Violência de Roberto Jefferson vai reabrir a discussão sobre CACs

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O caso Roberto Jefferson (PTB) reabrirá a discussão pelo aperto na fiscalização das armas dos CAC’s (Colecionador, Atirador Desportivo e Caçador) no Congresso. Depois que Roberto Jefferson atingiu policiais que foram prendê-lo no último domingo, as associações e federações de policiais federais querem promover esse debate. A avaliação é a de que há um ponto cego entre o que deve ser fiscalizado pelo Exército e pela PF. Não dá, por exemplo, para um sujeito sob investigação e em prisão domiciliar, como era o caso de Jefferson, manter granadas em casa. A ideia é não esperar sequer a chegada de 2023.

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Falta combinar com uma parte expressiva da bancada do governo, que ampliou o acesso às armas. Porém, depois de dois policiais feridos, a bancada da bala, formada basicamente por representantes da categoria, tende a apoiar uma lei mais clara e mais rigorosa na fiscalização e punição.

O foco é a economia

Nesses últimos dias, a campanha de Lula pretende centrar o foco na economia para sair da armadilha do discurso de costumes que centralizou o debate nas primeiras semanas desse segundo turno. A avaliação é a de que, se Lula conseguir colar em Bolsonaro a imagem de que é um candidato a serviço do mercado, a fim de cortar benefícios dos trabalhadores, o petista consegue reduzir a diferença em São Paulo.

… e a coalizão
Lula tem dito a todos os interlocutores e em entrevistas, que seu governo não será uma administração do PT. Vem na linha de tentar quebrar a resistência ao partido, que, embora tenha uma legião de seguidores, também tem uma grande rejeição.

Recordar é viver
A turma de Bolsonaro continuará na linha da má gestão dos fundos de pensão, como a entrevista com aposentado exibida no horário eleitoral, o discurso das igrejas e na tecla de que Lula não foi inocentado. Apostará ainda na tese de que quem concedeu o Auxílio Brasil de R$ 600 é quem terá condições de manter esse valor.

A prova de fogo das pesquisas
Quem estuda a fundo todas as pesquisas de intenção de voto, caso da Vector Consultoria, fez um levantamento das pesquisas disponíveis em 15 estados para mostrar a seus clientes que, nessas semanas em que o debate esteve centrado na pauta de costumes, o presidente Jair Bolsonaro ampliou mais as suas intenções de voto do que Lula. Portanto, avalia a Vector, a eleição, a preços de hoje, está empatada.

Zema na área/ Quem colocou na roda o tema das aposentadorias e dos fundos de pensão das estatais foi o governador reeleito de Minas Gerais, Romeu Zema, que está trabalhando os municípios mineiros em favor da reeleição de Bolsonaro.

Eles querem é espaço/ Parlamentares do União Brasil e do PP descartam uma fusão. Ou vão partir para uma federação, ou ficarão no bloco parlamentar. A tendência hoje é o bloco que, tradicionalmente, não tem tirado espaço de liderança dos partidos integrantes.

Por falar em federação…/ Alguns aliados do presidente da Câmara, Arthur Lira, já pediram aos partidos que façam uma análise do regimento da Câmara à luz da instituição das federações partidárias. A intenção é avaliar se dá para tratar cada partido da federação isoladamente na hora de distribuir as comissões técnicas da Casa.

Cadê o Power Point?/ A entrevista de Fábio Wajngarten e do ministro Fábio Faria na porta do Alvorada para denunciar que rádios estariam colocando mais inserções para Lula do que para Bolsonaro deixou a desejar. Faltou um kit para a imprensa, com detalhes sobre as 154 mil inserções a mais que Lula teria tido neste segundo turno, gráficos e o nome das rádios que burlaram a legislação eleitoral. Não houve um material explicativo para a grave denúncia. Aliás, a porta do Alvorada também não é um comitê de campanha, né?

Ações de Roberto Jefferson podem ter causado múltiplos danos a Bolsonaro

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Coluna Brasília-DF, por Carlos Alexandre de Souza

Apesar dos esforços da campanha bolsonarista, o faroeste caboclo promovido por Roberto Jefferson trouxe sérios danos à estratégia de Jair Bolsonaro de virar todas as expectativas para este domingo. A sequência de crimes cometidos pelo ex-deputado contém um extenso rol de ilícitos, e o candidato à reeleição terá de enfrentar esse desgaste na semana decisiva da eleição.

