Cássio fecha a trave do Corinthians para o centroavante Pedro do Flamengo. Foto: Marcelo Cortes/Flamengo
O Corinthians conseguiu o que desejava. Descartou o resultado da partida de ida contra o Flamengo, na Neo Química Arena, em Itaquera. O empate por 0 x 0 na noite desta quarta-feira transforma a decisão da Copa do Brasil em uma espécie de “final única” em um campo nada neutro, o Maracanã. Decidirá o título na casa do adversário, mas sem prejuízos causados na história da partida de ida. O contrário do que havia acontecido no mata-mata da Libertadores, quando a derrota por 2 x 0 pesou demais na volta. Ao sofrer, mas resistir em São Paulo depois de ser dominado na maior parte do tempo, o time paulista desembarcará vivo no Rio. O maior dano do resultado foi causado no lado rubro-negro da força: a suspensão do volante João Gomes. O volante recebeu o terceiro cartão amarelo e está fora da decisão. Acho até que a punição foi exagerada. No grito. Como ele recebera a primeira punição, merecia ter sido expulso no lance na etapa final.
Favorito, o Flamengo decidirá o título no Maracanã, porém é preciso avaliar resultados recentes nas tomadas de decisão para o duelo da próxima quarta-feira. O badalado “Time das Copas” acumula resultados ruins contra adversários fortes que aprenderam a interpretar o sistema de jogo rubro-negro. Fernando Diniz segurou o Flamengo na vitória do Fluminense por 2 x 1. Mano Menezes também arrancou um ponto para o Internacional na igualdade por 0 x 0. Os dois jogos foram no Rio. Agora, o Corinthians passa incólume pelo timaço rubro-negro. Há um ponto em comum nos três jogos: Rodinei defendeu mais do que apoiou. Consequentemente, o time perde profundidade, agressividade, opção de jogo pelas pontas , e afunila demais pelo meio. O ataque do Flamengo fez apenas um gol nos duelos recentes contra Fluminense, Internacional, ambos pelo Brasileirão, e Corinthians. Precisão faz diferença em mata-mata. O time rubro-negro foi melhor em São Paulo, mas, como diz a música, bola na trave não altera o placar. O poste blindou Cássio, um dos melhores em campo, no belo chute do zagueiro David Luiz.
As nuances da partida deixaram claro que o Corinthians evoluiu em relação aos duelos pelas quartas de final da Libertadores e pode, sim, vencer no Maracanã seja no tempo normal ou arrastando o jogo para os pênaltis. Vítor Pereira tinha claramente um plano de jogo: não perder em Itaquera. Se possível, vencer. Apostou na marcação na saída de bola, mas não contava com a alternativa aparentemente ensaiada das esticadas de bola do goleiro Santos buscando a altura de Pedro (1.85m) nas disputas de bola com o lateral-direito Fagner (1,68m). Virou escape.
Aplicado na marcação, o Corinthians controlou o ponto forte do Flamengo — o lado direito do ataque no primeiro tempo. Mesmo assim, Gabriel Barbosa apareceu sozinho na cara do gol e fez o que tem sido recorrente em partidas decisivas: finalizou mal, à direita do goleiro Cássio. Aquele lance poderia mudar a história do primeiro confronto mais cedo do que se imaginava.
Apesar das dificuldades para trabalhar os lances, o Flamengo encontrou Pedro na entrada da área em um contra-ataque, mas Cássio saiu bem do gol para proteger a meta rubro-negra. O Corinthians aguardava por uma falha do sistema defensivo rubro-negro e ela aconteceu. Léo Pereira errou o tempo da bola e Yuri Alberto só não balançou a rede porque Thiago Maia, o melhor rubro-negro em campo ao lado do zagueiro David Luiz, impediu a abertura do placar.
O Flamengo iniciou o segundo tempo decidido a resolver o primeiro jogo, mas esbarrou em noite iluminada do goleiro Cássio em uma exibição de manual do zagueiro Gil. Da tribuna, Tite viu o beque colocar Pedro e Gabigol no bolso. Ele impediu o gol de Gabriel depois do lance iniciado por Léo Pereira, uma ajeitada de cabeça do meia Everton Ribeiro e a finalização do camisa 9. O acaso também protegeu o goleiro Cássio no chute de David Luiz. O travessão blindou o Corinthians. Yuri Alberto desperdiçou oportunidade ao ter o chute travado na entrada da área.
O time de Dorival Júnior poderia ter matado o jogo no momento em que o volante Du Queiroz e o meia Renato Augusto demonstravam cansaço e a marcação no meio de campo derretia. No entanto, as substituições de Vítor Pereira por Mateus Vital e Giuliano renovaram o gás e diminuíram o ímpeto do Flamengo. O jogo ficou sob certo equilíbrio e controle até o fim.
Um lance polêmico poderia ter dado a vitória ao Corinthians. Discute-se a bola que toca na mão do zagueiro Léo Pereira no segundo tempo. É um lance interpretativo e de difícil solução. Não houve unanimidade, por exemplo, nas opiniões dos comentaristas de arbitragem da tevê Globo (Sálvio Spínola Fagundes Filho) e do SporTV (Sandro Meira Ricci). Depois de ver e rever o lance na madrugada, fiquei com a impressão de que não houve pênalti.
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