Tite anunciou que deixará o cargo depois da Copa do Mundo do Qatar. Foto: Franck Fife/AFP
Estão abertas as disputas por dois cargos relevantes no país do futebol: a presidência da República e técnico da Seleção. Escreverei sobre eleições no momento oportuno. O assunto ameno de hoje é a sucessão de Tite. Ele deixará o cargo depois da Copa. Faz-se um baita lobby por nomes como Pep Guardiola e Jorge Jesus. Não sou contra a contratação de técnico estrangeiro. Defendi e apoio a sueca Pia Sundhage. Faz bom trabalho na Seleção feminina. Só acho absurdo, desrespeitoso até, descartar alguns profissionais nacionais. Será que realmente não temos um nome capaz de assumir a rapaziada?
Uma lembrança. O Brasileirão tem oito técnicos importados, mas os últimos dois campeões são santos de casa. Em 2020, Rogério Ceni levou o Flamengo ao bi. No ano passado, Cuca protagonizou o Triplete do Galo: Mineiro, Copa do Brasil e Série A. São fracos? Não.
Cuca tem repertório variado de bons trabalhos. O último deles, de alto nível. Livrou Goiás e Fluminense do rebaixamento de maneira épica em 2003 e 2009, respectivamente. Guiou o Atlético-MG ao inédito título da Libertadores, em 2013, domando vestiário liderado por Ronaldinho Gaúcho. Encerrou a fila de 16 anos do Palmeiras na elite em 2016. Deu fim à abstinência de 50 anos do Atlético-MG no Brasileirão. Protagonizou o milagre de levar um modesto Santos ao vice continental em 2020. Perdeu a final para o Palmeiras devido ao destempero no fim do jogo. Instabilidade psicológica, sim, joga contra Cuca.
Falta de humildade, não. Desempregado em 2019, tirou o chapéu para os Jorges Jesus e Sampaoli. Em vez de menosprezar, minimizar ou relativizar o sucesso dos gringos, aprendeu com eles. “Acho o Sampaoli mais tático. Quando você vai jogar contra o time dele no domingo, não adianta assistir ao jogo da quarta. Não dá para amarrá-lo. O Jorge Jesus é diferente: ele tem uma filosofia de jogo e conseguiu fazer os jogadores do Flamengo terem harmonia com isso. Conseguiu fazer com que os jogadores tenham ambição de buscar a bola o tempo todo no ataque”. Os times de Cuca costumam competir e entreter.
Rogério Ceni é viciado em futebol. Workaholic. Foi vaidoso ao começar por cima no São Paulo, mas humilde ao dar passo atrás e evoluir no Fortaleza. Afoito ao trocar o Leão pelo Cruzeiro. Convicto ao assumir o Flamengo, administrar vaidades em um vestiário de “seleção” e empilhar quatro troféus no clube. Em dois anos, foi campeão da Série B pelo Fortaleza e da A no Flamengo.
Importado ou nacional, o cargo demandará do sucessor resiliência. Em seis anos, Tite teve de lidar com quatro presidentes da CBF diferentes, o fogo-amigo do calendário, enfrentar só uma seleção europeia em ciclo de Copa, submeter-se a duas Copas Américas em casa por arranjos políticos… Sem contar supostas tentativas do Palácio do Planalto de puxar o tapete dele e alçar o bom Renato Gaúcho. Guardiola, Jesus e outras grifes suportariam essas insanidades? Por essas e outras, Tite merece o hexa.
*Coluna publicada no último sábado (16.5.2022) na edição impressa do Correio Braziliense.
Siga no Twitter: @marcospaulolima
Siga no Instagram: @marcospaulolimadf
A repetição é a mãe da retenção. Abel Ferreira manteve a escalação inicial do…
Gustavo Marques conseguiu piorar uma das semanas mais vergonhosas do futebol nesse sábado na eliminação…
A tolerância zero com técnicos de futebol chegou ao futebol feminino. Atual pentacampeão da…
As entrevistas coletivas de Filipe Luís são ótimas. Dificilmente deixam perguntas sem respostas. No entanto,…
Luiz Carlos Souza tinha um tabu pessoal. O técnico do Gama jamais havia passado da…
O Botafogo acumula seis derrotas consecutivas na temporada. Perdeu duas vezes para o Fluminense e…