Como a Copa do Brasil virou a casa de festas preferida dos clubes do eixo Sul-Minas

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Houve um tempo em que a Copa Sul-Minas era um dos torneios regionais mais legais do país. Concorrente do Rio-São Paulo, a competição reuniu clubes de Minas Gerais, Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina nas três edições disputadas em 2000, 2001 e 2002. O campeonato acabou, mas o espírito copeiro dos times que participavam não foi extinto.

Das últimas oito edições da Copa do Brasil, seis, inclusive a atual, foram conquistadas por camisas pesadas do eixo Sul-Minas: Atlético-MG (2014), Grêmio (2016), Cruzeiro (2017 e 2018), Athletico-PR (2019) e Atlético-MG ou Athletico-PR (2021). Os dois times disputam o segundo jogo da decisão nesta quarta-feira, às 21h30, na Arena da Baixada, em Curitiba. O Galo venceu na ida por 4 x 0, no Mineirão, em Belo Horizonte, e pode até perder por 3 x 0 para ganhar o bi.

A hegemonia do eixo Sul-Minas só foi quebrada duas vezes nos últimos anos, ambas pelo Palmeiras. O clube paulista se atreveu a acabar com a panelinha nas edições de 2015 e 2020.

O empenho do eixo Sul-Minas na Copa do Brasil é tão grande que quatro das últimas oito finais foram disputadas entre sócios do grupo. O Atlético-MG ganhou o primeiro título na decisão contra o arquirrival Cruzeiro em 2014. O Grêmio celebrou o penta diante do Galo em 2016. O Athletico-PR superou o Internacional em 2019. A decisão deste ano é entre os xarás Atléticos.

Das últimas oito finais da Copa do Brasil, incluindo a deste ano, seis foram conquistadas por times de Minas Gerais, Paraná, Rio Grande do Sul ou Santa Catarina. Houve quatro finais entre times desses estados. Das 33 edições da Copa do Brasil, 17 ficaram com clubes desse competitivo bloco

Para se ter uma ideia da força do eixo Sul-Minas na Copa do Brasil, o título desta noite será o 17° de clubes mineiros, gaúchos, paranaenses ou catarinenses em 33 edições do torneio. Um a mais do que a soma das conquistas dos times de todas os outros estados do país. São seis títulos do recordista Cruzeiro, cinco do Grêmio e um de Internacional, Atlético-MG, Athletico-PR, Criciúma e Juventude. O título deste ano também é do bloco. Falta oficializar Galo ou Furacão.

Um das explicações óbvias para a transformação da Copa do Brasil numa espécie de Sul-Minas é financeira. Sem orçamento para competir de igual para igual com a turma do eixo Rio-São Paulo nos pontos corridos, os demais clubes enxergam nas copas uma alternativa para títulos relevantes em uma temporada. O Grêmio venceu a Libertadores em 2017. O Athletico-PR é bi da Copa Sul-Americana em 2018 e 2021. O Inter também conquistou o torneio em 2008.

Hegemônicos no Campeonato Brasileiro durante seis anos consecutivos, cariocas e paulistas viram o Atlético-MG subverter a ordem nesta temporada, e quebrar a sequência de títulos restrita a Corinthians (2015 e 2017), Palmeiras (2016 e 2018) e Flamengo (2019 e 2020). Favorito contra o Furacão, o Galo está prestes a encerram um ano perfeito com a Tríplice Coroa – Campeonato Mineiro, Brasileirão e Copa do Brasil. Um feito capaz de ferir o ego cruzeirense.

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Marcos Paulo Lima

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