Os brasilienses Endrick e Igor Thiago: decisivos na vitória por 3 x 1. Foto: Julio AguilarGetty Images via AFP)
Carlo Ancelotti disse na segunda-feira que estava com a lista final dos 26 convocados para a Copa do Mundo e o time para a estreia contra Marrocos encaminhados. O italiano vai ter de tirar o papel da bandeja de impressão, abrir o arquivo no notebook e dar um F5 na planilha depois da vitória desta terça-feira contra a Croácia por 3 x 1 em Orlando, na Flórida, Estados Unidos. O volante Danilo e os brasilienses Endrick e Igor Thiago, nascidos no DF, mas criados nas cidades goianas vizinhas Valparaíso e Cidade Ocidental, respectivamente, são candidatos a rasurar o documento secreto a ser divulgado em 18 de maio.
Danilo tinha a missão de emular Bruno Guimarães formando par de volantes com Casemiro. Missão dada por Carlo Ancelotti, missão cumprida. O titular da pasta acumula gol e assistências desde a chegada do italiano. O candidato a reserva do craque do Newcastle balançou a rede depois de um contra-ataque com todas as digitais de Carlo Ancelotti: transição rápida da defesa para o ataque com poucos toques e letalidade na finalização.
Leo Pereira desarmou a ação ofensiva da Croácia e passou a bola a Matheus Cunha. O passe milimétrico para do campo de defesa deixou Vinicius Junior no mano a mano como acontece no Real Madrid. Depois de partir em velocidade, ele puxa o freio de mão e os marcadores passam direito. Um deles cai no chão. O jogador eleito Fifa The Best em 2024 rola a bola para o meio da área e Danilo finaliza com perfeição para abrir o placar.
Danilo vai à Copa porque é aberto a evoluir. Era primeiro volante no Palmeiras com Abel Ferreira quando dividia o meio de campo ao lado de Gabriel Menino e de Patrik de Paula. Virou segundo na passagem pelo Nottingham Forest. Um dos caras da pressão na saída de bola no time inglês. Retornou ao Brasil para defender o Botafogo em uma nova versão. É praticamente um meia desde que trabalhou com quem? Davide Ancelotti, o filho do homem. Escrevi aqui no blog no início daquela relação que ele seria catapultado a Seleção.
O Brasil contra-atacou, mas tem uma mania nos 10 jogos sob o comando de Ancelotti: baixa demais as linhas à espera de novas oportunidades. Arriscou e sofreu gol da Croácia. Lentos, Danilo e Marquinhos formavam o par de zagueiros naquele momento. Lovro Majer aproveitou não somente a marcha lenta da dupla como a saída bizarra de Bento. Muito mal!
Quando o empate anunciava mais uma frustração contra a Croácia, eis que surge a estrela de Endrik em mais um duelo contra adversário europeu. Ele havia feito o gol da vitória contra a Inglaterra, em Wembley. Comandou a reação contra a Espanha, em Madri, no empate por 3 x 3. Diante da Croácia, vice-campeã em 2018 e terceira em 2022, sofreu um pênalti questionável. De personalidade forte, pega a bola, não larga e se apresenta para bater. Carlo Ancelotti estabelece hierarquia. Manda Igor Thiago cobrar e o vice-artilheiro do Campeonato Inglês converte. Ele tem 19 gols na Premier League contra 22 de Haaland.
Aqui, um parêntese. Carlo Ancelotti estabeleceu a hierarquia por causa do que aconteceu no empate por 1 x 1 com a Tunísia. Lembra? Estêvão faz o gol do Brasil em cobrança de pênalti. A oportunidade da vitória veio em uma nova penalidade máxima. Estêvão continuava em campo, porém Lucas Paquetá tomou a frente, errou e o Brasil não venceu.
Os candangos voltaram a fazer a diferença no lance do terceiro gol. Recuado, Igor Thiago inicia contra-ataque e aciona Endrick. O iluminado serve o ponta Gabriel Martinelli e o jogador do Arsenal chuta cruzado para consolidar a vitória por 3 x 1.
Igor Thiago bateu 7 pênaltis pelo Brentford nesta temporada e converteu 6
O volante Danilo e os brasilienses criados no Entorno do DF Endrick e Igor Thiago rasuraram a lista de Carlo Ancelotti. Os três deixaram pontos de interrogação na mente do treinador – e o italiano gostou. O trio estará na lista de 55 nomes que devem ser entregues à Fifa até 10 de maio. Constar entre os 26 é um suspense até 18 de maio. Aguardemos…
Chamo a atenção para outros três detalhes. Vinicius Junior foi protagonista no lance genial antes do gol de Danilo. Fez o que dele se espera com requintes de crueldade no mano a mano com os marcadores. Gostei também do chá de revelação de jogadas ensaiadas. Em uma delas, Danilo ajeita a bola para uma cobrança de falta e rola para o meio da área. Matheus Cunha finaliza e o goleiro croata espalma. Em outra, o cruzamento tem o endereço de Casemiro, mas o volante tromba com o goleiro. Sinal de que Ancelotti está preparando armadilhas em tiros livres diretos, indiretos e escanteios nos treinamentos secretos.
Tenho uma preocupação: a Croácia deu espaço aos velocistas do Brasil e cedeu alguns contra-ataques. Como será quando o adversário se posicionar atrás e exigir construção da Seleção, negando qualquer centímetro de gramado para a trupe de Ancelotti? Mesmo derrotada, a Croácia teve 55% da posse de bola contra 45% do time verde-amarelo.
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