Matheus Cunha foi decisivo pelo segundo jogo consecutivo, mas saiu lesionado. Foto: Charly Triballeau/AFP
A Seleção Brasileira olímpica é comandada pelo técnico André Jardine, mas teve o perfil de Tite na vitória por 1 x 0 sobre o Egito neste sábado, em Saitama. Em evolução, o time mostrou paciência para lidar com o sistema 5-4-1 do Egito, volume de jogo, criatividade para elaborar situações de gol — e desperdiçá-las — e nervos de aço para controlar a partida mesmo quando o time aparentava ter perdido as rédeas do confronto. É o primeiro triunfo na competição sem ser vazado. Importantíssimo quando se trata de uma etapa eliminatória. Sair atrás ou ceder o empate a essa altura pode desestruturar o plano de jogo.
Foi assim, por exemplo, nos últimos minutos do abafa egípcio. Era também no Corinthians versão 2012 na Era Tite. O Timão marcava um gol e segurava a vantagem com uma frieza e pragmatismo de irritar tanto a Fiel como a torcida adversária. Funcionou na conquista do Mundial de Clubes em 2012 contra o Chelsea justamente em Yokohama — palco da sonhada decisão olímpica nos Jogos de Tóquio. A Seleção principal agiu dessa forma em algumas partidas da última Copa América. Havia contentamento com 1 x 0 e um certo masoquismo nos últimos minutos da partida. Uma atração desnecessária pelo sofrimento. Tudo isso poderia ter sido evitado se houvesse capricho e certa displicência nos arremates.
Richarlison faz um torneio excepcional. A camisa 10 não pesa nas costas dele. Quando não decide o jogo diretamente, o artilheiro isolado do torneio com cinco gols usa a visão periférica para deixar um companheiro em condição de marcar. Foi dele o passe para o meio da área. Matheus Cunha aproveitou e finalizou com perfeição no cantinho do goleiro.
O Brasil chega à semifinal contra o México com o segundo resultado mais humilde das quartas. O adversário na madrugada de terça-feira, às 5h, em Kashima, goleou a Coreia do Sul por 6 x 3. A Espanha atropelou a Costa do Marfim de virada, por 5 x 2. Anfitrião, o Japão sofreu até demais diante da Nova Zelândia. Necessitou dos pênaltis para se classificar.
Há quem despreze a Seleção Olímpica. Discordo. Vejo legado do ouro na Rio-2016. Tite pode levar à próxima Copa os campeões Neymar, Marquinhos, Rodrigo Caio, Gabriel Jesus e Gabriel Barbosa, por exemplo. Fundi-lo com o que está em Tóquio. Alguns nomes merecem no mínimo teste no restante das Eliminatórias Sul-Americanas para o Mundial do Qatar.
Bruno Guimarães, por exemplo, é o maestro do meio de campo. Baia jogador! A ida para o Lyon parece ter atualizado a versão dele que era boa no Athletico-PR. Douglas Luiz deu passes importantes. Marca, finaliza e assumiu a responsabilidade de uma cobrança de falta.
Richarlison atraiu o protagonismo e pode assumir no Mundial o papel de sombra do Neymar, ou seja, um excelente coadjuvante, se levar o Brasil ao bicampeonato olímpico. Há um problema: ambos gostam daquele cantinho esquerdo do campo. Que o Tite resolva isso.
Matheus Cunha é uma opção para o ataque, mas neste setor ainda prefiro nomes como Gabriel Jesus, Gabriel Barbosa ou até mesmo Pedro. Cunha ganha pontos com Jardine e Tite porque foi a Tóquio. Resumindo: ele se comprometeu com o projeto olímpico da CBF.
Próximo adversário do Brasil, o Méxcio tem tradição nos torneios de base. Basta lembrar que venceu a Seleção por 2 x 1 na final de Londres-2012, em Wembley. Comandada pelo ex-meia Jaime Lozano, ganhou a medalha de bronze no Pan de Lima-2019 e foi campeã do Pré-Olímpico da Concacaf. O adversário dificilmente abre mão do sistema tático 4-3-3. Lembra, portanto, a configuração de André Jardine, o que permite projetar um duelo espelhado.
O estilo de jogo é ofensivo. O México goleou a França por 4 x 1, passou facilmente pela África do Sul por 3 x 0, humilhou a Coreia do Sul por 6 x 3 e só perdeu para o anfitrião Japão por 2 x 1 na fase de grupos. Dos 22 convocados para Tóquio, somente um atua fora do país: o camisa 10 Diego Lainez, vinculado ao Real Betis da Espanha. Entre os jogadores acima da idade, o destaque é o experiente goleiro Guillermo Ochoa. Aos 36 anos, é o capitão do time.
Na entrevista coletiva pós-jogo, André Jardine conjugou o verbo correto: estudar. É isso, mesmo. O México tem uma boa seleção. Engana-se quem acha que será fácil. “Vamos ter muitas informações sobre eles (México). O pessoal da análise vai nos dar suporte, fazer a edição de vídeos buscando imagens individuais e coletivas. Mas nosso rotina tem sido no dia do jogo curtir o dia da vitória. Hoje nos permitimos jantar, comemorar. Tem sido muito bacana desfrutar das comemorações no hotel com os jogadores”, comentou o treinador.
Portanto, o México será o tema central a partir deste domingo. “Vamos assistir ao jogo do México, estudar muito o adversário de noite já formulamos nosso plano de jogo, todas ideias para passar aos jogadores, para eles saberem tudo que vão fazer. Não é muito tempo de treino, mas conseguimos ensaiar movimentos, ensaiar os caminhos que possam nos aproximar das vitórias”, concluiu André Jardine.
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