Tite volta a contar com Gabigol em momento de turbulência no cargo. Foto: Gilvan de Souza/Flamengo
Adenor Leonardo Bachi inicia a temporada nesta quarta-feira contra o Audax, às21h30, na Arena da Amazônia, em Manaus, pelo Campeonato Carioca, com um dilema: como recuperar o maior ídolo em atividade do Flamengo, devolvê-lo ao time titular e vê-lo novamente brilhar?
A resposta pode estar em um antigo trabalho de Tite. Voltemos a 12 de dezembro de 2012. Naquele dia, o Corinthians entrou em campo contra o Al Ahly do Egito pelas semifinais do Mundial de Clubes da Fifa. Aquele time tinha talentos no meio de campo e no ataque. Era difícil deixar algum deles no banco. O treinador deu jeito. Escalou todo mundo e venceu no 4-4-2.
O meio de campo contou com Ralf e Paulinho como guardiães da defesa. À frente dos dois, um par de jogadores construtores: os meias Douglas e Danilo. Os dois responsáveis por abastecer uma dupla de ataque formada por Emerson Sheik e Paolo Guerrero. Aqui está a alternativa.
É possível incluir Gabriel Barbosa no time se Tite renunciar aos pontas e emular aquele repertório do Corinthians de 2012. Guardadas as devidas proporções, Gabigol assumiria o papel de Emerson Sheik, ambos com características semelhantes: jogadores de movimentação, praticamente falsos nove. Não ficam presos na área. Saem dela e oferecem opções.
Aquele Corinthians tinha Paulo Guerrero na função de centroavante. Tite desfruta de Pedro no Flamengo. Dorival Júnior mostrou nas conquistas da Copa do Brasil e da Libertadores, em 2012, a capacidade de os dois se completarem no ataque rubro-negro. Deu mais do que certo.
Abrir mão dos pontas significa na prática empoderar os excelentes meias. Um meio de campo parecido com aquele do Corinthians de 2012 poderia ter: Pulgar, Gerson, De La Cruz e Arrascaeta. Um quadrado no setor de criação. Tite sacou Douglas do time na final do Mundial contra o Chelsea para escalar um ponta. Neste caso, Gerson, De La Cruz ou Arrascaeta deixariam a equipe principal para a entrada de Bruno Henrique. Há 12 anos, Jorge Henrique ganhou a posição.
Em 2016, Tite assumiu a Seleção com a cabeça de Corinthians. Iniciou o trabalho colocando o Brasil na forma adotada por ele no time paulista. Paulinho e Renato Augusto eram os símbolos daquele 4-1-4-1 variável para 4-2-3-1 de acordo com as dificuldades. Agora, Tite assumiu o Flamengo com a cabeça de Seleção. Cismou com Luiz Araújo, Pedro e Everton Cebolinha no ataque. Dois pontas e um centroavante. É uma opção de jogo, sim, mas não pode ser a única.
O maior desafio de Tite, a partir de hoje, é a maleabilidade tática. Ao contrário do futebol de seleções, o de clubes exige cada vez mais reinvenção. Muitas vezes de jogo para jogo. Em algumas, dentro da mesma partida, nos “minijogos”, como define o próprio Tite. Duelos como o da primeira rodada do Carioca contra o Audax servem para isso. Que o Adenor saiba aproveitar.
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