O Vasco não viu a cor da bola em um jogo que tinha a obrigação de vencer. Foto: Daniel Ramalho/Vasco
A lição da eliminação precoce do Vasco na primeira fase da Copa do Brasil é dura, mas precisa ser assimilada: o time não pode ser bipolar. Apresentar um comportamento nos clássicos, principalmente diante do maior rival Flamengo, e outro em partidas decisivas contra adversários de menor investimento como o ABC-RN — algoz cruzmaltino na segunda fase da Copa do Brasil.
A bipolaridade não é a única justificativa para o vexame, em São Januário. Há outros sintomas. O Vasco da Era SAF precisa se libertar da Síndrome de Eurico Miranda. O ex-presidente pregava que o Clássico dos Milhões é um campeonato à parte. Do ponto de vista motivacional funciona. no sentido prático, não. O triunfo por 1 x 0 na penúltima rodada da Taça Guanabara, por exemplo, foi uma espécie de Vitória de Pirro — referência ao êxito do exército do rei Pirro depois de superar os romanos na Batalha de Heracleia, em 280 a.C. Eles ganharam, mas o desfecho custou caríssimo do confronto causou prejuízos irreparáveis.
O técnico Mauricio Barbieri admitiu que a sequência de jogos decisivos minou a energia do Vasco. O time dele enfrentou o Flamengo duas vezes em oito dias. Entre os dois clássicos, era obrigado a derrotar o Bangu na última rodada da Taça Guanabara para avançar às semifinais. Embora tenha contratado mais de uma dezena de reforços, o elenco ainda é muito limitado para competir em mais de uma frente. Com o revés por 6 x 5 nos pênaltis contra o ABC depois do empate sem gols no tempo regulamentar, restam o Campeonato Carioca e 38 jogos da Série A.
Por falar no retorno à elite, o Vasco teve uma recaída em São Januário. Sofreu da Síndrome de Série B. A exibição desinteressada ou no mínimo displicente lembrou algumas daquelas exibições modorrentas do tempo em que o clube empilhou partidas na segunda divisão. Foi assim também, por exemplo, na derrota para o Volta Redonda na quinta rodada do Estadual.
Além da terapia coletiva para se curar das síndromes de Eurico e da Série B, o Vasco precisa tratar alguns casos pontuais. O centroavante Pedro Raul necessita de uma sessão do descarrego a fim de exorcizar todos os traumas dele em cobranças de pênalti. O camisa 9 teve o match point nos pés e bateu inspirado em Roberto Baggio. Mandou a bola nas alturas e desestruturou os companheiros obrigados a chutar na disputa das cobranças alternadas. Luca Orellano errou.
Quem define a eliminação como vexame, talvez não se recorde de um algoz potiguar bem mais simbólico. Em 2005, o Baraúnas-RN, de Cícero Ramalho, despachou o Vasco da Copa do Brasil por 3 x 0 dentro de São Januário. Sim, o ABC elimina o time carioca pela segunda vez, mas nenhum dos dois feitos se equipara ao do modestíssimo Baraúnas. Mensurável é o dano causado. Na melhor das hipóteses, ou seja, considerando uma virada diante do Flamengo na semifinal, o time só teria mais 40 jogos no restante da temporada: os dois da decisão do Carioca além de outros 38 no Campeonato Brasileiro considerando os dois turnos. Um prejuízo técnico e financeiro altíssimo para os cofres e a sala de troféus de um gigante em reconstrução.
Twitter: @marcospaulolima
Instagram: @marcospaulolimadf
TikTok: @marcospaulolimadf
A repetição é a mãe da retenção. Abel Ferreira manteve a escalação inicial do…
Gustavo Marques conseguiu piorar uma das semanas mais vergonhosas do futebol nesse sábado na eliminação…
A tolerância zero com técnicos de futebol chegou ao futebol feminino. Atual pentacampeão da…
As entrevistas coletivas de Filipe Luís são ótimas. Dificilmente deixam perguntas sem respostas. No entanto,…
Luiz Carlos Souza tinha um tabu pessoal. O técnico do Gama jamais havia passado da…
O Botafogo acumula seis derrotas consecutivas na temporada. Perdeu duas vezes para o Fluminense e…