Tite celebra sua obra-prima no Morumbi na final da Copa do Brasil 2001. Foto: Reprodução/Placar
Uma das maiores obras táticas de Adenor Leonardo Bachi, com a assinatura do gaúcho de Caxias do Sul, foi consagrada aqui em São Paulo, no Morumbi: o 3-5-2 do Grêmio campeão da Copa do Brasil em cima do Corinthians de Vanderlei Luxemburgo. Perguntei a ele na entrevista coletiva após a vitória por 3 x 0 sobre a Bolívia se é possível retomar na Seleção um sistema que ele domina tão bem, a ponto de dizer que jamais alguém usará o formato de maneira tão perfeita quanto ele. A escalação tinha: Danrlei; Maurinho, Mauro Galvão e Ânderson Polga; Ânderson Lima, Eduardo Costa, Tinga, Zinho e Rubens Cardoso; Warley e Luis Mário. Roger Machado, atual treinador do Bahia, era outra peça-chave daquele timaço. Não é a primeira vez que escrevo sobre isso aqui no blog.
Tite adorou a lembrança, óbvio, mas deixou claro que continuará refém do 4-2-3-1. Motivo: teme ser visto como professor pardal. A resposta: “Seu eu tivesse tempo… Era preciso reinventar constantemente, mas, como técnico da Seleção, preciso de tempo. Aquele Grêmio teve uma organização muito grande e jogadores com transição muito rápida , com exceção do Zinho, mas que fazia funcionar toda a engrenagem da equipe. Eu não tenho tempo. Então, o que o técnico faz? Procura utilizar os atletas dentro das posições e das funções que têm nos seus clubes. Do contrário, seria muito incoerente da minha parte. É tipo professor pardal. Eu também tento absorver aquilo que os outros fazem de trabalho. É dar liberdade para o Firmino, é o Coutinho do Liverpool e não o do Barcelona, o Coutinho da Seleção. Não dá para fazer, não dá para fazer. Não tem nenhuma equipe… Eventualmente, o PSG joga com linha de três zagueiros. Então, não, a resposta é não”, justificou Tite.
Tite ensaiou o sistema uma vez na Seleção. Foi na goleada por 4 x 0 sobre a Austrália, em 13 de junho de 2017. Defensivamente, era um 3-5-2, com David Luiz ao lado de Thiago Silva e de Rodrigo Caio. Ofensivamente, 4-1-4-1, com David Luiz posicionado como se fosse Casemiro, ou seja, à frente de uma linha de quatro defensores formada por Rafinha, Thiago Silva, Rodrigo Caio e Alex Sandro. Entretanto, não levou a ideia adiante.
Tite diz que poucos clubes adotam linha de três. O argumento é válido, mas o sistema é uma alternativa para vários colegas de profissão dele. Vice-campeão da Champions League, Maurício Pochettino usou o formato e suas variações diversas vezes na temporada do Tottenham — inclusive na partida de ida das semifinais contra o Ajax, na fase de grupos contra o Borussia Dortmund e em clássicos do Inglês contra Liverpool, Arsenal e Manchester City.
Seu eu tivesse tempo… Era preciso reinventar constantemente, mas, como técnico da Seleção, preciso de tempo. Aquele Grêmio teve uma organização muito grande e jogadores com transição muito rápida , com exceção do Zinho, mas que fazia funcionar toda a engrenagem da equipe. Eu não tenho tempo. Então, o que o técnico faz? Procura utilizar os atletas dentro das posições e das funções que têm nos seus clubes. Do contrário, seria muito incoerente da minha parte. É tipo professor pardal. Não dá para fazer, não dá para fazer.
Tite, técnico da Seleção, em resposta ao blog após a vitória sobre a Bolívia
O Arsenal, de Unai Emery, jogou a reta final da temporada praticamente com um sistema de três zagueiros, o 3-4-1-2. Pep Guardiola tirou o sistema da cartola algumas vezes na campanha do título do Manchester City na Premier League. Massimiliano Allegri configurou a Juventus com linha de três. Erik ten Hag volta e meia usou o recurso na conquista do Ajax na Holanda.
Tite cita Thomas Tuchel, do PSG, como exemplo de quem adota linha de três. Coincidentemente, o clube francês é praticamente base da Seleção. Eram quatro até a saída de Neymar. Restam Daniel Alves, Thiago Silva e Marquinhos. Concordo com Tite que não dá para trocar o chip do 4-2-3-1 para o 3-5-2 ou 3-4-3 da noite para o dia, mas o sistema que ele domina tão bem está faltando no repertório nesta Copa América.
Talvez, a linha de três daria liberdade aos laterais Daniel Alves e Filipe Luís — como fez Luiz Felipe Scolari com Cafu e Roberto Carlos na campanha do penta na Copa do Mundo 2002. Ele conta com quatro zagueiros que sabem atuar no modelo. Não seria novidade para Éder Militão, Thiago Silva, Marquinhos e Miranda. Por sinal, Marquinhos atuou algumas vezes como volante à frente da defesa do PSG. Portanto, é possível reinventar, mas Tite cismou com o tal do 4-2-3-1, 4-1-4-1, e esqueceu de ser Tite, o Tite do 3-5-2 do Grêmio. Inspirado naquele time de 2001, por que não um Brasil assim: Alisson; Thiago Silva, Marquinho e Miranda; Daniel Alves, Casemiro, Arthur, Philippe Coutinho (Roberto Firmino ou Everton) e Filipe Luís; Richarlison e Roberto Firmino (Gabriel Jesus)? Tite pode passar a contar com Daniel Alves praticamente no papel de ponta.
Em tempo. discussão sobre linha de três à parte, uma coisa é certa: Seleção Brasileira sem um driblador, um moleque abusado, não é Seleção. Tite errou. Falta Vinícius Júnior no elenco. Mas ele preferiu Willian, que, no fim das contas, pode pintar como solução contra o Peru.
Aguardemos…
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