A Conmebol sorteou as chaves na noite desta quarta-feira. Foto: Divulgação/Conmebol
Em jejum há três edições consecutivas na Copa Libertadores da América, sem chegar sequer à final, o futebol brasileiro soube na noite desta quarta-feira o caminho dos seus oito representantes na edição de 2017. Botafogo e Atlético-PR entram na segunda fase em busca de vagas para a fase de grupos. Os outros seis — Palmeiras, Santos, Flamengo, Atlético-MG, Grêmio e Chapecoense — estão distribuídos nas oito chaves.
Todos têm a missão de encerrar a abstinência verde-amarela no torneio. O Atlético-MG foi o último clube do nosso país campeão da Libertadores, em 2013. De 2014 para cá deu San Lorenzo (2014), River Plate (2015) e Atlético Nacional (2016). A seguir, o blog faz uma análise grupo a grupo do sorteio da Conmebol com base em história e curiosidades dos 47 candidatos ao título.
Grupo 1
» Atlético Nacional (Colômbia)
» Estudiantes (Argentina)
» Barcelona (Equador)
» Botafogo, Colo Colo, Olimpia (Paraguai) ou Independiente del Valle (Equador)
Na segunda fase, o Botafogo terá pela frente um velho carrasco. Campeão da Libertadores em 1991 e com 32 participações no currículo, o time chileno desbancou o alvinegro carioca no triangular semifinal da Libertadores de 1973. Além de Botafogo e Colo Colo, a chave tinha o Cerro Porteño, do Paraguai. Além de se vingar do Colo Colo, o Botafogo terá de desbancar o bicampeão Olimpia, do Paraguai, ou o atual vice, Independiente del Valle, para ter acesso ao Grupo 1 — um dos mais difíceis da próxima edição. O Atletico Nacional, da Colômbia, é o atual campeão. Levou o título em 1989 e 2016. Deve manter o excelente técnico Reinaldo Rueda. O elenco sofre constantes metamorfoses, mas o time continua bom. Tetra continental, o Estudiantes, da Argentina, tem o peso da camisa campeã em 1968, 1969, 1970 e 2009. O presidente Verón pensa em voltar a jogar sob o comando de Nelson Vivas, ex-jogador da seleção argentina. O Barcelona, de Guayaquil, tem no currículo dois vice-campeonatos nas edições de 1990 e de 1998. O campeão equatoriano bate o ponto na Libertadores pela 24ª vez.
Grupo 2
» Santos
» Independiente Santa Fe (Colômbia)
» Sporting Cristal (Peru)
» Unión Española (Chile) ou Cerro (Uruguai)
Vice-campeão brasileiro, o Santos não deve esperar vida fácil na caça ao tetra. Campeão em 1962, 1963 e 2011, o Peixe vai se digladiar com um Independiente Santa Fe em ascensão nos últimos anos. São dois vices no currículo, em 1961 e em 2013, e o título da Copa Sul-Americana em 2015. O Sporting Cristal, do Peru, não é mais o mesmo da decisão de 1997 contra o Cruzeiro, mas merece o devido respeito. Lembram do centroavante Martín Palermo, aquele do Boca Juniors, que perdeu três pênaltis no mesmo jogo com a camisa da Argentina na Copa América de 1999? É o técnico do Unión Española, campeão do Torneio Clausura do Chile. Talvez, a única mamata da chave seja o Cerro, do Uruguai, A terceira participação na Libertadores se dá devido ao terceiro lugar na classificação geral do Campeonato Uruguaio.