Roberto Jefferson desafiou a lei, ao jogar granadas e disparos contra agentes da Polícia Federal. Pôs em xeque a política armamentista estimulada pelo governo, porque demonstrou que não existe o menor controle sobre o uso de armas no Brasil. E, por fim, reproduziu o discurso do ódio contra o Judiciário, ao dirigir termos inaceitáveis a uma mulher e ministra do Supremo Tribunal Federal.

O candidato à reeleição pode tentar, quantas vezes quiser, tentar se desvincular desse episódio lamentável. Mas é muito difícil reduzir tantos danos em tão pouco tempo. É certo que a campanha de Lula aproveitará o episódio, de várias formas, para convencer eleitores indecisos a não votar em Bolsonaro. Em seu ato tresloucado e criminoso, Roberto Jefferson extrapolou os limites da lei e externou ao limite do intolerável as bandeiras defendidas pelo bolsonarismo.

Se havia alguma intenção de mudar o rumo da eleição, o tiro saiu pela culatra.

Sarney vota Lula

Em carta aberta, o ex-presidente José Sarney declarou o voto a Lula no próximo domingo. “O voto em Lula — que já tem seu lugar na História do Brasil como quem levou o povo ao poder e como responsável por dois excelentes governos — é voto pela democracia, pela volta ao regime de alternância de poder, pela busca do Estado de Bem-Estar Social. A diferença é clara”, escreve Sarney.

Interesses escusos
No texto, o ex-presidente condena o chamado Orçamento secreto, prática nefasta que contaminou o bom funcionamento do Congresso. “O atual contrato “secreto” entre o Executivo e o Legislativo, fixado em valores agigantados diante dos parcos recursos do Orçamento da República, é campo privilegiado para os interesses escusos”, lamenta o ex-presidente.

Destino do Brasil
Por fim, Sarney define o significado deste segundo turno para a história do país. “No próximo domingo, o eleitor decidirá se vota pelo fim da democracia ou por sua restauração. Esse voto não é para quatro anos de governo: é um voto para o destino do Brasil.”

Cenário sombrio
Ex-ministro da Fazenda e ex-presidente do Banco Central, Henrique Meirelles deu um diagnóstico sombrio sobre as contas públicas. “Na minha avaliação, o tamanho do buraco deixado é mais próximo de R$ 400 bilhões, estimado por entidades independentes, do que dos R$ 150 bi que o governo está falando”, disse em entrevista à GloboNews.

Vacina, sempre
No Dia Mundial de Combate à Poliomielite, a senadora Simone Tebet (MDB-MS) foi às redes sociais para lembrar a importância da vacinação. “Em setembro, a OMS declarou o Brasil como país de muito alto risco para pólio devido à dificuldade no acesso aos postos, falta de campanha nacional e escassa vigilância do vírus”, alertou a apoiadora de Lula.

Convicto
Coordenador da campanha de Jair Bolsonaro, o ex-secretário de Comunicação, Fábio Wajngarten, está convencido de que tem um material robusto para denunciar o suposto desequilíbrio nas inserções eleitorais em rádios. “Eu tenho 22 anos de experiência exatamente nisso. Sou pioneiro na pesquisa e auditoria de mídia no Brasil. A campanha não poderia estar melhor servida”, disse. O TSE aguarda.

Sabatinas do Correio
Nesta semana eleitoral decisiva, o Correio programou sabatinas com os candidatos à Presidência da República. Na quinta-feira, é a vez de Lula. Às 8h, ao vivo, o petista participa do Podcast do Correio, na Clube 105FM, com transmissão em todas redes sociais do Correio Braziliense, e exibição na TV Brasília, às 13h10.

Segurança pública entra na roda de discussão das eleições

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Com ou sem atentado contra o candidato do Republicanos ao governo de São Paulo, Tarcísio de Freitas, o tiroteio em Paraisópolis colocou a segurança pública definitivamente no rol dos temas prioritários deste segundo turno. Até aqui, em São Paulo, o assunto estava restrito às câmeras nos uniformes dos policiais. Agora, essa seara onde o próprio Tarcísio e Jair Bolsonaro (PL) nadam de braçada ingressou nas discussões e certamente entrará nos debates. É, inclusive, um dos assuntos que Sergio Moro pretende puxar nesta reta final, na reaproximação com o presidente.

Uma incógnita
Candidato a vice-presidente na chapa de Bolsonaro, Walter Braga Netto tem se esquivado de dizer qual será seu papel, caso o presidente seja reeleito em 30 de outubro. Entre quatro paredes, porém, muitos dizem que será a parte de grandes projetos e militares.

Várias certezas
Na campanha de Lula, porém, Geraldo Alckmin desponta como um “Posto Ipiranga”. Há quem diga que ele cuidará da área de energia; outros mencionam os contatos com o agronegócio. Hoje, ele se reunirá com o pessoal da saúde em São Paulo. Para completar, ainda foi mencionado como o nome para a economia.

