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O recado de Kassab

Publicado em coluna Brasília-DF

Por Denise Rothenburg

Pressionado por bolsonaristas e petistas a não lançar um candidato do PSD à Presidência da República, o presidente do PSD, Gilberto Kassab, reafirma que um dos três que se apresentaram para essa empreitada concorrerá ao Planalto e joga as falas contrárias ao projeto para escanteio.

Numa espécie de carta aos brasileiros, aproveita suas redes sociais para lançar as bases de uma campanha, com Eduardo Leite, Ratinho Júnior ou Ronaldo Caiado o escolhido.

De Stuttgart (Alemanha), onde participa de um congresso da União Democrata-Cristã (CDU) promovido pela fundação Konrad Adenauer (KAS), Kassab diz que “o Brasil estará muito bem servido, se puder contar com (e elenca os três) como seu presidente da República a partir de 2027”.

E, ainda, apresenta o rascunho de uma plataforma de campanha, com “transparência na utilização de recursos públicos para combater a corrupção; reforma administrativa para reduzir o peso do Estado e valorizar bons servidores; o fim da reeleição; e idade mínima para novos membros dos tribunais superiores”.

Acertos & apostas/ Kassab abre a carta “O PSD nas eleições de 2026” falando dos acertos ao longo da carreira. Menciona as disputas eleitorais que travou e dos apoios que concedeu a Guilherme Afif Domingos, Fernando Henrique Cardoso, José Serra e, mais recentemente, a Tarcísio de Freitas, em São Paulo. Considera, ainda, ciência, educação e saúde como setores estratégicos, numa demonstração de que o PSD não virá a passeio para esta temporada eleitoral de 2026.

Pressão total

Com a liberação do acesso ao sigilo do ex-banqueiro Daniel Vorcaro à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, deputados vão cobrar do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), que instale a CPI sobre o escândalo do banco Master. “É muito importante que isso seja definido na próxima semana. Caso a decisão seja negativa, iremos ao STF garantir o direito de realizar essa CPI. O regimento interno fala que não pode haver funcionamento simultâneo de mais de cinco CPIs. Como não tem nenhuma funcionando neste momento, não há nenhuma razão para não instalar a CPI do Master”, afirmou à coluna o deputado Rodrigo Rollemberg (PSB-DF).

Vem por aí

A contar pelos pedidos de CPI apenas de 2026, o presidente da Câmara não terá como negar o de Rodrigo Rollemberg para a abertura da CPI do Master. É o RCP (Requerimento de Comissão Parlamentar de Inquérito) 01/2026.

Por falar em Hugo Motta…

O governo perdeu as esperanças de ter o presidente da Câmara totalmente alinhado às vontades do Planalto. Isso porque Motta fez “cara de paisagem” ao pedido para troca do relator do projeto Antifacção. Guilherme Derrite (PP-SP) assume a missão de relatar o que veio do Senado.

… ele continuará equilibrista

O presidente da Câmara manterá o estilo de um aceno à direita e outro à esquerda. Seus aliados mais próximos dizem que não é o momento de escolher um lado. E tem muita gente apostando que, em 2027, a Casa permanecerá dividida.

CURTIDAS

Sextou I/ Os integrantes da CPMI do INSS estão todos alvoroçados depois que o relator do caso Master no STF, ministro André Mendonça, liberou o acesso aos dados sigilosos sob a guarda da Presidência do Senado. Tem excelência atualizando a cada cinco minutos o sistema para estudar os documentos.

Sextou II/ Dentro da CPMI, a avaliação da cooperação do ministro André Mendonça é positiva. A aposta de muitos é a de que, agora, a investigação terá um grande avanço. E o melhor, sem a espetacularização da comissão. Tem gente aliviada com a desistência de Vorcaro de comparecer à CPMI. Sobrará mais tempo para análise dos papéis e arquivos digitais.

A importância delas I/ O novo diretor-geral da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), Frederico Dias, selou compromisso com a equidade de gênero durante sua gestão. Num dos eventos de despedida em homenagem à Flávia Takafashi, diretora da Antaq que encerrou o mandato nesta semana, ele declarou: “Equidade de gênero não é um problema das mulheres. É um problema de todas as organizações que querem ter relevância, que querem ter continuidade e futuro”. Três testemunhas de peso observavam a declaração, diante de uma plateia de representantes do segmento aquaviário: a presidente da OAB-PE, Ingrid Zanella; a presidente do Prêmio Engenho Mulher e mentora de lideranças femininas, Kátia Cubel; e Flávia Takafashi.

A importância delas II/ Flávia Takafashi foi a única mulher diretora num colegiado de cinco integrantes. Esta semana, Cristina Castro, superintendente ESG da Antaq, foi nomeada para substituí-la. Ela será diretora interina até o governo federal indicar um novo nome para a composição da Antaq.