Leonardo Jardim e Pedro comemoram o primeiro gol contra o Cruzeiro. Foto: Gilvan de Souza/Flamengo
O gol do centroavante Pedro na vitória do Flamengo contra o Cruzeiro por 2 x 0 pela quinta rodada do Campeonato Brasileiro é daqueles de ver e rever quantas vezes for necessário para se convencer de que um jogador com a característica dele é necessário não somente para o “galático” elenco rubro-negro, mas para a Seleção Brasileira na contagem regressiva para a Copa. Improvisar Bruno Henrique, Gonzalo Plata, Carrascal e Arrascaeta nessa função ímpar talvez tenha sido um dos grandes erros do excelente Filipe Luís na passagem vitoriosa pelo cargo.
Pedro entrega pressão na saída de bola do adversário no gol. Passa pelos marcadores com técnica de ex-jogador de futsal que foi no Mackenzie e no próprio Flamengo na infância, mostra força para disputar espaço e finaliza como se espera de um camisa 9 ao deslocar simplesmente o goleiro Cássio ao colocar a bola no fundo da rede do Cruzeiro.
Leonardo Jardim começa jogo pela segunda vez com um camisa 9 clássico. O português abre a possibilidade de dar ao jogador o que faltava com Filipe Luís: sequência. Quem fez do colombiano Falcao Garcia artilheiro do Monaco na campanha do título francês na temporada de 2016/2017 e de Kaio Jorge goleador celeste no terceiro lugar na Série A do ano passado pode devolver a Pedro o gosto pela rede e a oportunidade de ir à Copa.
Centroavantes costumam se dar bem no sistema de jogo de Leonardo Jardim. Em outros trabalhos, Rafik Djebbour foi artilheiro do Campeonato Grego pelo Olympiacos na temporada de 2012/2013. Bem Yedder era a referência dele no Monaco até a paralisação da Ligue 1 por causa da pandemia em 2019/2020. Bafétimbi Gomis era o nove dele na passagem pelo Al-Hilal e balançou a rede 24 vezes na Saudi Pro League.
O Flamengo teve o que faltou ao Cruzeiro. A lesão de Kaio Jorge deixou o time celeste carente de precisão na finalização. Houve oportunidades, mas o acabamento dos lances carecia de qualificação. A dependência de Pedro foi uma das causas da derrocada de Tite com a prancheta rubro-negra. O sistema de jogo dele desabou depois da grave lesão sofrida pelo craque em 2024. O início do trabalho na Raposa mostra novamente um time preso a Kaio Jorge. Tite precisa ter repertório sem o artilheiro do Brasileirão de 2025.
Do ponto de vista tático, Leonardo Jardim começa a deixar ideias claras. O Flamengo agredia o Cruzeiro no 3-2-5. Alex Sandro baixava para formar linha de três com Léo Ortiz e Léo Pereira. Pulgar e Jorginho protegiam a defesa como par de volantes. À frente deles, Emerson Royal espetado na direita como ponta; Lucas Paquetá posicionado por dentro como meia; Arrascaeta e Pedro se revezando como nove e Everton Cebolinha com o corredor esquerdo liberado para ele. O time também jogou assim com Filipe Luís. A diferença é a intensidade, a ocupação dos espaços e a sincronia com e sem a bola.
Quanto ao Cruzeiro, fica a sensação de que Tite fez escolhas erradas na escalação inicial. O campo mostrou que Neiser Villarreal não era a melhor estepe para Kaio Jorge nesta partida. Chico da Costa, sim, incomodou a defesa adversária. O campo também explica a ausência de Gerson até mesmo na pré-lista de Carlo Ancelotti para os amistosos de março. O meia sentiu os protestos da torcida que o amava e sentiu-se apunhalada. Matheus Pereira e Christian faziam o time jogar, mas jovens como Kaiki afinavam.
Temos um Flamengo em evolução assimilando os conceitos de Leonardo Jardim e um Cruzeiro com muita dificuldade de entregar o que Tite precisa. O título do Campeonato Mineiro deu pausa na queda da areia na ampulheta da paciência da diretoria e da torcida com o treinador. A derrota para o Flamengo voltou a movê-la e o duelo de domingo com o Vasco, no Mineirão, terá novamente muito peso no trabalho do Adenor.
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