Por falar em economia…
Integrantes do mercado financeiro terminaram o domingo frustrados. Alguns dispensaram a tradicional noite paulistana da pizza em família para ver o debate entre Lula e Bolsonaro, com a expectativa de alguma resposta sobre teto de gastos e condução da economia. A noite deu água.

… eles não fazem apostas
Desconfiada das pesquisas, a turma da Faria Lima, por exemplo, acredita que a eleição está empatada e o debate da Globo, na próxima semana, é que poderia fazer a diferença para um ou outro.

Nas mãos de Michelle
A primeira-dama Michelle Bolsonaro é quem terá a tarefa de jogar para escanteio o episódio do vídeo em que o presidente fala de meninas venezuelanas e que a oposição explora no momento. Michelle percorreu o Norte e, agora, está no Nordeste, em campanha pela reeleição do marido.

Jogo empatado/ Geraldo Alckmin dizia que Lula queria voltar à cena do crime e, hoje, é vice na chapa do petista. Moro dizia que Bolsonaro mentia e, hoje, é cabo eleitoral do presidente-candidato.

Por falar em Moro…/ O ex-juiz e senador eleito pelo Paraná quer aproveitar para colocar novamente a questão dos presídios federais e da segurança pública. Não será surpresa se usar o tiroteio de Paraisópolis como gancho numa atividade de campanha com Bolsonaro. Moro tem acusado o PT de não transferir integrantes do PCC para presídios federais. E pretende continuar nessa toada pelos próximos dias. O clima está cada vez mais tenso.

A caminhada de Simone/ Detentora de 105.377 votos no primeiro turno no Distrito Federal, a senadora Simone Tebet (MDB-MS) fará uma caminhada no Setor Comercial Sul de Brasília, amanhã, a partir das 16h.

Mais um do Leonêncio/ O jornalista Leonêncio Nossa lança, hoje, a partir de 19h, na Pizzaria Bacco da 408 Sul, seu mais novo livro, As guerras da independência do Brasil. Vale a leitura.

Expectativa de muitos ataques no debate dos presidenciáveis

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A contar pela preparação de cada uma das campanhas para o debate desta noite (16/10) entre os dois finalistas da eleição presidencial será mais uma saraivada de impropérios do que propriamente uma colocação de ideias. Cada um está se aprontando para fazer o papel de bom moço e, por tabela, tirar o outro do sério, a fim de qualificar o adversário como despreparado. No último debate do primeiro turno, Padre Kelmon (PTB) deixou Lula bastante irritado. Quanto a Bolsonaro, saiu do prumo ao ter direito de resposta negado. Agora, faltam 14 dias para a eleição, e os candidatos a presidente deste segundo turno não disseram com todas as letras o que farão com o teto de gastos, com a tabela do Imposto de Renda e nem com a reforma administrativa, a tributária, a fiscal e como pretendem conviver com a realidade das emendas de relator.

A pedra no sapato do Executivo

Cresce a pressão da máquina pública para que o futuro presidente da República, seja quem for, trate de negociar limites às emendas de relator. Como o leitor da coluna já sabe, o Congresso não pretende acabar com essas emendas. Se puder e tiver clima para isso, vai torná-las impositivas.

Crise à vista
Até aqui, o ex-presidente Lula tem dito que acabará com essa farra. Só tem um probleminha: se quiser cumprir a promessa de exterminar essas emendas apenas não liberando um centavo sequer, vai chegar comprando briga com o Parlamento.

Enquanto isso, no Planalto…
O presidente Jair Bolsonaro planeja ver o que é possível fazer em termos de acordo com o seu próprio partido, o PL, e o PP, legenda do ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira, para tentar sobrar algum dim-dim para o Poder Executivo realizar seus projetos. Hoje, os ministros têm que ir ao Parlamento pedir recursos para as grandes obras.

Noves fora…
Nada será feito sem o aval do Centrão, que hoje tem a força e os votos no Congresso. E seus caciques dizem que, seja quem for o presidente, terá que se adequar a esta realidade. Obviamente, eles consideram mais fácil negociar com Bolsonaro, que já está no cargo e é do PL, detentor da bancada.

D’Ávila versus Amoêdo/ Ao tomar conhecimento da declaração de voto do ex-candidato Amoêdo a Lula, o presidenciável do partido Novo, Felipe D’Ávila, reagiu assim: “É uma traição aos valores liberais, ao Partido Novo e a todas as pessoas que criaram um partido para livrar o Brasil do lulopetismo que tantos males criou ao Brasil. Amoêdo: pega o boné e vai embora. Você não representa os valores liberais”.

