própria Argentina na final de ontem —, a Espanha tem um diferencial. Não é covarde. Tem a obsessão pela bola como diferencial. Amou tê-la do início ao fim da Copa do Mundo nos Estados Unidos, no Canadá e no México. Encerrou a partida contra a Argentina com 69% contra 31% dos ex-detentores do troféu.

 

Há quem não goste do estilo da Espanha. Eu aprovo. Ao reter a bola, o time de Luis de la Fuente isolou Lionel Messi do jogo. O jogador eleito oito vezes melhor do mundo não viu a cor dela usando a linguagem dos boleiros. O camisa 10 finalizou apenas uma vez em mais de 120 minutos de jogo. Errou a mira. Chutou para fora quando a partida estava 1 x 0.

 

Controlar a bola também minou a França. Mbappé, Olise, Barcola, Doue, Dembélé e companhia mantiveram o adversário longe da área na semifinal disputada em Dallas. A Espanha eliminou o melhor ataque da Copa. A França fez 20 gols ao lado da Inglaterra. A Argentina marcou 19. No estilo o melhor ataque é a defesa, a Espanha balançou a rede 14 vezes em uma campanha parecida com a do primeiro título na África do Sul, em 2010.

 

A Espanha faz valer a tese de Carlo Ancelotti. Sim a melhor defesa, formada por Unai Simón, Pedro Porro, Cubarsí, Laporte e Cucurella ganhou a Copa, mas deixa um recado ao italiano recém-chegado ao futebol de seleções. É preciso ter a bola. Gostar dela. Assim o Brasil ganhou cinco títulos. Sem ela, acumulou a sexta edição sem título e desembarcará na edição centenária de 2030 amargando 28 anos de jejum. Que a Espanha, onde Carlo Ancelotti trabalhou tanto tempo colecionando títulos no Real Madrid, sirva de norte.

 

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