Blog Drible de Corpo

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Marcos Paulo Lima

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Copa do Brasil: Cruzeiro e Galo deixam sarrafo alto no início das quartas

Artur Jorge e Eduardo Domínguez apostam no futebol ofensivo, e clássico no Mineirão termina com empate justo de bom nível — e estatística de 55 minutos de bola em jogo

Clássico mineiro na Copa do Brasil
A partida no Mineirão teve 55 minutos de bola rolando no Mineirão. Foto: Pedro Souza/Atlético

As quartas de final da Copa do Brasil começaram com um jogo de alto nível no Mineirão. O clássico entre Cruzeiro e Atlético-MG não decepcionou porque havia técnicos corajosos à beira do gramado. Artur Jorge e Eduardo Domínguez planejaram jogar futebol com estilos diferentes. A Raposa com posse da bola de 65%. Programado para marcar e contra-atacar, o Galo controlou 35% da partida, mas não foi covarde nem quando saiu atrás no placar. Os gols que faltaram no primeiro tempo saíram na etapa final graças a personagens improváveis.

Um detalhe interessante sobre o duelo no Gigante da Pampulha. Em 2 de maio, no mesmo Mineirão, o Cruzeiro perdeu para o Atlético por 3 x 1 pelo Campeonato Brasileiro em um jogo com 47 minutos e 25 segundos de bola rolando. A partida dessa quarta-feira registrou 54 minutos e 51 segundos. A referência é a Premier League com média de 55 minutos e 23 segundos na temporada passada.

Mas vamos aos personagens do clássico mineiro…

Keny Arroyo desembarcou no Cruzeiro em setembro do ano passado em um investimento de 8,5 milhões de euros pagos ao Besiktas da Turquia. O equatoriano retribui cada centavo aplicado pelo dono da SAF celeste, Pedro Lourenço, com bola na rede em jogos grandes. De preferência contra times de ponta: Palmeiras, Flamengo e a vítima da vez: o Atlético-MG.

O talento de 20 anos acertou um chute lindo, de fora da área, depois de uma assistência plástica do meia Matheus Pereira. Por sinal, em terra de time carentes de maestros, quem tem um camisa 10 como ele é candidatíssimo a rei da Copa do Brasil. Sorte da Raposa tê-lo.

Matheus Pereira rolou a bola para Arroyo e o versátil ponta acertou um chute aparentemente indefensável para Everson. A minha impressão pela tevê é de que dava para evitar. A expressão do goleiro do Galo depois do lance também indica uma certa autocobrança.

Uma das virtudes do Galo em seis meses sob o comando de Eduardo Domínguez é a organização tática e a variação de planos contra diferentes adversários. Ele soube reinventar o time depois da saída do ídolo Hulk. A falta de um brilho individual é compensada pela dedicação e a obediência tática ao treinador argentino. A chegada de Fred incrementa muito o meio de campo.

No papel de visitante, portanto com apenas 2.500 torcedores no Mineirão, o Atlético reagiu rapidamente, como se estivesse na Arena MRV. Culpa de Wesley. O ponta recém-contratado pelo Cruzeiro perdeu a bola. Cuello aproveitou para desequilibrar. Ele recebeu a bola de Bernard e serviu Renan Lodi. O lateral-esquerdo percebeu a indecisão do jovem goleiro Otávio, que apostou no cruzamento, deixou o canto aberto e viu Lodi colocá-la na brecha.

Empeta justo no Mineirão em uma bela partida protagonizada por Cruzeiro e Atlético. As quartas de final começaram em alto nível. Que os clássicos paulista entre Palmeiras e Santos; e gaúcho no Gre-Nal de quinta-feira sigam o script. Vale também para o único não clássico da antepenúltima fase do mata-mata nacional entre Vasco e Vitória, em São Januário.