Por falar em boné…/ Tem gente no PT disposta a pedir que se dê uma “segurada” nos recursos para Fernando Haddad nesta reta final. Consideram melhor investir em Lula, que está com a “eleição praticamente ganha”, dada a vantagem que obteve sobre o presidente Jair Bolsonaro no primeiro turno.

Seguro morreu de velho/ O maior receio do PT hoje é em relação à abstenção no Nordeste. E é aí que o partido está pedindo maior empenho de seus militantes.

Enquanto os candidatos fazem campanha…/ A turma do Congresso trabalha a pauta para novembro, mais precisamente de 7 a 11, a primeira semana cheia no pós-eleição. Até lá, será o tempo para os aliados de Arthur Lira reforçarem as amarras para manter o orçamento secreto. Para este domingo, estão todos de olho é no primeiro confronto direto entre Lula e Bolsonaro.

Ala do Congresso quer a transparência, mas não o fim das emendas de relator

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A operação da Polícia Federal (PF) que mira as cidades contempladas pelas emendas de relator, apelidadas de orçamento secreto, está sendo acompanhada com uma lupa por congressistas que defendem o controle dos recursos pelo Parlamento. A ideia é tornar transparente, deixar que quem tiver desviado dinheiro “se quebre”. Porém, jamais abrir mão da prerrogativa de destinar verbas para o que considerar prioridade — até mesmo com uma emenda constitucional para tornar essas emendas de relator impositivas.

A ideia de transformar as emendas em impositivas virá acoplada a um discurso de tornar essas propostas mais transparentes, acabando, inclusive, com o tal “usuário externo” — ou seja, instituições ou pessoas que não são parlamentares e acabam sugerindo emendas ao relator. Na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) deste ano, já é obrigada a informar o autor de cada pedido.

A expectativa dos deputados é de que isso ajude a convencer a população de que os desvios são isolados.

A tranca está frouxa…

A ideia dos parlamentares atuais em relação ao que foi feito no tempo dos Anões no Orçamento é muito mais ousada. Depois da série de deputados cassados ou “renunciados”, em 1993 e 1994, houve limite no número de emendas que cada um podia apresentar, e também de valores. Agora, para alguns, o céu é o limite.

…e os controles demoram
Ao longo do tempo, esses valores aumentaram e a fechadura quebrou. Veio o orçamento impositivo para as emendas individuais, para as de bancadas, para as de comissões e, agora, o orçamento secreto — que não é de liberação obrigatória. A avaliação de técnicos dedicados ao trabalho de apuração é a de que essa investigação no Maranhão e no Piauí, que resultou em duas pessoas presas, é apenas uma pontinha do que vem por aí.

A chave de Lula é o Nordeste
Aliados do petista se mobilizam para tentar ampliar a votação de Lula na região. No Ceará, por exemplo, onde ele obteve 65,91% dos votos no primeiro turno, a meta do deputado eleito Eunício Oliveira (MDB) é chegar aos 75%. O presidente Jair Bolsonaro (PL) obteve 25,38% no primeiro turno.

E o debate, hein?
A preparação de cada um para o primeiro confronto direto entre Bolsonaro e Lula, amanhã, inclui muito calmante para evitar que a irritação acabe por prejudicar um ou outro. Lula, por exemplo, quer administrar a vantagem obtida no primeiro turno e buscar os indecisos. Bolsonaro, que precisa de mais votos, também não pode ser tão agressivo ao ponto de transparecer despreparo ou desespero.

Outros rounds virão
A suspensão das investigações do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) e presidente do Tribunal Superior Tribunal Eleitoral (TSE), Alexandre de Moraes, sobre os institutos de pesquisa, adia a ânsia dos bolsonaristas de impor sanções a essas empresas. Mas, depois das eleições, as investidas voltarão — e no Congresso.

Nem às paredes confesso/ Com o PSD dividido neste segundo turno da campanha presidencial, o presidente do partido, Gilberto Kassab, avisa que manterá a neutralidade. A amigos, tem dito que o voto nesta rodada “irá com ele para o túmulo”.

Caminhos concretos I/ O Departamento de Infraestrutura em Transporte (Dnit) e a Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP) assinaram acordo de cooperação técnica para aprofundar o estudo sobre o método de dimensionamento de pavimentos de concreto e a revisão das especificações técnicas.

