Chelsea x Palmeiras: times brasileiros não fazem mais de 1 gol nos europeus desde a final do Mundial de 1993

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Arte: Kleber Sales/Correio Braziliense

Como diz o hino do atual bicampeão da Libertadores, o Palmeiras nunca precisou tanto de uma “linha atacante de raça” na final do Mundial de Clubes, hoje, contra o Chelsea. Motivo: os times brasileiros viraram samba de um golzinho só em decisões mundiais contra europeus. É assim em vitórias e derrotas há quase 30 anos! A última vez que um finalista brasileiro fez mais de um gol em rival da banda de lá do Oceano Atlântico foi na vitória de 1993 do São Paulo sobre o Milan: 3 x 2. De lá para cá, é um só e olhe lá! Alguns nem isso.

Na era do Mundial da Fifa, os times europeus sofreram mais de um gol na final duas vezes. Em 2007, o Milan bateu o Boca Juniors, da Argentina, por 4 x 2. Em 2016, o Real Madrid também fez 4 x 2 no Kashima Antlers, do Japão.

O sambinha de um golzinho só viciou os times brasileiros a jogarem por uma bola contra europeus. A ofensividade do Flamengo de Zico nos 3 x 0 contra o Liverpool, em 1981; ou do Santos de Pelé contra Benfica (1962) e Milan (1963) mudou de lado desde que a banda de lá derrubou fronteiras, globalizou elencos e passou a montar seleções nacionais. O inglês Chelsea entrou em campo na semifinal contra o Al Hilal, da Arábia Saudita, com 11 estrangeiros.

A balança começou a desequilibrar favorável aos europeus em 15 de dezembro de 1995. Naquele ano, o Tribunal de Justiça da União Europeia permitiu aos trabalhadores comunitários atuar em outro país do Velho Mundo seguindo as normas da Uefa e das federações nacionais. Saía do rascunho a Lei Bosman — referência ao meia belga Jean-Marc Bosman. Ele havia acionado o tapetão a fim de que o Liége o liberasse para o Dunkerque, da França.

De 1960 a 1995, a América do Sul ostentava 21 títulos mundiais contra 14 da Europa. Depois da Lei Bosman, são 22 glórias de times europeus e seis dos sul-americanos. De lá para cá, os times brasileiros sofrem horrores em duelos com adversários do Velho Continente. Não marcam mais de um gol nos confrontos diretos oficiais do Mundial.

Na final de 1995, Ajax e Grêmio empataram por 0 x 0. Os holandeses triunfaram nos pênaltis. Em 1997, o Borussia Dortmund não foi vazado pelo Cruzeiro. O Vasco fez gol no Real Madrid, em 1998, mas tomou dois. O Palmeiras perdeu por 1 x 0 para o Manchester United, em 1999. Grêmio (2017) e Flamengo (2019) não balançaram as redes do Real Madrid e do Liverpool.

Na era do Mundial da Fifa, três clubes brasileiros foram campeões marcando um gol nos europeus: São Paulo (2005), Internacional (2006) e Corinthians (2012) contra Liverpool, Barcelona e Chelsea. Em 2011, o Barcelona impôs 4 x 0 ao Santos, de Ganso e Neymar.

Que a linha atacante de raça do Palmeiras esteja inspirada no gramado em que a luta o aguarda para ir além do sambinha de um golzinho só, faça feliz a torcida que canta e vibra e o alviverde prove que sabe ser brasileiro: ofensivo.

Coluna publicada na edição impressa deste sábado (11.2.2022) do Correio Braziliense.

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Marcos Paulo Lima

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