Cuiaba Melhor ataque da elite, Fla sofreu contra retrancas como a do Cuiabá. Foto: Alexandre Vidal/Flamengo Melhor ataque da Série A, o Flamengo sofreu contra retrancas como a do Cuiabá. Foto: Alexandre Vidal/Flamengo

Brasileirão tem a pior média de gols entre 17 ligas nacionais da Europa e América do Sul

Publicado em Esporte

O futebol brasileiro está ruim da cabeça e doente do pé. Desenvolve, faz tempo, uma enfermidade batizada aqui de “golfobia”. Há uma aversão em solo tupiniquim ao primeiro mandamento do esporte mais popular do mundo: colocar a bola na rede. Quem posa de diferentão, ou seja, desenvolve antídotos ofensivos contra esse mal do século, é rapidamente canonizado ou condenado a ser expulso do paraíso da retranca.

Digo isso com base em um diagnóstico que acabo de concluir. Pesquisei a média de gols do recém-encerrado Campeonato Brasileiro. Em seguida, comparei com a das sete principais ligas nacionais da Europa; e as outras nove da América do Sul. Dezessete no total. A nossa é inferior a todas elas.

A média de gols da Série A do Brasileirão em 2021 é 2,22 por partida — 842 bolas na rede em 380 jogos. O placar mais comum? 1 x 0. Aconteceu 59 vezes. Cada uma das 38 rodadas tem 10 duelos. Logo, é como se todos os confrontos de seis jornadas terminassem com esse paupérrimo resultado.

Isso diz muito sobre as ideias dos técnicos empregados na elite. Joga-se por uma bola. Quando a meta é atingida, o time masoquista prefere sofrer à espera do apito final celebrado como título.

E pensar que amávamos o gol. O arrogante futebol brasileiro adorava criticar ligas europeias. Usava clichês do tipo: “O Campeonato Italiano é catenaccio, a terra da retranca”. Não caia nessa balela. É um desserviço. A Serie A, apelido do principal torneio do País da Bota, foi a mais ofensiva na comparação que fiz entre as sete mais badaladas do Velho Continente. A média na temporada 2020/2021 foi de 3,06 gols por jogo.

Quantas vezes você ouviu alguém soltar que a Bundesliga, popular Campeonato Alemão, é terra de robôs, jogadores com cintura dura. A média de gols da última edição bateu 3,03. Famosa por lapidar Romário e Ronaldo “Fenômeno”, a Eredivisie, nome fantasia do Holandês, registrou 2,99 gols por partida na temporada similar ao Brasileirão.

Há quem menospreze a Ligue 1, o Francês, por considerá-lo extremamente forte fisicamente. Lá, também, a média de gols supera a nossa: 2,76.

Tem quem caia na conversa fiada de que a Premier League ainda vive na era do “Kick and Rush” e dos chuveirinhos. Fake! O Campeonato Inglês, para mim o melhor do mundo, registrou média de 2,69 gols por partida. O Espanhol (2,51) e o Português (2,42) são os menos ofensivos dos sete. Mesmo assim, superam os vergonhosos 2,22 do Brasileirão.

As ligas nacionais da América do Sul jogam na cara da nossa sociedade a pobreza de gols da Série A. Perdemos para Bolívia (3,06), Equador (2,72), Venezuela (2,68), Peru (2,67), Uruguai (2,53), Chile (2,51), Paraguai (2,47), Argentina (2,41) e Colômbia (2,30).

O Brasileirão opera abaixo da linha da miséria em bolas na rede. Está pobre de marré deci. “Golfobia” se combate com bola na rede. É grave a crise!

 

Coluna publicada na edição impressa de sábado (11/12/21) do Correio Braziliense 

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