Caminhos concretos II/ Até aqui, comparativos a partir de projetos executados em pavimentos de concreto em estradas e vias urbanas revelam uma economia de R$ 1,6 milhão por quilômetro em relação ao asfalto, mais comum nesse tipo de obra. É que o concreto, dizem os técnicos, pode durar mais que o asfalto. Se os estudos foram satisfatórios, o contribuinte vai ver muita mudança nas estradas e vias urbanas.

TCU sediará prêmio Engenho/ O Tribunal de Contas da União abriu o espaço cultural para a cerimônia de entrega do 17º Prêmio Engenho de Comunicação — O dia em que o jornalista vira notícia. A parceria do TCU com o prêmio é antiga. O presidente em exercício da Corte, Bruno Dantas, Augusto Nardes, Weder de Oliveira, e o ex-ministro José Múcio Monteiro já integraram o júri em edições anteriores. Nesta edição, o ministro do TCU, Jorge Oliveira, faz parte do comissão julgadora.

A matemática dos votos define o rumo das campanhas

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A turma de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez as contas e está convencida de que se o ex-presidente ampliar a diferença no Nordeste, onde cinco dos nove estados têm segundo turno para governador, dá para manter a distância que o petista abriu para Jair Bolsonaro (PL) no segundo turno. A região, no caso, compensaria os votos que o presidente-candidato deve obter em São Paulo e em Minas Gerais. Daí a visita do ex-presidente ao Nordeste esta semana.

Da parte de Bolsonaro, a conta é ampliar a diferença em São Paulo, virar Minas e, de quebra, não deixar Lula ampliar muito a margem de votos que obteve no Nordeste. A fraca presença de eleitores num dos eventos do presidente, no Recife, foi lida como um alerta de que é preciso aumentar a campanha na região. Não por acaso, assim que terminar o périplo pelo Norte, a primeira-dama Michelle Bolsonaro vai engrossar o coro pró-Bolsonaro entre os nordestinos.

Sem detalhes

Até aqui, a equipe de Lula não disse o que fará a respeito do processo de privatização do Porto de Santos, tampouco tratou dos limites de investimentos. O setor é crucial para promover as exportações brasileiras e está indócil com a ausência de uma sinalização sobre o futuro.

Linhas gerais
A intenção do PT, porém, é rever o processo. Assim, ganhará tempo para decidir o que fazer, uma vez que não há consenso na equipe sobre as propostas. Há quem diga que Lula abriu tanto o leque de economistas que o apoia que a disputa pelo modelo será grande.

Lula por Paulo
Enquanto o Superior Tribunal de Justiça (STJ) confirmava o afastamento do governador de Alagoas, Paulo Dantas, ele dizia ao lado de Lula, num comício em Maceió, que aquele era um “dia de festa”. Nem o governador e nem o senador Renan Calheiros citaram que Dantas estava afastado do governo.

Janja só por Lula
A mulher de Lula, Janja, discursou e se esqueceu de pedir votos para Paulo Dantas. O petista, na hora, pediu que ela falasse, mas o locutor já chamava o próximo orador. Paulo, com ares de “tudo bem”, abraçou Janja, que prontamente pediu desculpas ao governador afastado.

Uso geral I/ A ida de presidenciáveis a Aparecida não é novidade. Em 2010, a ex-presidente Dilma Rousseff foi pela primeira vez ao santuário de Nossa Senhora Aparecida. E classificou as críticas à visita como um “preconceito” à sua religiosidade.

Uso geral II/ No mesmo ano, José Serra, que nunca foi muito de frequentar o local, também compareceu à basílica, acompanhado do então governador eleito de São Paulo, Geraldo Alckmin. Alckmin frequenta Aparecida todos os anos.

Uso geral III/ Serra foi recebido na basílica com tapete vermelho. Teve ali seu melhor acolhimento naquele segundo turno, ciceroneado por Alckmin, que prometeu pegar a estrada contra Dilma, a seu favor.

Uso geral IV/ À época, a mulher de Serra, Mônica, foi chamada ao altar para receber uma imagem de Nossa Senhora Aparecida a ser entregue aos mineiros que ficaram presos em uma mina no Chile.

Baixaria toma conta das campanhas dos candidatos ao Planalto

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Coluna Brasília-DF, por Carlos Alexandre de Souza

Faltam pouco mais de duas semanas para os brasileiros darem o voto definitivo à disputa presidencial. Pela importância do momento, crucial para definir os rumos do país pelos próximos anos – quiçá décadas —, era de se esperar que as campanhas dessem prioridade a temas relevantes, como geração de empregos, socorro à educação ou saídas para a crise fiscal.

