A noite em que o Botafogo, como diz o hino, foi “nosso imenso prazer”

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New Jersey (EUA) — Nilton Santos atualizou a enciclopédia. Mané Garrincha assistiu, lá do céu, chamando cada marcador de “João”. Túlio achou uma maravilha. Donizete sentiu alma de pantera no time. Abreu considerou coisa de “loco”. Jairzinho viu um “furacão” passar pelo Rose Bowl, em Pasadena. Didi, o Príncipe Etíope, testemunhou, em outro plano, o Botafogo abalar o reinado do atual campeão da Champions League na vitória por 1 x 0 na segunda rodada da Copa do Mundo de Clubes da Fifa. Está encerrado o jejum de 4.568 dias dos clubes brasileiros em partidas oficiais contra europeus. O último êxito havia sido do Corinthians contra o Chelsea na conquista de 2012.

Foi um tributo do Botafogo a todos os ídolos do passado. Heróis em cada jogo que suaram bicas para construir uma história centenária maltratada até pouco tempo com três rebaixamentos para a segunda divisão do Campeonato Brasileiro. O alvinegro ressurgiu gigante sob a gestão controversa do investidor estadunidense John Textor. Curiosamente, o empresário teve o dia da vingança contra um entre tantos desafetos.

O dono da Sociedade Anônima do Futebol (SAF) respondeu na bola ao proprietário do Paris Saint-Germain depois de ter sido atacado por Nasser Al-Khelaifi em um áudio vazado do dirigente catari numa reunião da Ligue 1, o Campeonato Francês, onde Textor toca o Lyon, outro time da Eagle Football Holdings.

“John, cala a boca, você não entende nada. Você é um caubói que veio não sei de onde e vem falar conosco”, disparou Khelaifi, em fevereiro deste ano. “Estou saindo desta ligação porque ele realmente vai me deixar com raiva, juro, estou perdendo meu tempo, estou saindo da reunião, ele não entende nada, juro”, completou o cartola árabe no conteúdo divulgado pelo diário especializado em esportes L’Équipe.

O PSG acaba de protagonizar a maior goleada na história de uma final da Champions League. Fez 5 x 0 na Internazionale no Allianz Arena, em Munique. O atual campeão da Libertadores honrou o patch de campeão da América do Sul e do Brasileirão ostentado no uniforme. Igor Jesus fez o gol da vitória, mas a menção honrosa vai para o jovem Jair, de 23 anos, e o experiente Alexander Barboza, 30. Como a dupla de zaga jogou bola! Vitinho e Alex Telles zelaram pelas laterais. Encurtaram espaço.

Não é fácil convencer 11 titulares a defender e atacar com a mesma entrega no futebol moderno. De uma forma equilibrada e obediente ao plano de jogo. Renato Paiva interpretou o adversário. Explorou as raras fragilidades e arrancou elogios sinceros do técnico Luis Enrique. “Foi a equipe que melhor se defendeu contra nós, foi difícil a cada momento criar situações de gol. É o tipo de jogo que a gente conhece, sim, mas tivemos dificuldade”, admitiu bicampeão europeu com o Barcelona e o PSG.

Em meio à crise da Seleção Brasileira, o Botafogo lavou a alma nacional e mostrou aos europeus na Copa do Mundo de Clubes que há, sim, times na América do Sul capazes de vencê-los.

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Marcos Paulo Lima

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Marcos Paulo Lima
Tags: Botafogo Copa do Mundo Copa do Mundo de Clubes Paris Saint-Germain PSG

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