Neymar: gol no tempo normal, na decisão por pênaltis e festa em casa com a torcida. Foto: Ricardo Stuckert/CBF
O futebol entrou no programa dos Jogos Olímpicos em 1900. Até a noite de 20 de agosto de 2016, apenas três seleções haviam sido campeãs em casa em 116 anos de torneio. Todas no século passado: Grã-Bretanha, em Londres-1908; a Bélgica, em Antuérpia-1920; e a Espanha, em Barcelona-1992. Tá bom pra você? Isso dá a dimensão exata do feito da Seleção Brasileira na vitória épica nos pênaltis, por 5 x 4, sobre a Alemanha depois do 1 x 1 no tempo normal e na prorrogação da decisão da Rio-2016. Não é hexa que se esperava em 2014, mas tem que festejar, sim, a conquista inédita. Você viu no estádio ou pela tevê um feito raríssimo. De quebra, os meninos de Micale evitaram que a Alemanha igualasse o Brasil em número de títulos no Maracanã. Agora, a Seleção tem um título das Olimpíadas, um da Copa América de 1989, um na Copa das Confederações de 2013 e um no Pan do Rio-2007 com a seleção feminina de Marta. Os germânicos ganharam a Copa de 2014 e ouro no feminino, na sexta-feira.
O último país campeão em casa — apesar do separatismo da Catalunha — havia sido a Espanha, em 1992. Luis Enrique, atual técnico do Barcelona, e Pep Guardiola, comandante do Manchester City, jogaram juntos na equipe campeã. Vinte e quatro anos depois, o Brasil quebrou o jejum. Estados Unidos (1996), Austrália (2000), Grécia (2004), China (2008) e a Grã-Bretanha — única anfitriã que passou da fase de grupos antes do título do Brasil — não ganharam a medalha de ouro em casa. O Brasil entrou no seletíssimo grupo.
Palmas para o humilde técnico Rogério Micale. Cobri a saga do ouro do amistoso contra o Japão, em Goiânia, à final aqui no Rio, no Maracanã, e posso testemunhar: Micale foi fiel à sua visão de futebol de ponta a ponta, do início ao fim. Perdeu o Pan de Toronto-2015 sendo ofensivo, amargou o vice no Mundial Sub-20 no mesmo ano, mas o baiano não desistiu de promover a sua revolução. Mais do que a medalha de ouro, Micale deixa como legado o velho jeitinho brasileiro (num bom sentido) de jogar futebol. Velho, mesmo, ao estilo Vicente Feola, comandante verde-amarelo na primeira Copa do Mundo conquistada pelo país, em 1958. No sistema tático 4-2-4 com a bolas nos pés, com quatro atacantes de oficio, que se transforma em um 4-2-3-1 no posicionamento defensivo.
O estilo retrô de Rogério Micale deixa Tite numa fria. O novo técnico da Seleção principal revela nesta segunda-feira sua primeira convocação. O Brasil enfrenta o Equador, em Quito, e a Colômbia, em Manaus, pelas Eliminatórias para a Copa de 2018. O Brasil, que se acostumou ao futebol ofensivo de Micale nos Jogos Olímpicos, está fora da zona de classificação. Ocupa a sexta posição. Hoje, não pegaria nem repescagem. O Brasil de Tite vai precisa de uma pitada do Brasil de Rogério Micale nas duas partidas. É o preço do legado olímpico do inédito ouro.
Quarteto fantástico
Os quatro países campeões olímpicos dentro de casa
» Grã-Bretanha (Londres-1908)
Derrota a Dinamarca por 2 x 0 na decisão no Estádio White City, em Londres, diante de 8 mil torcedores. Chapman e Woodward são os heróis da conquista.
» Bélgica (Antuérpia-1920)
É campeã na final que não terminou. Os anfitriões venciam por 2 x 0, gols de Copée e Larnoe, quando a República Checa abandou a partida em protesto contra as decisões da arbitragem.
» Espanha (Barcelona-1992)
Atuais técnicos de Barcelona e Manchester City, respectivamente, Luis Enrique e Pep Guardiola faziam parte do time que derrotou a Polônia na final, no Estádio Camp Nou, por 3 x 2,
» Brasil (Rio-2016)
Depois do empate por 1 x 1 no tempo normal e na prorrogação, o time comandado por Rogério Micale bate a Alemanha nos pênaltis, por 5 x 4, e conquista o título inédito.
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