O que se vê, no entanto, é a baixeza tomar conta das discussões políticas. A fim de conquistar o voto do eleitor, estrategistas de campanha e correligionários eleitos fazem uso massivo de golpes baixos. Acusações de satanismo e canibalismo; “luta espiritual” do bem contra o mal; vídeos e posts sobre a suposta orientação sexual de figuras públicas; reiterados ataques à imprensa. É extenso o repertório do submundo da política, coberto por um falso verniz de moralidade.

Eleições deveriam ser um instrumento para se buscar a evolução da democracia. A julgar o nível degradante do debate eleitoral, restará pouco a se celebrar no próximo dia 30, independentemente de quem sair vencedor das urnas.

Pugilato verbal

Deputados federais entre os mais votados do país, Nikolas Ferreira (PL-MG) e Guilherme Boulos (PSol-SP) protagonizaram um pugilato verbal em debate promovido pela CNN. Enquanto Nikolas chamou o parlamentar progressista e eleitor de Lula de “sem-teto com jatinho”, Boulos qualificou o bolsonarista de “cabeça oca”, com um “cérebro sem função social”.

Prévia
Tudo indica que o primeiro debate entre Lula e Bolsonaro neste segundo turno, transmitido pela Rede Bandeirantes no próximo domingo, manterá a toada da semana. O eleitor indeciso ou propenso a mudar de voto terá uma tarefa árdua. Dificilmente será possível extrair propostas para se decidir nas urnas.

Ruim, mas eu quero
Partidos que defendem punição aos institutos de pesquisa, com penas que chegam até 10 anos de prisão para os responsáveis, gastaram R$ 13,5 milhões por sondagens para entender o comportamento do eleitor durante a campanha deste ano Recursos do fundo eleitoral foram utilizados por PL, PP, União Brasil, PSC e Podemos. O levantamento considera gastos de partidos e candidatos registrados no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Repúdio
A Associação dos Juízes Federais de São Paulo e Mato Grosso do Sul (Ajufesp), repudiou ontem, em nota, as propostas de aumentar o número de ministros do Supremo Tribunal Federal e de mudar a organização do Conselho Nacional de Justiça. Para a Ajufesp, o movimento tem o propósito de “colocar um freio na atuação do Poder Judiciário e formar uma Suprema Corte mais alinhada com o governo”. E ressalta que o “Judiciário livre e independente é a base da democracia”.

Dinheiro vivo
Na terça-feira, agentes da Polícia Rodoviária Federal (PRF) prenderam um homem que transportava R$ 2,5 milhões em espécie a bordo de um carro de passeio, com placa de Brasília. A apreensão ocorreu na rodovia Belém-Brasília, perto de Ulianópolis (PA). O homem foi detido por suspeita de lavagem de dinheiro, mas petistas suspeitam de compra de votos.

Kassab tenta acomodar PSD no jogo político em São Paulo

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Silenciosamente, o presidente do PSD, Gilberto Kassab, joga a rede no esfacelado. A ordem é atrair os prefeitos tucanos de São Paulo, que ficaram à deriva diante da derrota do governador Rodrigo Garcia. A aposta geral é a de que o PSD, que fez menos deputados do que previa, tem agora a chance de se acomodar melhor no centro do tabuleiro com a vice-governadoria de São Paulo, caso a chapa Tarcísio de Freitas e Felício Ramuth, do PSD, seja eleita. Para quem esperava ingressar na chapa de Tarcísio apenas para evitar tomar partido neste segundo turno, a chegada de Tarcísio ao segundo turno com reais chances de vitória mudou o cenário.

A urna foi boa, mas a conta…

O MDB do Maranhão entrou com uma representação na Justiça Eleitoral para rever o resultado da eleição para deputado federal no Maranhão. É que o partido fez as contas e descobriu que ao distribuir as vagas por média, o TRE desprezou parte do artigo 109 da lei eleitoral.

… vai para a Justiça
É que, depois de distribuídas as vagas por quociente, por ter 10% dos votos, a última etapa é calcular as “sobras”. O MDB está convencido de que o cálculo feito no Maranhão está equivocado.

Muita calma nessa hora
A polêmica em torno das “sobras” no Maranhão, porém, não mudará correlação de forças no Congresso. Agora, se outros estados tiverem muitos problemas desse tipo, será confusão para mais de metro.

Militares de olho no segundo turno
As Forças Armadas vão repetir no segundo turno das eleições o mesmo sistema de verificação e fiscalização das urnas do primeiro. Agora, feitura de relatório é outra história. Nas internas, dizem que não prometeram qualquer documento sobre o tema antes do término de todo o processo eleitoral.

