FBL-WC-2026-MATCH74-GER-PAR Joshua Kimmich sente o peso da eliminação precoce na Copa. Foto: Jewel Samad/AFP Joshua Kimmich sente o peso da eliminação precoce na Copa. Foto: Jewel Samad/AFP

Alemanha: maldição do 7 x 1 é discurso raso para explicar fracassos

Publicado em Esporte

A eliminação da Alemanha antes das oitavas de final pela terceira edição consecutiva garante o Brasil recordista de títulos no centenário da Copa do Mundo. Única pentacampeã, a Seleção pode ser alcançada em 2030. Ultrapassada, talvez em 2034!

 

As tetracampeãs vivem uma crise sem precedentes. A Itália não participa do torneio há três edições consecutivas: 2018, 2022 e 2026. A Alemanha também coleciona quatro troféus, porém amarga frustrações em série. A Argentina pode acessar o seleto grupo dos tetras nesta edição. Em 2030, no máximo igualaria o Brasil em quantidade de troféus.

 

Acho patético atribuir os insucessos em série da Alemanha a uma maldição do 7 x 1. Discurso raso, mítico, de quem ainda não se recuperou da maior vergonha do esporte. Há, sim, uma transição geracional difícil e os germânicos sempre tiveram de lidar com isso. Bons jogadores como Musiala e Sané ainda não aconteceram na seleção. Por enquanto, são jogadores de clube.

 

A Alemanha ganhou a Copa pela primeira vez em 1954 e só voltou a conquistá-la 20 anos depois, em 1974. O tri chegou em 1990. O tetra, 24 anos depois, em 2014, no Brasil. Neuer é o símbolo da entressafra. Goleiros não se firmam na posição alugada por ele desde 2006.

 

A Alemanha foi eliminada pela Coreia do Sul na fase de grupos de 2018. Pelo Japão em 2022. Agora, é vítima de um Paraguai valente como o de 2002. Naquela edição, a seleção guarani vendeu caro a derrota por 1 x 0 nas oitavas de final. Oliver Neuville classificou os europeus.

 

A sorte mudou de lado no reencontro. O Paraguai abriu o placar em um lindo contra-ataque e uma bela assistência de Galarza. A inversão de jogo inteligente da Alemanha no segundo tempo deixou Wirtz em condição de acionar Havertz no lance do empate. O gol de Tah poderia ter classificado a Alemanha, mas foi anulado e causou revolta.

 

“É um escândalo ele ter apitado aquilo”, disse Nagelsmann à ZDF quando questionado sobre o lance aos 102 minutos. “Não é só um escândalo, é um escândalo completo”, acrescentou o técnico da seleção. “Não faço ideia do que ele viu ali, é uma piada. Aquilo nem de longe foi falta”, contestou o técnico germânico depois da partida.

 

Nos pênaltis, a Alemanha poucas vezes foi tão incompetente nas cobranças. Havertz, Woltermade e Tah erraram. Sanabria e Balbuena também falharam pelo Paraguai, mas Mauricio, Gustavo Gómez, Galarza e Canale confirmara a classificação por 4 x 3.

 

A Alemanha foi comandada nas últimas Copas pelos melhores técnicos possíveis do país. Em 2018, Joachim Löw tentou o bicampeonato pessoal e amargou a eliminação precoce. Quatro anos depois, Hansi Flick, atualmente no Barcelona, não passou da primeira fase. Julian Nagelsman foi campeão da Bundesliga pelo Bayern de Munique e bi da Supercopa da Alemanha. Momentos difíceis chegam depois um grande ciclo como aquele de 2006 a 2014.

 

O Paraguai mudou da água para o vinho com a chega de Gustavo Alfaro ao cargo. Fã de Tite, o argentino profetizou que o brasileiro seria campeão em 2022 depois de arrancar empate para o Equador no duelo com o Brasil pelas Eliminatórias. “Siga lutando porque esta é sua e você vai terminar sendo campeão do mundo”.

 

Faltou combinar com a Croácia nas quartas.

 

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