Aniversariante do dia, Neymar faz 24 anos e batalha na Seleção Brasileira contra o “Complexo de Marta”

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O tempo não para e exerce uma pressão maior do que o esperado sobre o aniversariante do dia, Neymar, que completa 24 anos neste 5 de fevereiro de 2016.

Parece que foi ontem. Em 10 de agosto de 2010, nosso único fora de série na atualidade estreava aos 18 anos e seis meses com a camisa principal da Seleção Brasileira em New Jersey, nos EUA. Precoce, o gênio balançou a rede pela primeira vez em 28 minutos no triunfo por 2 x 0 sobre os ianques. Ajoelhou no gramado, ergueu os dois dedos indicadores para os céus e agradeceu aos deuses da bola pelo cruzamento milimétrico do lateral-esquerdo André Santos em sua cabeça. Começava ali uma era de incertezas.

Neymar debutou na Seleção em um time que tinha tudo para dividir responsabilidades. O meio de campo contava com Paulo Henrique Ganso. No ataque, Robinho e Alexandre Pato. Mas, um a um, os parças desertaram. Neymar virou maior abandonado. De uma hora para outra, era o camisa 10. De uma hora para outra, era o capitão. De uma hora para outra, era o salvador de uma pátria que deitou em berço esplêndido sonhando vingar 1950 e caiu da cama com o pesadelo do 7 x 1 em 2014.

A missão de Neymar até que ia bem até a joelhada de Zúñiga, mas, no fundo, todos nós sabíamos que ele não levaria o Brasil ao hexa aos 22 anos. Muito menos em sua primeira Copa do Mundo. Sinceramente, não sei nem se conseguirá um dia. Temo que Neymar vire Marta, ou seja, que ele quebre todos os recordes possíveis e imaginários com a amarelinha, conquiste cinco ou mais prêmios de melhor jogador do mundo e amargue a frustração de jamais ter sido campeão do mundo. Ambos são fora de série. Contundo, deram o azar de serem ilhas cercadas de jogadores comuns. A geração — tanto masculina quanto feminina — não está à altura de Neymar e de Marta.

Não tenho dúvida de que Neymar será eleito, em breve, melhor jogador do mundo. Não sou nenhum São Tomé para desconfiar que ele pode se tornar o maior artilheiro da história da Seleção nas duas contagens da CBF. Afinal, aos 23 anos, ele já é o quinto maior artilheiro com 46 gols em 69 jogos. Considerando-se apenas partidas contra seleções, o cara que estreou um dia desses só está atrás de Pelé (77), Ronaldo (62), Romário (55) e de Zico (48). Em números absolutos também. Neste ranking, Pelé contabiliza 95 bolas na rede; Ronaldo, 67; Zico, 66; e Romário, 56. A média de gols de Neymar com a amarelinha é de oito por ano pela Seleção. Fazendo uma projeção, Neymar ultrapassará Pelé em 2019. Jovem, pode até se tornar o maior goleador da história das Copas. Participou só de uma e fez quatro gols.

Mas Neymar não é jogador de tênis ou de pôquer, um dos seus passatempos. Escolheu esporte coletivo e depende dos parças para colecionar títulos. Em cinco anos, perdeu a Copa América duas vezes (2011 e 2015), foi medalha de prata nos Jogos Olímpicos de Londres-2012 — terá outra chance no Rio-2016 — e não concluiu a única Copa do Mundo que disputou. Ganhou a Copa das Confederações em 2013 e o Superclássico das Américas em 2011, 2012 e 2014. Torneios irrelevantes e o craque sabe muito bem disso.

Para cravar seu nome na história, Neymar precisa bordar a sexta estrela no peito da Seleção de uma forma jamais vista em mais de 100 anos de história da amarelinha. Romário levou o Brasil ao tetra em 1994, mas tinha ao lado Bebeto e na retaguarda Taffarel, Jorginho, Branco, Dunga, Aldair… Ronaldo carregou o Brasil no colo ao penta em 2002. Entretanto, podia se dar ao luxo de jogar mal. Dividia espaço com Rivaldo, Ronaldinho Gaúcho, Cafu e Roberto Carlos. Seis anos se passaram desde que Neymar estreou e ele segue sozinho. Não surgiu outro “Neymar”.

Pelo jeito, vai continuar sendo assim.

Parabéns, Neymar! E juízo. Principalmente nas declarações do imposto de renda…

TIRA-TEIMA: NEYMAR x MESSI AOS 24 ANOS

» Neymar, 5 de fevereiro de 1992

Jogos por clubes (Santos e Barcelona): 345

Gols: 211

Jogos pela Seleção: 69

Gols: 46

Os 17 títulos

3 Campeonatos Paulistas

3 Superclássicos das Américas

1 Campeonato Espanhol

1 Copa do Brasil

1 Copa do Rei da Espanha

1 Liga dos Campeões da Europa

1 Supercopa da Espanha

1 Supercopa da Europa

1 Mundial de Clubes da Fifa

1 Copa Libertadores da América

1 Recopa Sul-Americana

1 Sul-Americano Sub-20

1 Copa das Confederações

Bola de Ouro Fifa

Nenhuma

» Messi, 24 de junho de 1987

Jogos por clube (Barcelona): 345

Gols: 180

Jogos pela Seleção: 57

Gols: 17

Os 17 títulos

5 Campeonatos Espanhóis

4 Supercopas da Espanha

3 Ligas dos Campeões da Europa

1 Copa do Rei da Espanha

1 Supercopa da Europa

1 Mundial de Clubes da Fifa

1 Mundial Sub-20

1 Ouro nos Jogos Olímpicos de Pequim-2008

Bola de Ouro Fifa

2 (2009 e 2010)

Marcos Paulo Lima

Publicado por
Marcos Paulo Lima

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