Por falar em urnas…
Se as pesquisas deste segundo turno estiverem corretas, Tarcísio de Freitas vence em São Paulo e Bolsonaro perde no Brasil, cenário que enfraquecerá qualquer reclamação do presidente sobre as urnas eletrônicas. O assunto, aliás, foi colocado em segundo plano nesta fase da corrida eleitoral.

Desgaste & lealdade/ A campanha petista cogitou cancelar a ida de Lula a Alagoas. Mas, faltar à caminhada prevista para Maceió nesta quinta-feira poderia soar como receio de aparecer ao lado do governador Paulo Dantas, alvo da Polícia Federal esta semana. Lula manterá a lealdade no evento com Renan Calheiros, que, aliás, há seis dias, levantou suspeitas de intervenção na eleição local.

Por falar em caminhada…/ Hoje, Lula estará na Bahia, para reforçar a campanha de Jerônimo Reis, o candidato do PT ao governo estadual. De quebra, tentará ampliar a própria votação no estado, onde fechou o primeiro turno com três milhões de votos de frente para Jair Bolsonaro. ACM Neto, que passou o ano em pré-campanha, torcendo para que a eleição não se nacionalizasse, encontra dificuldades em recuperar terreno.

Nacionalizou geral/ Nos debates da Band, na terça-feira, o que se viu foi um leque de citações a Lula e Jair Bolsonaro. Na maioria dos casos, seguindo o exemplo de São Paulo, campanhas estaduais tiveram que escolher um lado desta polarização entre o petismo e o bolsonarismo.

Nossa Senhora Aparecida/ Que a padroeira proteja os brasileiros hoje e sempre. Especialmente, nossas crianças, homenageadas nesta data. Bom
feriado a todos.

Começa o jogo para presidência da Câmara e do Senado

Publicado em coluna Brasília-DF

Antes mesmo de saber quem será o futuro presidente da República, o PL avisa que não pretende balançar a posição de Arthur Lira (PP-AL) na Presidência da Câmara. A disposição é de apoio total para ajudar a resolver o jogo no Senado, onde o partido tem pretensões de fixar sua bandeira. O PP, porém, vai esperar decantar a disputa para a Casa da federação e, só depois, é que pretende definir uma posição. Não quer brigar, por exemplo, com o União Brasil, que tem interesse em presidir o Senado. E se Lula vencer a eleição presidencial, o MDB também entrará no páreo.

Deu ruim

O petista Luiz Inácio Lula da Silva foi aconselhado a evitar viagens a Pernambuco neste segundo turno. Ele já tem uma boa vantagem em seu estado natal, poderia até ir agradecer os votos, mas parte da campanha presidencial do ex-presidente considera que a candidata do Solidariedade, Marília Arraes, tropeçou feio esta semana. E com ela colando sua campanha à de Lula, é melhor ficar longe dos erros dela nesta largada da rodada final.

Ficou pior
Marília disse não ao pedido da adversária Raquel Lyra (PSDB) para adiar o início do horário eleitoral de segundo turno por causa da missa de Sétimo Dia do falecido marido — Fernando morreu no dia da eleição. Um vídeo gravado pela campanha de Raquel lembra que, em 2014, a presidente-candidata Dilma Rousseff e Aécio Neves pararam a campanha para ir a Recife, para o velório do então candidato do PSB, Eduardo Campos. Marília não quis saber de dar um tempo para sua adversária viver o luto. Errou e, talvez, não dê tempo de consertar.

Mercado futuro
Numa conversa com a vice-governadora eleita Celina Leão, o senador Reguffe chegou a ouvir que deveria ir para o governo do Distrito Federal. Falta combinar com o governador Ibaneis Rocha. Até aqui, não há planos do MDB em levar Reguffe para o GDF. Porém, Celina, candidatíssima ao Buriti para 2026, cria pontes com os adversários. Em política, o rival de hoje sempre pode ser o aliado de amanhã.

Tebet na área, mas…
A senadora Simone Tebet (MDB-MS) é considerada a futura ministra da Educação, caso Lula seja eleito no final do mês. Só tem um probleminha: essa área é considerada uma das inegociáveis por parte do PT. Logo, é preciso cautela.

Em casa/ Na batalha pela eleição de Damares Alves ao Senado, a primeira-dama Michele Bolsonaro praticamente se mudou para Ceilândia por alguns dias de setembro. No dia em que dormiram por lá, pediu cachorro quente da lanchonete 14 Irmãos, famosa no local. Comeu dois e ainda levou a maionese verde para o Alvorada.

