Clube x Seleção: indiferença da torcida é aliada da CBF na gestão da crise

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O fim da Data Fifa e a retomada do Campeonato Brasileiro são aliados da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) na gestão da crise pós-Copa do Mundo. A turbulência da Seleção sai temporariamente da agenda. Essa é uma das diferenças entre administrar clube e um combinado nacional.

Em condições normais de temperatura e pressão, o noticiário matutino seria de que o muro da sede da entidade máxima do futebol, na Barra da Tijuca, amanheceu pichado pedindo a queda de um treinador, dirigente ou até mesmo do presidente. O torcedor se preocupa com o time dele. A amarelinha é assunto de quatro em quatro anos. Portanto, a indiferença é o triunfo do presidente Ednaldo Rodrigues e os pares dele na confecção tardia do plano de retomada da caça ao hexa em 2026.

O comportamento de um torcedor cada vez mais distante de uma Seleção mais ativa na Europa do que no próprio país é boa e ruim. Houve uma breve reconexão entre eles na época em que Tite assumiu o cargo, em 2016, e empilhou não somente resultados, mas orgulho do futebol apresentado nas Eliminatórias para a Copa da Rússia, em 2018. Assim como Carlo Ancelotti, Tite teve meio ciclo de trabalho antes da renovação para continuar até o fim de 2022.

Com a paz que falta aos clubes, a CBF ganha um bom tempo para tentar colocar a casa em ordem antes do início das Eliminatórias. A rotina, no entanto, lembra a de time do Brasileirão. Decidida a esperar Carlo Ancelotti, a  diretoria precisa encontrar um técnico interino capaz de organizar o Brasil para seis partidas oficiais contra Bolívia, Peru, Venezuela, Uruguai, Colômbia e Argentina; e dois amistosos com a Espanha e mais um adversário a definir. Provavelmente será a Alemanha, na Europa.

Resultados pós-Copa

  • Marrocos 2 x 1 Brasil
  • Brasil 4 x 1 Guiné
  • Brasil 2 x 4 Senegal

A questão é quem toparia essa missão. Sugeri no blog o holandês Clarence Seedorf, um velho parceiro de Carlo Ancelotti nos tempos áureos do Milan com passagem pelo futebol brasileiro. Não devemos desprezar o elo de Tite com a CBF e com Caletto. O ex-técnico pode estar colaborando com a transição. Inclusive com indicações ao cargo transitório. Natural. Tite saiu numa boa da entidade. Deixou portas abertas e um arsenal incrível de informações meticulosas sobre o que fez em seis anos e meio de mandato na sala em que dava expediente diariamente na Zona Oeste do Rio de Janeiro.

Fábio Carille, por exemplo, foi um dos homens de confiança dele no Corinthians. É campeão brasileiro. Roger Machado, outro profissional identificado com Tite, está desempregado. Livre no mercado, Rogério Ceni é mais vaidoso. Resta saber se um deles toparia preparar o caminho para Carletto. Ao mesmo tempo em que mexe com o orgulho profissional é uma oportunidade para fazer parte da comissão técnica do italiano em longo prazo em duas competições de ponta: a Copa América 2024 e a Copa do Mundo em 2026. A quem interessar possa, as atribuições do cargo temporário são no mínimo interessantes.

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Marcos Paulo Lima

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