Blog Drible de Corpo

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Marcos Paulo Lima

Análises, opinião e lembranças do arco-da-velha sobre o futebol. 5.145 publicações

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Apequenados por Memphis e Neymar, Corinthians e Santos vivem o caos

Eliminações internacionais na Libertadores e na Sul-Americana expõem a vulnerabilidade de gestões que se escoram em "favores" dos astros para blindar governanças caóticas

A vergonha de Memphis Depay depois de perder o pênalti contra o Estudiantes. Foto: Miguel Schincariol/AFP

As eliminações do Corinthians na Libertadores e do Santos na Copa Sul-Americana são resultado da vulnerabilidade econômica e esportiva dos dois clubes. Em meio ao caos, os dois clubes entregaram as chaves a Memphis Depay e a Neymar na tentativa de blindar o desgoverno dos presidentes Osmar Stábile e Marcelo Teixeira, respectivamente.

O Corinthians se apequenou — e até mesmo curvou — diante do holandês Memphis Depay na novela da renovação do contrato. Escrevi no blog antes do desfecho que o mais sensato era encerrar a relação devido à falta de condições para bancá-lo e obviamente negociar a dívida com jogador. A diretoria tentou fazer isso, mas foi pressionada pela torcida e cedeu.

A torcida xingou Memphis Depay devido ao pênalti desperdiçado no último lance da derrota por 1 x 0 para o Estudiantes na Neo Química Arena, mas tem digitais na reviravolta que culminou na permanência do atacante no Corinthians. Acertar ou errar a cobrança faz parte do jogo. Podemos elaborar uma lista de craques submetidos a esse trauma. Equivocado é quem diminuiu o clube diante de um ídolo recente que se considera maior do que ele até mesmo no clipe “Don’t  Panic” com o Parque São Jorge em chamas.

Quebrado, o Santos se escora nos investimentos de Neymar pai, Neymar filho e Neymar espírito santo, se é que há a terceira pessoa da trindade na religião alvinegra. A vitória na Vila Belmiro contra o Atlético-MG por 2 x 0 parece ter disparado o gatilho da ansiedade no CT Rei Pelé. De repente, imaginou-se que seria possível encerrar a temporada com título.

Como se estivesse jogando Football Manager, Neymar começou a montar um time de parças pela possível conquista da Sul-Americana e a permanência na Série A do Campeonato Brasileiro. Philippe Coutinho, Everton Cebolinha, Rodinei, Arthur… De repente, Cuca tinha (e ao mesmo tempo não tinha), uma SeleSantos nas mãos.

Para o azar dele, o Santos topou com um Atlético-MG menos badalado individualmente, porém mais engajado coletivamente nas Copas. O Galo é semifinalista da Copa do Brasil e da Copa Sul-Americana. Lidou com um adversário valente, precisou dos pênaltis, mas mostrou o óbvio na Arena MRV: é melhor a essa altura da temporada.

Reféns de Memphis Depay e de Neymar, Corinthians e Santos lembram aquele trecho da canção do Lulu Santos: caminham com passos de formiga e sem vontade na temporada contra um fantasma comum aos dois gigantes do futebol do país: o temor do rebaixamento.