Como atuar 100 minutos com um jogador a mais em duas partidas e não vencer: o Flamengo conseguiu

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O Flamengo teve um jogador a mais do que o Botafogo dos 5 aos 56 minutos no clássico de domingo passado pelo Campeonato Brasileiro. Nesta quinta, passou 24 com um homem a mais do que o Racing no primeiro tempo, e mais 25 na etapa final, quando o lateral-direito Wesley recebeu cartão vermelho pela Libertadores. Na soma das duas partidas, o time de Jorge Sampaoli passou 100 minutos em campo com superioridade numérica dentro das quatro linhas e não venceu. O levantamento inclui os acréscimos nas duas partidas.

O dado é assustador. Mostra a incapacidade do elenco mais caro e badalado da América do Sul de se impor contra adversários medianos do Brasil e da Argentina. Culpa dos constantes recomeços de trabalho no Ninho do Urubu. Das trocas inconsequentes de treinador. São quatro profissionais diferentes em 17 meses: Paulo Sousa, Dorival Júnior, Vítor Pereira e Jorge Sampaoli.

Falta padrão de jogo, movimentação articulada, preparo físico, capricho nas finalizações, repetição do time para que haja o mínimo de entrosamento. Sampaoli trabalha há cinco jogos. Isso demanda tempo. A paciência que a diretoria — e a turma das redes sociais — não dispõe nesse e em qualquer momento.

A incapacidade para derrotar Botafogo e Racing com um jogador a mais coincide com a ausência do Arrascaeta; a carência de um substituto à altura para o uruguaio; a falta de calibre de Gabriel Barbosa nas finalizações, embora ele tenha finalmente acertado a rede no primeiro tempo; o apego de Sampaoli a jogadores que não estão bem, como Marinho, Vidal, Thiago Maia e Éverton Cebolinha; e até mesmo a cobrança para que Santos se comporte como goleiro-linha ou líbero, como queiram. É preciso respeitar o profissional. Ele não tem essa característica.

O empate amargo com o Racing depois de abrir 1 x 0 e ter 11 contra 10 durante 49 minutos no pulsante El Cilindro mostrou fragilidades na criação e pequenas evoluções. O gol rubro-negro nasce em uma trama que Palmeiras e Fluminense têm aos montes no repertorio: jogada ensaiada. Pulgar cobra falta para o meio da grande área, Gabigol ludibria a marcação e surge sozinho de frente para finalizar no canto direito de Arias. Há quanto tempo o Flamengo bate faltas e nada acontece? Sim, pode nem ter sido combinado. Se não foi, parabéns aos dois pela esperteza e o improviso.

É preciso aproveitar cobranças de falta, mas também saber proteger-se delas. O goleiro Santos armou muito mal a barreira na belíssima cobrança de Nicolás Oroz. O empate teve outras razões. Estava claro, desde a etapa inicial, que Wesley parecia desconfortável na panela de pressão. Ele tem 19 anos. Tomou cartão cedo no primeiro tempo. Faltou sensibilidade a Sampaoli para admitir o risco, poupá-lo no segundo tempo e evitar o risco. Não havia especialista no banco, porém o badalado técnico não domina a arte do improviso?

Sampaoli cometeu outros equívocos. A rotação da partida não era recomendável para a inserção de Arrascaeta e Bruno Henrique, dois jogadores recém-recuperados de contusão. Ambos sem ritmo de jogo para a intensidade exigida. Talvez um ou outro. De qualquer forma, vale observar um possível trailer do que Sampaoli pretende mais à frente. O Flamengo terminou o duelo com o Racing tento Bruno Henrique aberto na direita, Gabigol centralizado e Éveron Cebolinha na esquerda. Atrás deles, Arrascaeta. Pode ser o rascunho de um novo quarteto, com Éverton Ribeiro e Pedro no banco como opções para o desenrolar das partidas. A ver…

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Marcos Paulo Lima

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