Grupo 3
» River Plate (Argentina)
» Emelec (Equador)
» Independiente Medellín (Colômbia)
» Melgar (Peru)
Tricampeão em 1986, 1996 e 2015, o River Plate participa da Libertadores pela 33ª vez graças ao título da Copa da Argentina em cima do Rosário Central. O time vai ser comandado mais uma vez por Marcelo Gallardo, que esteve cotado para assumir a seleção da Argentina após a saída de Gerardo “Tata” Martino. Rebaixado no início desta década, o River Plate ressurgiu imponente conquistando seis títulos: Campeonato Argentino Série B, Campeonato Argentino, Copa da Argentina, Libertadores, Copa Sul-Americana e Recopa Sul-Americana. Portanto, tem que respeitar. Semifinalista em 1995, o Emelec, do Equador, é um velho conhecido do torneio. Está na festa pela 26ª vez e sempre dá um trabalho danado. Campeão do Torneio Apertura deste ano na Colômbia, o Independiente Medellín, arquirrival do Atlético Nacional, entra na Libertadores pela sétima vez. Foi semifinalista em 2003, eliminado pelo Santos do técnico Émerson Leão e dos meninos da Vila, Diego e Robinho. Acabou de trocar o técnico Leonel Álvarez pelo argentino Luis Zubeldia. O Melgar, do Peru, é o fiel da balança. Entrou no torneio pela quarta vez. O time da cidade de Arequipa jamais foi além da fase de grupos.
Grupo 4
» San Lorenzo (Argentina)
» Universidad Católica (Chile)
» Flamengo
» Atlético-PR, Millonarios (Colômbia), Universitario (Bolívia), Táchira (Venezuela) Capiatá (Paraguai)
Na minha opinião, divide com o Grupo 1 o status de chave mais forte da Libertadores. Recordista brasileiro de eliminações na primeira fase, com quatro, as duas últimas nas últimas duas participações (2012 e 2014), o Flamengo tem que se cuidar contra adversários tradicionais. O San Lorenzo, que derrotou o time carioca na final da Copa Mercosul de 2001, agora tem também a estrela de campeão da Libertadores em 2014. O clube argentino, atual vice-campeão nacional, participa do torneio continental pela 15ª vez. É comandado por um técnico que conhece times brasileiros: Diego Aguirre. O uruguaio levou o Internacional às semifinais em 2015 e o Atlético-MG às quartas na edição passada. O San Lorenzo chegou às semifinais da Copa Sul-Americana deste ano e foi eliminado pela Chapecoense graças a uma defesa histórica de Danilo nos acréscimos, na Arena Condá. Vice-campeã em 1993 diante do São Paulo, a Universidad Católica, do Chile, tem tradição na Libertadores. Participa pela 25ª vez. É a terceira vez que se encontra com o Flamengo na fase de grupos. Em 2010, perdeu no Maracanã por 2 x 0 e venceu em casa pelo mesmo placar. Em 2002, em uma das eliminações do Flamengo na fase de grupos, venceu as duas partidas e o Flamengo terminou lanterna. O pior cenário para o clube carioca é a entrada do Atlético-PR na chave. O Furacão foi vice em 2005 e tem um técnico bicampeão do torneio, Paulo Autuori (1997 e 2005). Em reformulação, o Millonarios chegou às semifinais em 1960, 1973 e 1974. O Universitario, da Bolívia, avançou às oitavas de final em 2015. Clube mais tradicional da Venezuela, o Deportivo Táchira tem no currículo a participação nas quartas de final de 2004. O Deportivo Capiatá, do Paraguai, é estreante. No post anterior, mostrei que estreantes não ganham o título desde 1985. O grupo é forte. O Flamengo pode comemorar apenas a possibilidade de viagens pouco desgastantes, com voos diretos a Buenos Aires, Santiago e provavelmente a Curitiba.