E na campanha/ Agora, Michele vai entrar de cabeça na campanha em Goiás e nas regiões Norte e Nordeste. Há viagens programadas para os seis estados do Norte e, ainda, para Bahia e Pernambuco.

Neutro, só xampu/ O tucano Eduardo Leite pode enfrentar problemas neste segundo turno, por causa da neutralidade em relação à campanha presidencial. No PT, há quem diga que não é possível ficar em cima do muro nesta nova eleição. Assim, os petistas gaúchos tendem a seguir para o voto nulo na eleição no Rio Grande do Sul.

Problemas iguais, reações diferentes/ No Rio Grande do Sul, Bolsonaro fechou o primeiro turno à frente de Lula. E se Leite optar pelo petista, seus aliados acreditam que perderia votos. ACM Neto, na Bahia, considera ter o mesmo problema, porém com sinal trocado. Lá, se ele fechasse com Bolsonaro, seus aliados acreditam que poderia perder votos. Vale lembrar que o ex-prefeito de Salvador já obteve o apoio de João Roma, sem precisar pedir. O mesmo não fez o PT gaúcho até agora em relação a Leite.

Prefeitos e parlamentares são a chave do segundo turno

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A largada deste segundo turno indica que tanto o ex-presidente Lula quanto o presidente Jair Bolsonaro esperam contar com a estrutura de prefeitos, Brasil afora, para tentar angariar votos. Lula fez apelos nesse sentido durante as reuniões políticas desta semana. O petista, aliás, concentrou boa parte de sua entrevista em São Paulo à convocação dos prefeitos, citando a memória de seu governo.

No caso de Bolsonaro, houve solicitações no mesmo sentido a todos os governadores aliados, para que engajem os prefeitos na campanha. O governador reeleito de Minas Gerais, Romeu Zema, por exemplo, já reuniu a maioria dos 853 de municípios mineiros em prol da campanha pela reeleição do presidente.

À paisana

Discretamente, militares acompanharam a eleição em vários pontos do país e não encontraram problemas. Agora, já estão se preparando para o segundo turno.

A missão de Prudente
Eleito deputado federal pelo MDB do DF, Rafael Prudente foi destacado pelo governo local para avaliar as chances de o partido definir uma fusão com outras legendas. Até aqui, os emedebistas estão mais fechados e só farão qualquer movimento mais robusto depois de conhecido o presidente da República que governará pelos próximos quatro anos.

Por falar em disputa presidencial…
A pesquisa Genial Quaest desta semana trouxe um dado que preocupou o PT. O percentual daqueles que responderam “sim” quando perguntados se Bolsonaro merece um segundo mandato subiu de 44% para 50%, enquanto o daqueles que responderam “não” caiu de 54% para 48%.

… o tempo é o senhor da razão
Na outra ponta, quando perguntados se Lula merece voltar, os eleitores pesquisados que diziam sim em setembro eram 54% e hoje são 51%. E o “não” , 44% e hoje 46%. Em suma, nada está garantido.

Deu bom, mas deu ruim/ Ao ouvir Lula dizer, em entrevista, que o Rio de Janeiro nunca recebeu tanto dinheiro como no seu governo, alguns integrantes do próprio PSD que apoiam Tarcísio de Freitas e assistiram à fala de Lula pela tevê comentaram que o governador daquele período, Sérgio Cabral, amarga a cadeia, enquanto o povo continua sem desenvolvimento.

Governo democrático/ Nem todo o secretariado de Rodrigo Garcia o acompanhará no voto ao presidente Jair Bolsonaro neste segundo turno. O secretário de Cultura de São Paulo, Sérgio Sá, anunciou em suas redes que votará no ex-presidente Lula.

A necessidade…/ Foi preciso um embate entre o PT e o PL de Jair Bolsonaro para que o ex-presidente Lula agradecesse o apoio recebido dos economistas do Plano Real citando o projeto deles como o “responsável por tirar o Brasil da hiperinflação da década de 90”. Edmar Bacha e Pérsio Arida sempre tiveram divergências em relação a planos econômicos do PT.

…faz o sapo pular/ Quando o Plano Real foi lançado, em 1993/1994, com Fernando Henrique Cardoso (foto) no Ministério da Fazenda, o PT foi o primeiro partido que o PSDB procurou para obter os votos necessários à aprovação da proposta no Parlamento. O PT disse não, porque considerou que poderia prejudicar a eleição de Lula, àquela altura, líder das pesquisas de intenção de voto. E quem apoiou o Real foi o PFL, de Antonio Carlos Magalhães, Jorge Bornhausen e Marco Maciel. Fernando Henrique Cardoso venceu no primeiro turno, em 1994.