Blog Drible de Corpo

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Marcos Paulo Lima

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Libertadores: BH e Arrascaeta levam Fla à 5ª semi com 5º técnico diferente

Protagonistas da classificação contra o Independiente del Valle, ídolos mostram incrível capacidade de adaptação a Jesus, Renato, Dorival, Fillipe Luís e Jardim

Arrascaeta fincou a bandeira do Fla na semi com Jesus, Renato, Dorival, Filipe Luis e Leonardo Jardim. Foto: Gilvan de Souza/CRF

Apesar dos perrengues desnecessários contra o Independiente del Valle, a torcida do Flamengo deveria morder a língua toda vez que sofrer a tentação de chamar o time de sem-vergonha. Obviamente, não foi o caso nessa quinta-feira. A “Nação” colocou o time no colo aos gritos de “Mengo” e virou o 11º jogador quando Jorginho cometeu a bobagem de ser expulso.

Remanescentes do ano da graça de 2019, Bruno Henrique e Arrascaeta já ouviram injustamente gritos de “time sem-vergonha”. Protagonistas da classificação contra o adversário equatoriano, eles alcançam as semifinais do torneio continental com o quinto técnico diferente. Não é fácil com tamanha rotatividade, mas eles conseguiram.

A capacidade de adaptação dos dois craques precisa ser ressaltada. Em 2019, eles eram liderados pelo português Jorge Jesus. Dois anos depois, o dono da prancheta era Renato Gaúcho na primeira final contra o Palmeiras. Na temporada seguinte, Dorival Júnior os levava ao título contra o Athletico-PR. Filipe Luís guiava o Flamengo na Glória Eterna do ano passado e Leonardo Jardim qualificou a equipe para a quinta semifinal em oito edições.

Bruno Henrique e Arrascaeta só não chegaram às semifinais da Libertadores sob o comandos de Rogério Ceni (2020), Jorge Sampaoli (2023) e Tite (2024). É preciso dimensionar a capacidade de adaptação dos dois ídolos rubro-negros. O Palmeiras está na semifinal pela sexta vez no período de 2020 a 2026. Todas sob a batuta do mesmo profissional: Abel Ferreira!

Parece fácil, só que não. Em 2019, Bruno Henrique formava dupla de ataque com Gabriel Barbosa. Houve técnico que preferiam posicioná-lo aberto na esquerda, como Renato Gaúcho. Outros tentaram deslocá-lo para a direita. Mesmo contrariado, ele se transformou em centroavante, um falso 9, e tornou-se o maior concorrente do especialista Pedro.

A maleabilidade tática de Arrascaeta também impressiona. O áudio vazado na pausa para hidratação de Leonardo Jardim, determinando a Arrascaeta para se posicionar como falso 9 depois da expulsão de Jorginho, não é aleatório. Ele sabe cumprir essa função desde o desembarque no Brasil para jogar no Cruzeiro. Mano Menezes gostava de utilizá-lo assim. Ganhou até título contra o Flamengo posicionando o uruguaio justamente como postiço no mesmo Maracanã no segundo tempo do primeiro jogo da final da Copa do Brasil de 2017.

Falso 9, Arrascaeta cabeceia para a rede com as ajudas de Rossi, do morrinho e de Quintana. Foto: Gilvan de Souza/Flamengo

E assim Arrascaeta classificou o Flamengo. Ironicamente com a colaboração do chamado morrinho artilheiro do péssimo gramado do Maracanã. O goleiro Rossi deu um lançamento consciente à caça de Arrascaeta e o Sobrenatural de Almeida, como escreveria Nelson Rodrigues, se encarregou de dar a casquinha para enganar o goleiro Quintana e deixar o camisa 10 em condição de calcular o tempo da bola e cabeceá-la para o fundo da rede.

Bruno Henrique e Arrascaeta alcançam a quinta semifinal com a quinta maneira diferente de enxergar futebol. Jorge Jesus, Renato Gaúcho, Dorival Júnior, Filipe Luís e Leonardo Jardim pensam o jogo de maneiras totalmente diferentes. Daí a necessidade exaltá-los. O atacante fez o primeiro gol na altitude contra o Independiente del Valle. Arrascaeta, o terceiro no placar agregado de 3 x 1. Sem-vergonha é quem ousou algum dia depreciá-los.