Cuiabá era uma criança até outro dia e mandará jogos da Série A na Arena Pantanal em 2021. Foto: Cuiabá
Um dos argumentos para a quantidade exagerada de cidades sede da Copa do Mundo de 2014, e a consequente construção de elefantes brancos, foi ajudar a desenvolver o futebol em regiões periféricas do futebol brasileiro. Seis anos e meio depois da realização do evento da Fifa no pais, o cumprimento da promessa acontece lentamente. Até a ascensão do Cuiabá para a Série A nesta sexta-feira, um terço das arenas deficitárias dependia de favor da CBF para abrigar partidas da primeira divisão do Campeonato Brasileiro. Agora, são três.
Arena Pantanal, Arena das Dunas, Arena da Amazônia e Mané Garrincha, em Brasília, alimentaram durante bom tempo o mercado nebuloso dos chamados promotores de jogos — empresários e investidores de plantão que compravam mandos de campo de pequenos e grandes clubes sob o argumento da boa intenção de movimentar os elefantes brancos da Copa. Clássicos cariocas, por exemplo, perambularam por Cuiabá, Natal, Manaus e Brasília. Em Brasília, o Gama joga no Bezerrão. O Brasiliense desistiu do Mané Garrincha e voltou ao Serejão. Representantes do DF na elite do futebol feminino, Real Brasília e Minas Brasília também preferem estádios menores — Defelê (Vila Planalto) e Bezerrão (Gama), respectivamente. O Capital é o maior interessado em utilizar a principal arena do DF.
Com o sucesso do Cuiabá, a Arena Pantanal, construída por R$ 646 milhões com dinheiro público, é um estádio a menos a depender de favor para figurar na tabela da Série A. Que fique claro: menos por causa do impacto da Copa ou do legado aplicado no Mato Grosso — que volta à elite após 25 anos — e mais devido ao trabalho competente do clube de futebol fundado, em 2001, como escolinha do ex-centroavante Gaúcho (1964-2016), com passagem por Palmeiras e Flamengo. A ascensão do Cuiabá foi esmiuçada, em outubro, pelo nosso repórter Danilo Queiroz em reportagem publicada na edição impressa e no site do Correio.
O projeto do Cuiabá ficou por um triz, em 2013, num jogo aqui em Brasília. Ameaçado de cair para a quarta divisão, o time escapou da queda ao derrotar o Brasiliense por 2 x 1 pela Série C e rebaixou a equipe do Distrito Federal para a quarta divisão. Desde então, a capital do pais amarga oito temporadas consecutivas representada apenas na Série D, última do país.
Dos 12 estádio da Copa do Mundo 2014, três não têm time sequer na Serie B do Brasileirão: Mané Garrincha (Brasília), Arena das Dunas (Natal) e Arena da Amazônia (Manaus)
Enquanto o futebol candango definhava, o Cuiabá ajudava a recolocar Mato Grosso na vitrine com o bicampeonato da Copa Verde (2015 e 2019), nove títulos estaduais em 20 anos, presença nas quartas de final da Copa do Brasil neste ano depois de desbancar o tradicional Botafogo e agora a promoção inédita para primeira divisão do Campeonato Brasileiro.
O último representante de Mato Grosso na primeira divisão havia sido o Operário de Várzea Grande na edição de 1986. O tradicional Mixto foi o último time da capital Cuiabá a participar da primeira divisão. O salto de qualidade do Estado pode ser notado no Ranking Nacional de Clubes e Federações da CBF. Graças ao sucesso de Cuiabá e Luverdense, o Mato Grosso ocupa o 13º lugar na publicação mais recente da entidade. O Distrito Federal, por exemplo, é o 21º. O Luverdense é o melhor ranqueado (40º). Melhor do DF, o Brasiliense ocupa o 94º lugar.
Com a promoção do Cuiabá à elite, a Arena Pantanal receberá pelo menos 38 jogos de ponta no Brasileirão 2021. Com possibilidade de casa cheia se o publico retornar aos estádios neste ano. Na contramão, Natal, Manaus e Brasília continuarão dependendo de favor dos clubes e da CBF para movimentarem seus elefantes brancos. Que o trabalho competente do Cuiabá sirva de exemplo para Brasiliense, Gama e os emergentes Capital e Real Brasília.
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