Grupo 5
» Peñarol (Uruguai)
» Palmeiras
» Jorge Wilstemann (Bolívia)
» Carabobo (Venezuela) ou Junior Barranquilla (Colômbia)
Campeão uruguaio, o Peñarol divide com o arquirrival Nacional o status de recordista de participações na Libertadores entre os 47 clubes da edição de 2017. Campeão em 1960, 1961, 1966, 1982 e 1987, é o principal adversário do Palmeiras, vencedor do torneio continental em 1999. Encontros do Palmeiras com o Peñarol são normais. Foi assim em 1961, 1968, 1973, 2000 e em 2014. Se os duelos com o campeão prometem ser duros, o campeão brasileiro deve comemorar o fato de escapar da altitude de La Paz. O Jorge Wilstemann, semifinalista na edição de 1981, é de Cochabamba. Campeão do Torneio Clausura, participa da Libertadores pela 17ª vez. O elenco conta com Thomaz Santos, ex-jogador do Brasiliense, camisa 10 do time boliviano. O terceiro integrante da chave pode ser o estreante Carabobo, da Venezuela, ou o tradicional Junior Barranquilla, semifinalista em 1994. Quanto ao Carabobo, repito o que já disse no post anterior: é estreante, e estreantes não ganham o título desde 1985.
Grupo 6
» Atlético-MG
» Libertad (Paraguai)
» Godoy Cruz (Argentina)
» Sport Boys (Bolívia)
Eis um time que começou com sorte de campeão. Aliás, de bicampeão. Vencedor do torneio continental em 2013, o Galo participa da Libertadores pela nona vez ciente de que o início da campanha promete ser muito tranquilo. O Libertad, do Paraguai, é um adversário complicado. Campeão do Torneio Apertura em 2016, chegou às semifinais em 1977 e em 2006. É comandado por um técnico catalão, Fernando Jubero, 42 anos, com passagens por Guaraní e Olimpia. Quarto colocado no Campeonato Argentino, o Godoy Cruz participa da Libertadores pela terceira vez. Nas duas presenças anteriores, em 2011 e em 2012, caiu na primeira fase. O Sport Boys, que um dia fez barulho no mundo da bola ao negociar a contratação do presidente da Bolívia, Evo Morales, é o campeão do Torneio Apertura da Bolívia, e um dos seis estreantes na competição continental.
Grupo 7
» Nacional (Uruguai)
» Chapecoense
» Lanús (Argentina)
» Zuliá (Venezuela)
A possibilidade de a Chapecoense ir além da fase de grupos é grande. O elenco está sendo remontado depois da tragédia aérea, é verdade, mas, em tese, a briga pela segunda vaga é contra o Lanús e o tradicional Nacional. O clube uruguaio divide com o Peñarol o status de recordista de participações (44) no torneio entre os classificados para a edição de 2017. Tricampeão em 1971, 1980 e 1988, o Nacional é comandado por Martín Lasarte, campeão da Libertadores e da Copa Intercontinental pelo clube como jogador em 1988. A Chapecoense vai tentar repetir os feitos de Santos (1962), Estudiantes (1968), Flamengo (1981) e Argentinos Juniors (1985), campeões no ano em que estrearam. Atual campeão argentino, o Lanús participa pela sexta vez. A melhor campanha foi nas quartas de final de 2014. O clube tem no currículo dois títulos continentais: a Copa Mercosul de 1996 e a Copa Sul-Americana de 2013. Vice-campeão Venezuelano, o Zulia é estreante. Não deve brigar sequer pelo terceiro lugar da chave, que dá direito a disputar a Copa Sul-Americana de 2017.
Grupo 8
» Grêmio
» Guaraní (Paraguai)
» Zamora
» Iquique
O campeão da Copa do Brasil se deu bem no sorteio de sua 17ª participação na Copa Libertadores da América. Tem tudo para nadar de braçada. Campeão em 1983 e 1995, o tricolor conta com o técnico Renato Gaúcho, vice-campeão em 2008 pelo Fluminense. O Guaraní, do Paraguai, é o mais temido da chave. Chegou às semifinais em 1966 e em 2015. O Zamora, da Venezuela, entra no baile pela quarta vez. Jamais passou da primeira fase em 2012, 2014 e 2015. O Deportes Iquique, do Chile, estreou no torneio em 2013 e foi reprovado logo na primeira fase. Se brincar, o Grêmio vai terminar a primeira fase com a melhor campanha no geral. Na minha opinião, tem tudo para terminar com 100% de aproveitamento.
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