Zé Rafael e Endrick comandaram a vitória contra o Internacional. Foto: Cesar Greco/Palmeiras
O fator Endrick neste Campeonato Brasileiro lembra o protagonismo de pelo menos três jovens promessas no século 21. Em 2002, Robinho e Diego encantaram o país e levaram o Santos ao título contra o Corinthians na última edição da Série A com final antes da era dos pontos corridos. O arco Diego tinha 17 anos. A flecha Robinho havia completado 18. Eram os meninos da Vila em ação. Na campanha de 2016, Gabriel Jesus virou o queridinho da torcida do Palmeiras no fim da fila de 22 anos. Fez 12 gols aos 19 anos. Muitos deles decisivos sob o comando do técnico Cuca.
O brasiliense Endrick vira o Campeonato Brasileiro de ponta cabeça aos 17 anos. Assim como Robinho, Diego e Gabriel Jesus foram um dia, ele é a nova joia do país. Convocado pelo técnico Fernando Diniz para os jogos da Seleção contra Colômbia e Argentina pelas Eliminatórias para a Copa de 2026. Graças a ele, a Série A tem um líder temporário. O Palmeiras dorme no topo com 62 pontos. O atual campeão soma três a mais do que Botafogo e Grêmio. Ambos entrarão em campo neste domingo contra Red Bull Bragantino e Corinthians, respectivamente.
Endrick divide com Luis Suárez a candidatura a ponto de desequilíbrio do Brasileirão. O atacante do Palmeiras tem cinco gols nos últimos 10 jogos. Encara adversários veteranos como se tivesse a idade e a experiência deles. Não se intimidou com os marcadores do São Paulo, Bahia, Botafogo, Athletico-PR, Flamengo e Internacional. O moleque é um touro atrevido como um dia foi o jovem Coutinho no Santos. O menino da Vila arrematou a artilharia da Taça Brasil em 1962 aos 19 anos e 10 meses.
O diamante do Palmeiras não briga pela artilharia. Contabiliza nove gols. Todos eles tão importantes como o desse sábado na vitória contra o Internacional. Endrick acumula mais gols no Brasileirão do que nomes badalados. Cano tem sete. Pablo também. Luciano, Yuri Alberto, Vegetti estão abaixo de Endrick no ranking.
O atacante justifica a queima de etapas na carreira. O moleque tem idade para disputar o Mundial Sub-17 na Indonésia. O Brasil precisava dele. Perdeu de virada para o Irã na estreia, por 3 x 2. Ramon Menezes não contou com ele no Mundial Sub-20 da Argentina e muito menos na conquista da medalha de ouro nos Jogos Pan-Americanos de Santiago-2023. Fernando Diniz catapultou o menino à Seleção principal.
Há influência de Abel Ferreira na evolução. Resistiu à pressão e inseriu o jovem gradativamente no time titular. Ele quase classificou o time para a final da Libertadores contra o Boca Juniors. Entrou bem na partida. Comandou a virada épica contra o Botafogo, por 3 x 2. Arrastou marcadores e deu assistência para Breno Lopes antes de o Flamengo abrir o placar, no Maracanã. A história do jogo seria outra caso o parceiro de ataque aproveitasse o passe decisivo.
O Palmeiras dorme na liderança porque tem um técnico capaz de reinventar time na escassez de material humano. Enquanto corneteiros reclamam da carência de medalhões no banco, ele dá utilidade a três laterais na escalação: Marcos Rocha como zagueiro direito. Mayke e Piquerez nas alas. Depois, lançou Vanderlan. O time encerrou com quatro laterais. Todos com funções definidas em campo, não um amontoado. Ao contrário dos concorrentes, o elenco do Palmeiras exala cabeça fria e coração quente quando precisa decidir e brotam alternativas. Zé Rafael colaborou no primeiro gol. Rony ressurgiu quando o time mais precisa dele. Saiu do banco e consolidou a vitória por 3 x 0 contra o Internacional. Bons sinais.
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