O volante Andreas Pereira celebra gol de sua provável despedida do Flamengo. Foto: Daniel Muñoz/AFP
Mudar o maquinista com o bonde andando tem preço. Viciado em demitir o técnico da fase de grupos e iniciar o mata-mata sob a batuta de outro profissional, o Flamengo não poderia esperar um resultado diferente do que muito sofrimento contra o Deportes Tolima. Sucessor de Abel Braga em 2019, Jorge Jesus perdeu para o Emelec por 2 x 0 na ida das oitavas, em Guayaquil. Substituto de Domènec Torrent, Rogério Ceni arrancou 1 x 1 com o Racing, na Argentina. Herdeiro de Ceni, Renato Gaúcho superou o Defensa y Justicia no sufoco. O triunfo a fórceps do estepe de Paulo Sousa seguiu o roteiro de angústia nesta quarta-feira.
A estreia do Flamengo nas oitavas de final deste ano da Libertadores sob o comando de Dorival Júnior lembrou a de Renato Gaúcho contra o Defensa y Justicia na edição do ano passado: desfalcado e mal escalado nas duas ocasiões, o time rubro-negro teve mais sorte do que juízo e contou com protagonistas improváveis: Michael, na Argentina, e a Família Pereira nesta quarta-feira contra o Deportes Tolima, em Ibagué, na Colômbia. Há outras coincidências. Em 2021, Diego Alves saiu de campo como um dos melhores. Dessa vez, o recém-chegado Santos assumiu o papel de milagreiro. Resta saber se o clube carioca repetirá o roteiro da versão passada e caminhará rumo à terceira final em quatro anos edições, em 29 de outubro, no Monumental, em Guayaquil, no Equador.
O resultado do jogo de ida agrada os rubro-negros. A vitória por 1 x 0 dá o benefício do empate na próxima quarta-feira, no Maracanã. O desempenho não entusiasma. Sendo sincero, o Flamengo não apresentou futebol para retornar ao Brasil em vantagem. Portanto, é arriscado afirmar que a vaga está encaminhada. Basta recordar o seguinte: o Tolima derrotou o Atlético-MG por 2 x 1 na última rodada da fase de grupos, em Belo Horizonte.
Dorival Júnior tinha muitos desfalques. Oito baixas causadas por lesões, suspensões e o surto de covid-19. Entre eles, Diego Alves, Rodrigo Caio, Willian Arão e João Gomes. Apesar dos problemas em série, havia opções melhores do que Diego no papel de volante e Filipe Luís na defesa. Não acho o lateral-esquerdo descartável a essa altura da carreira. Vejo a possibilidade de reinventá-lo no meio de campo.
O técnico errou, mas também acertou ao apostar em Rodinei — destaque do primeiro tempo —, e na Família Pereira. Léo e Andreas dividiram o protagonismo com o goleiro Santos. O zagueiro interceptou até pensamento na melhor exibição com a camisa rubro-negra. O volante marcou o golaço da vitória. Se não permanecer, fará falta ao sistema projetado por Dorival Júnior. A Família Pereira é marcada no clube. Andreas pela falha cometida contra o Palmeiras na decisão da Libertadores. Léo por causa do erro no primeiro jogo da decisão do Campeonato Carioca deste ano contra o Fluminense.
A atuação do goleiro Santos devolve a tranquilidade aos torcedores. Sim, ele vacilou em uma saída de bola, mas foi providencial em pelo menos quatro intervenções providenciais. Amenizou a crise provocada pelas exibições irregulares do jovem Hugo Souza e do experiente Diego Alves. O Flamengo buscou Santos no Athletico-PR para assumir a trave e definitivamente marcou território com a exibição segura contra o Tolima.
O triunfo em Ibagué é importantíssimo, óbvio, mas Dorival Júnior retorna ao país com mais problemas do que solução. Quem assumirá o papel de Andreas Pereira? David Luiz tem vaga cativa na zaga? Pondero que ele não costuma atuar bem na direita da defesa e até por isso pode ter sido prejudicado. Thiago Maia entra e sai do time, mas continua sem dizer a que veio depois das juras de amor ao clube. Gabriel Barbosa e Everton Ribeiro merecem a “intocabilidade” nesse momento ou é melhor abrir mão de um deles para para finalmente inserir o centroavante Pedro na panelinha? Não é um quebra-cabeça fácil de montar.
Em reconstrução depois da troca de Paulo Sousa por Dorival Júnior, o Flamengo é paciente de uma terapia que ensina a viver um jogo de cada vez. O time precisa retomar contra o Santos, na Vila Belmiro, o distanciamento da zona de rebaixamento e a sonhada escalada rumo ao G-4. Paralelamente, conseguiu se manter vivo em dois jogos de ida de mata-mata disputados fora de casa contra Atlético-MG e Tolima na Copa do Brasil e Libertadores, respectivamente. Em meio a isso tudo, é preciso acelerar a evolução do trabalho.
Siga no Twitter: @marcospaulolima
Siga no Instagram: @marcospaulolimadf
A repetição é a mãe da retenção. Abel Ferreira manteve a escalação inicial do…
Gustavo Marques conseguiu piorar uma das semanas mais vergonhosas do futebol nesse sábado na eliminação…
A tolerância zero com técnicos de futebol chegou ao futebol feminino. Atual pentacampeão da…
As entrevistas coletivas de Filipe Luís são ótimas. Dificilmente deixam perguntas sem respostas. No entanto,…
Luiz Carlos Souza tinha um tabu pessoal. O técnico do Gama jamais havia passado da…
O Botafogo acumula seis derrotas consecutivas na temporada. Perdeu duas vezes para o Fluminense e…