A bela exibição do Palmeiras e cinco partidas que mostram quem é Abel quando se sente desafiado

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Abel Ferreira comemora classificação que demandou horas de estudo. Foto: Cesar Grecco/Palmeiras

Vou citar pelo menos cinco duelos recentes que ajudam a entender o técnico Abel Ferreira. O português é extremamente competitivo. Sente-se incomodado ao ter o trabalho ou o time dele diminuído pelo de um técnico ou equipe considerada minimamente superior a dele. Abel fica pilhado, incomodado. É capaz de largar jogos teoricamente fáceis pela obsessão de estudar, inventar uma maneira de ganhar duelos difíceis em troca de uma realização pessoal.

Ganhar do São Paulo havia virado obsessão. Daquelas de dormir e acordar pensando no adversário. Em arrumar um jeito de detê-lo, de massagear o próprio ego e o da torcida do  Palmeiras. Ao focar em jogos grandes como contra o São Paulo e outros rivais incômodos, Abel é capaz de relaxar em outras competições e deixa escapar vaga na Copa do Brasil contra o CRB, no Allianz Parque, perde a liderança do Brasileirão em jogos teoricamente acessíveis, mas está feliz da vida por finalmente engolir Hernán Crespo.

Foi assim quando Abel Ferreira fez o modesto PAOK da Grécia desbancar o Benfica de Jorge Jesus por 2 x 0 na fase eliminatória da Liga dos Campeões da Europa. Quando conseguiu exibição exemplar no triunfo por 3 x 0 sobre o River Plate de Marcelo Gallardo no duelo de ida da semifinal do ano passado, no Monumental de Núñez.

Abel sentiu-se desafiado pelo Grêmio de Renato Gaúcho na decisão da Copa do Brasil. Foi superior ao tricolor em Porto Alegre e em São Paulo. Quase derrotou o Flamengo na finalíssima da Supercopa do Brasil, no Mané Garrincha. Empatou por 2 x 2 no tempo normal e tomou a virada na decisão por pênaltis. Destaco, ainda, uma quinta exibição: os 5 x 0 em casa contra o Independiente Del Valle na fase de grupos desta Libertadores.

Esses cinco duelos mostraram a melhor versão de Abel Ferreira. E não se engane. O português já projeta os duelos com Atlético-MG ou River Plate nas semifinais. Ele ainda se incomoda com aquela derrota por 2 x 0 para o River Plate no duelo de volta da temporada passada, no Allianz Parque. Impotente, viu o time argentino desfilar na casa verde e quase eliminá-lo. A derrota para Cuca no último sábado pela Série A também mexeu com o técnico. O problema é justamente ele focar nos elefantes e largar as formigas na boa campanha no Brasileirão.

A prova de que os duelos de altíssimo nível contra Jorge Jesus, Renato Gaúcho, Rogério Ceni e Hernán Crespo pilham Abel Ferreira foi dada pelo próprio treinador em uma resposta na entrevista posterior ao belíssimo triunfo por 3 x 0 contra o São Paulo — 4 x 1 no agregado.

“Aos pouquinhos fomos percebendo como podíamos desmontar o nosso adversário. Não posso dizer qual foi a estratégia. Quando escrever um livro talvez eu diga. O que posso dizer é que investimos muito tempo estudando nosso adversário e preparando o jogo. Muitas pessoas perguntam o que fizemos nas duas semanas limpas. O Palmeiras trabalhou para esse jogo. Nem os jogadores sabiam que estavam trabalhando para essa partida”, explicou.

Resumo a classificação do Palmeiras às atuações de três jogadores que me agradam. Dudu ainda não está em forma, mas melhorou o time. Danilo fez uma partida impecável no meio de campo. Raphael Veiga nem se fala. Outro dia, tuitei que ele merece ser convocado por Tite para a Seleção. Levei pedradas. Insisto: vale a pena no mínimo um teste com a amarelinha.

A atuação do Palmeiras lembrou o primeiro tempo da decisão da Supercopa do Brasil contra o Flamengo. Em abril, tirou o time de Rogério Ceni da zona de conforto, no Mané Garrincha. Repetiu a dose diante do São Paulo. Em vez de esperar contra-ataques, avançou a marcação e criou contra-ataques a partir dos erros tricolores na saída de bola.

Ao contrário dos adversários Pablo e Rodrigo Nestor, os finalizadores alviverdes foram contundentes. Raphael Veiga, Dudu e Patrick de Paula alimentaram o sonho do bi. A última vez que um time ganhou dois títulos consecutivos da Libertadores foi em 2000 e 2001.  Era aquele Boca Juniors de Carlos Bianchi. Mais um sarrafo para Abel adestrar o Palmeiras para alcançar.

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Marcos Paulo Lima

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