Palmeiras perdeu três decisões por pênaltis em 62 dias, duas no Mané. Foto: Ueslei Marcelino/AFP
Tenho a impressão de que o Palmeiras pilhou demais no jogo errado. Não havia condição física suficiente para peitar o Flamengo atuando no limite, como aconteceu no domingo passado na final da Supercopa do Brasil, às 11h, no clima seco de Brasília, e três dias depois manter a pegada na decisão da Recopa Sul-Americana. Era inviável. A equipe considerada titular tinha apenas um jogo na temporada. Não entrava em campo havia 14 dias — intervalo entre o empate com o São Bento, em 25 de março, pelo Paulistão, e a Supercopa contra o Flamengo.
Abel Ferreira escolheu consumir o gás do elenco contra o Flamengo a fim de mostrar para a torcida que o Palmeiras também está em outro patamar. Vaidade tem preço, cobra caro e custou a perda de dois títulos em menos de uma semana da forma mais cruel possível: pela terceira vez, em 62 dias, o time paulista fracassou numa decisão por pênaltis. Antes, havia perdido a disputa pelo terceiro lugar no Mundial de Clubes para o Al-Ahly, do Egito. Por sinal, o técnico reclamou do gramado do Mané Garrincha, mas os adversários também reclamam bastante quando vão ao Allianz Parque jogar em campo sintético. Além disso, a diretoria alviverde sabia que o estádio receberia até quatro jogos em cinco dias. Obviamente, o piso não suportaria essa maratona.
Se havia um título palpável ao Palmeiras a essa altura da temporada, era a Recopa. Sim, o time de Abel Ferreira não jogou bem nas duas partidas, mas esse era o detalhe: ao contrário da Supercopa do Brasil, eram duelos de ida e volta e o alviverde tinha vantagem de 2 x 1. Mesmo sem o ímpeto do duelo com o Flamengo, saiu na frente contra o Defensa y Justicia, no Mané Garrincha, sofreu gol de empate, e só não conquistou o título porque, para mim, Weverton falhou no lance do segundo gol do time argentino, que levou a partida para prorrogação. Considero que o chute do lateral-esquerdo Benítez era defensável.
Defensa y Justicia é o quinto clube argentino campeão da Recopa Sul-Americana. Antes, Boca Juniors (1990, 2005, 2006 e 2008), River Plate (2015, 2016 e 2019), Independiente (1996, 2011 e 2018) e Vélez Sarsfield (1997).
O futebol surpreende porque um elenco avaliado em R$ 799 milhões, como o do Palmeiras, perdeu título para um grupo quase quatro vezes mais barato. Sebastián Beccacece comanda jogadores avaliados em R$ 237 milhões. O valor de mercado de Gabriel Verón, sozinho, é um pouco próximo do preço do elenco completo do Defensa y Justicia. O mais caro do adversário é Braian Romero, cujo preço é estimado em R$ 27 milhões.
O importante nesse momento é o Palmeiras tirar conclusões. Falta um zagueiro confiável para atuar ao lado de Gustavo Gómez. Abel Ferreira precisa, sim, de um centroavante regular. Aparentemente, não é Luiz Adriano. Há necessidade de pensar em uma grife para o setor. O colombiano Borré era o sonho de consumo. Como a negociação, não prosperou, é necessário insistir na caça a um matador. A demanda é tão urgente quanto treinar cobranças de pênalti. Gustavo Gómez desperdiçou o que poderia ter sido o gol do titulo na prorrogação. Contra o Flamengo, havia vantagem de dois gols nas penalidades. É muita displicência.
Nas demais posições, o Palmeiras mostrou que tem time, sim, para se vingar dos carrascos dos dois vices em Brasília. O time reencontrará o Defensa y Justicia em duas partidas na fase de grupos da Libertadores. A estreia no Campeonato Brasileiro será contra o Flamengo, no Maracanã. Antes, é preciso pensar no clássico desta sexta contra o São Paulo. O time de Hernán Crespo está voando baixo. Uma derrota pode agravar o momento de instabilidade.
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