A “via dolorosa” de Adenor Leonardo Bachi, o Tite, até a Copa do Mundo do Qatar-2022

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Em tempos de Páscoa, Adenor Leonardo Bachi é quem precisa tirar coelhos da cartola. Aos 59 anos, Tite vive, talvez, a maior encruzilhada da carreira. A 597 dias da Copa do Qatar-2022, a Seleção não pode ser convocada. Consequentemente, não treina nem joga. A safra de jogadores não é a pior, mas está muito aquém da excelência que o país produzia até pouco tempo. Há uma base do sexto lugar na Rússia e do nono título da Copa América, em 2019. Porém, alguns discípulos do mestre estão em crise. Procura-se novo time titular para as Eliminatórias.

O processo seletivo da América do Sul para o Mundial está suspenso. O Brasil tem culpa nisso. É o epicentro da pandemia no planeta. Na semana passada, deveria ter enfrentado a Colômbia, em Barranquilla, e a Argentina, no Recife. Tite vive o avesso do que protagonizou na estreia.

Em 1º de setembro de 2016, goleou o Equador por 3 x 0, na altitude de Quito. Escalou Alisson; Daniel Alves, Marquinhos, Miranda e Marcelo; Casemiro, Paulinho e Renato Augusto; Willian (Philippe Coutinho), Gabriel Jesus e Neymar. Dez deles enfrentaram a Suíça no primeiro jogo da Copa 2018. As exceções: Daniel Alves (cortado) e Marquinhos, reserva na Rostov Arena.

O novo ponto de partida foi a Copa América 2019. Mas aquele time-base também obriga Tite a reinventá-lo. Daniel Alves não é mais lateral-direito. Aos 36 anos, Thiago Silva lida com lesões. Arthur perdeu o foco dentro e fora de campo. Trocou o Barcelona pela Juventus fazendo bico, mas não joga bem faz tempo e foi flagrado em festa clandestina na Itália. Éverton Cebolinha não é, no Benfica, aquele do Grêmio. Philippe Coutinho era reserva no Bayern de Munique, e o Barcelona tenta se livrar dele. Na França, Neymar não para de apanhar e de se machucar.

O processo seletivo da América do Sul para o Mundial está suspenso. O Brasil tem culpa nisso. É o epicentro da pandemia no planeta.

O Brasil só jogou quatro vezes depois do início da pandemia. As principais seleções do Velho Mundo foram a campo, no mínimo, em 10 oportunidades. Atual campeã mundial, a França disputou 11 partidas. A Europa ganhou as últimas quatro copas com Itália (2006), Espanha (2010), Alemanha (2014) e França (2018). A tendência é de que o novo normal aumente a superioridade das potências do lado de lá sobre as de cá do Oceano Atlântico. Se houver Copa, Argentina, Brasil e Uruguai dificilmente impedirão o quinto título europeu consecutivo.

A Seleção foi eliminada por França, Holanda, Alemanha e Bélgica nas últimas quatro edições. Arrisca chegar ao Qatar sem duelar com as potências do Velho Mundo. Depois da queda em 2018, enfrentou apenas um adversário europeu — a República Tcheca (42ª no ranking).

Alguém crucificará Tite lembrando que Luiz Felipe Scolari levou o Brasil ao penta, em 2002, com 365 dias de trabalho. Sim, mas, naquela época, a safra tinha Cafu, Roberto Carlos, Gilberto Silva, Ronaldinho Gaúcho, Rivaldo, Ronaldo… Quando tentou repetir o milagre na Copa 2014 com uma safra semelhante à de Tite, protagonizou o maior vexame canarinho.

*Artigo publicado na edição impressa deste sábado (2/4) do Correio Braziliense.

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Marcos Paulo Lima

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