A última entrevista que fiz com Valdir Espinosa, técnico campeão candango pelo Brasiliense em 2005

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Era 18 de março de 2014. Preparava matéria para o Correio Braziliense sobre o jogo do Flamengo contra o Bolívar, na altitude de La Paz, pela Copa Libertadores da América. Chamei o técnico Valdir Espinosa no bate-papo de uma rede social e ele prontamente atendeu para contar como conseguiu levar o Grêmio ao triunfo na capital boliviana no início da campanha do título continental de 1983.

Gaúcho de Porto Alegre, Espinosa, que morreu nesta quinta-feira, aos 72 anos, adorava conversar sobre tática de futebol. Jamais negou pedido de entrevista. Naquele dia, enviou um dossiê sobre a operação de guerra do Grêmio na viagem até La Paz. Atencioso e detalhista, mandou até o link de um vídeo gravado por ele no YouTube com detalhes da vitória por 2 x 1 (assista abaixo). “Aí está um vídeo que fiz em julho de 2013 sobre este jogo. Acho que pode te ajudar”, escreveu. Questionado se o Flamengo de Jayme de Almeida poderia repetir o feito do Grêmio, Espinosa respondeu: “Sendo inteligente, pode”. O time carioca perdeu por 1 x 0 lá, empatou por 2 x 2, no Maracanã, e foi eliminado na fase de grupos.

Passado desastroso do Flamengo à parte, escrevi o post sobre a tática de guerra do Grêmio, mandei o link para Valdir Espinosa e ele respondeu cheio de alegria depois de ler o texto. “Muito legal. Obrigado por teres valorizado o vídeo”, disse o treinador, que será lembrado para sempre como o cara que levou o Grêmio aos títulos da Libertadores e do Mundial, em 1983; e tirou o Botafogo da fila no Campeonato Carioca de 1989. Foi a última conversa com ele.

“Muito legal. Obrigado por teres valorizado o vídeo”

Valdir Espinosa, sobre o post do blog em 2014 sobre a vitória do Grêmio na altitude de La Paz

As minhas primeiras entrevistas com Valdir Espinosa foram por telefone, quando comecei no Torcida, caderno de Esportes do Jornal de Brasília. Até que nos conhecemos pessoalmente, em 2005, quando ele desembarcou no Aeroporto Internacional Juscelino Kubitschek para assumir o Brasiliense no Candangão; administrar as vaidades dos meias Marcelinho Carioca e Iranildo, e armar o time para o Campeonato Brasileiro daquele ano.

Dos nove títulos locais do Brasiliense, o segundo tem a assinatura dele. Em 17 de abril de 2005, um gol de Iranildo, um de Igor e outro de Tiano garantiram o título candango na vitória por 3 x 0 sobre o Gama. Além de Rio e Brasília, Espinosa foi campeão estadual no Paraná por Londrina (1981) e Athletico-PR (2002) e no Rio Grande do Sul à frente do Grêmio (1986).

Edinho Nazareth, o Edinho, levou o Brasiliense ao título da Série B em 2004, mas foi Valdir Espinosa quem comandou o time na inédita partida na primeira divisão do Brasileirão, em 24 de abril de 2005, no velho Mané Garrincha. Empate por 2 x 2 com o Vasco dentro das quatro linhas e derrota no tapetão. O STJD havia condenado o time candango a jogar com portões fechados. O presidente Luiz Estevão peitou a decisão, comercializou ingressos e perdeu o ponto da partida nos tribunais, para tristeza de Valdir Espinosa. O mandatário do Vasco à época era Eurico Miranda.

Minha manhã ficou triste ao saber da morte do Valdir Espinosa. Um dos melhores treinadores com quem trabalhei. Só tenho boas lembranças dele no Brasiliense. Um grande homem de um caráter ímpar. Fica a saudade! Meus sentimentos à família e que ele siga seu caminho de luz”

Iranildo, maior ídolo do Brasiliense

O Brasiliense entrou em campo contra o time cruz-maltino naquele jogo histórico com: Donizetti; Dida, Gérson, Jairo e Márcio (Rochinha); Deda, Pituca, Iranildo, Marcelinho Carioca; Igor e Giovani (Tiano). Giovanni abriu o placar, Romário empatou, Alex Dias virou, mas Tiano igualou novamente. Depois de um início ruim, ele perdeu o emprego e foi substituído por Joel Santana.

Maior ídolo da história do Brasiliense, o meia Iranildo falou ao blog sobre a morte  do técnico que conheceu no Botafogo e foi seu chefe no Brasiliense. “Minha manhã ficou triste ao saber da morte do Valdir Espinosa. Um dos melhores treinadores com quem trabalhei. Só tenho boas lembranças dele no Brasiliense. Um grande homem de um caráter ímpar. Meus sentimentos à família e que ele siga seu caminho de luz”, disse o camisa 10.

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Marcos Paulo Lima

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